Samoa 34 Zait. Um veleiro madeira/epóxi

Zait, um dos mais lindos veleiros já construídos a partir de nosso projeto Samoa 34, finalmente teve sua velejada inaugural oficial. Nosso amigo e cliente Daniel Sequerra nos enviou um e-mail contando o acontecimento, assim como um pouquinho da sua história, e também de seus novos planos:

 

Querido amigo Cabinho, 
Acho que vou fazer um histórico resumido do Zait para que seja um incentivo a loucos como eu. 
Meu primeiro contato com vocês foi no dia 17/8/2004 através de um e-mail com todas as perguntas possíveis e imaginárias sobre os diversos projetos e materiais de construção.

 Diana e eu estávamos em dúvida entre o Samoa 34 e o Samoa 36, mas já tínhamos absoluta certeza de duas coisas:

      1)       Seria construído pelo Flávio Rodrigues: www.flab.com.br

      2)       Que seria feito em madeira/epóxi

No dia 20/1/2005 efetuei o primeiro pagamento para a compra de madeiras ao Flávio e portanto estava decidido a “geração” de um Samoa 34.

Não há como dizer que Diana e eu somos pessoas totalmente normais, pois estávamos terminando a construção de uma casa que custou mais do dobro do valor inicial, planejando nosso casamento com direito a lua de mel e tudo mais (isso tudo por nossa conta ou melhor ... pra fora da nossa conta!) e nos metemos na construção de um barco que acabou custando 5 ou 6 vezes mais do que o planejado inicialmente. 

Claro que as finanças foram para o beleléu e até hoje ando as voltas com negociações e renegociações com os bancos por uso abusivo de cheques especiais e cartões de crédito. Mas um dia isso passa! 

Bem, vários anos se passaram, muitas mudanças foram feitas no projeto original e luxos abusivos foram incluídos no pobre do Zait, como ar condicionado, 2 geladeiras e 1 freezer elétricos, boiler, eletrônicos de última geração, holding tank (pois a Diana como bióloga jamais admitiria sujar uma baía ou um lugar cheio de banhistas, apesar de que 99% dos donos dos outros barcos estão se lixando para isso e não se incomodam de nadar lado a lado com o côcô do barco vizinho), guincho elétrico e todo o convés de teka.

O barco foi colocado na água na Marina Kauai em maio de 2009, mas na verdade só dei o barco por totalmente terminado no dia 6/2/2010. Ou seja, podemos dizer que entre escolher o projeto e tê-lo totalmente pronto demoramos cinco anos e meio. Nesse tempinho, Diana e eu nos casamos, tivemos a Deborah, depois o Nathan e a grande surpresa de ter a minha filha mais velha Helena vindo morar conosco.

 

Não deixei de velejar o Zait mesmo antes de estar 100% pronto. A viagem inaugural foi de Ubatuba ao Rio com mar agitado. Depois fizemos uma tentativa de levar o barco para Angra para fazer a parte de instalação do bímini e outros detalhes de acabamento, mas chegando em frente a praia de São Conrado fomos pegos por um sudoeste de 32 nós e mar grosso. Resolvemos voltar, mas não por qualquer falta de segurança ou confiança no Zait, mas sim pela nossa condição física que não se pode dizer que seja a ideal para enfrentar paulada por mais de 12 horas. Numa nova tentativa, fomos tranquilos até Bracuhy, e depois a Almada onde o Flávio tem uma casa paradisíaca.

 

A volta de Almada para o Rio foi novamente de paulada, mas desta vez fomos em frente e o Zait parecia que estava num mar de tranqüilidade, enquanto Miguel (meu sogro e grande companheiro de velejadas) e eu estávamos encharcados de tanta chuva que caía.

Ainda fui entre o Natal e o Reveillon a Cabo Frio e Búzios e depois desse passeio foi a tal inauguração com a Diana levando o barco para a sub-sede do ICRJ em Angra. 

É verdade que meu barco ficou um pouquinho pesado (exatos 8.000 quilos), mas anda muito bem, especialmente no través. Mas o que impressiona mesmo é a segurança do barco. Com todas as pauleiras que levamos, jamais caiu uma única gota de água salgada no cockpit. Aliás, acho muito interessante quando a proa do barco (finge) afundar, pois chega a um determinado momento em que tenho a sensação que existe uma mola que empurra a proa para cima com violência e isso dá uma segurança e conforto impares. Isso porque tenho um gurupés que deve pesar mais de 80 kilos, uma âncora de 15 kilos, 20 metros de corrente, um guincho elétrico que também é pesado pra burro e guardado sob a cama de proa tenho ainda a âncora reserva e mais 40 metros de corrente. Ou seja, a tal mola é muito, mas muito forte mesmo ... 

Um comentário interessante feito pelo Joabe, que é talvez um dos melhores pintores do ICRJ sobre o Zait (tive que subir a linha d’água por causa da poluição absurda da Baia de Guanabara). Ele disse que o Zait foi construído “a antiga” que quer dizer que não foram poupados nem materiais nem capricho nem tutu para construir o barco. Ficou admirado com a fortíssima estrutura do barco. A turma da equipe dele me disse para ter cuidado com as lajes, pois certamente o Zait seria capaz de quebrá-las sem sofrer um único arranhão! 

Tenho feito meus planos e tido meus sonhos de viagens com o meu querido barco (parece que ele tem alma e acho que essa sensação é porque é feito de madeira) mas por motivos profissionais estou tendo que adiá-los por um tempo. Por outro lado, a família cresceu e esse aumento populacional incrementa ainda mais esse crescimento, pois começam a vir os amigos e namorados e o barco vai ficando pequeno. Aliás, tenho um agradecimento público a fazer à minha filha Helena que combinou comigo de me acompanhar de Cabo Frio ao Rio com 3 amigos que me ajudariam. Os 3 amigos chegaram a sub-sede do ICRJ de madrugada e a minha querida filha fez o favor de dopá-los com Dramim. Não é necessário dizer que os três galalaus vieram dormindo o tempo todo e o boneco aqui trabalhando sem parar. 

Apesar de todo o amor, carinho e cuidado que tenho com meu barco, (minha mulher diz que é a minha “outra” família), estou me vendo um pouco pressionado pelo aumento famíliar para ir para um barco maior, pois o Zait repentinamente ficou apertado para tanta gente. Com essa possibilidade levantada, o Flávio já não atende mais o telefone e se esconde de mim como Drácula foge do alho, pois acho que ele não aguenta mais aturar um maluco que transformou um 34 pés num ... 34 pés com tudo que tem dentro de um 60 pés. O Cabinho vai saber dessa idéia ao ler este histórico e tenho a impressão que também vai fugir. O Luis é o único que não vai fugir, pois já fugiu faz tempo e está bem longe de mim.  

Enfim, alguém há de querer comprar um verdadeiro Rolls Royce dos mares e haverá neste mundo alguém que me ajude a convencer meu projetista e meu construtor favoritos a me receberem e criarem mais uma jóia sem igual. 

Escrito em 24 de fevereiro de 2010 por Daniel Sequerra.

Contato: daniel@veleirozait.com.br

Clique aqui para saber mais sobre a classe Samoa 34.


Roberto Barros Yacht Design