Cabo Horns 35 em flotilha

A classe Cabo Horn 35 continua cada vez mais ativa. Agora em setembro teremos três de seus representantes inscritos na Refeno 2010. São eles Stella Maris, de Roberto Kivitis Nogueira, de Maceió, Alagoas, Thalassa, de Marcelo Augusto Balbo, de Ilha Bela, São Paulo, e o legendário Utopia, agora tendo Manrico D’Alessandro, de Santa Catarina, como seu novo proprietário.
Coroando nossa costumeira presença nesse evento, esse ano deverá ocorrer um recorde de barcos projetados por nosso escritório participando da regata. São ao todo dezesseis inscritos, alguns deles verdadeiros ícones entre os projetos que já desenhamos como é o caso do Utopia, (veja em clube na página do Cabo Horn 35 em nosso site), e do não menos famoso veleiro polar Paratii II, o mais conhecido dentre os projetos com os quais já nos envolvemos, um iate que já teve até selo de nossos correios editado em sua homenagem.

Dentre os projetos dos quais participamos o carro chefe na próxima Refeno será sem dúvida o veleiro vermelho Paratii II, um barco laureado com o cobiçado “Tillman Prize”, auferido pelo Royal Cruising Club da Inglaterra, e ainda tendo sido agraciado com a edição de um selo dos Correios Brasileiros

Ainda iremos reportar sobre todos esses barcos, mas dessa vez serão os três veleiros de construção amadora da classe Cabo Horns 35 inscritos na Refeno os barcos que desejamos homenagear.
Muitos de nossos clientes nos informam que sonham em um dia participar da Refeno, devendo ser por essa razão que, ano após ano, tem havido um gradativo aumento de barcos de nosso projeto inscritos na competição.

 

O interior do Cabo Horn 35 com seu salão social à ré é bem fora do convencional

Por ser a regata um evento onde o que mais importa para a maioria dos participantes é o fato de estar lá, a vitória em sua categoria representando apenas um bônus extra, muito provavelmente é esse o fator principal para que, tanto nossos veleiros de cruzeiro/regata, quanto os assumidamente de cruzeiro como é o caso dos Cabo Horns 35, façam essa prova como um dos grandes sonhos de realização de seus comandantes. Afinal quem não iria apreciar poder comandar seu barco de dentro de um pilot-house num daqueles dias em que se pergunta o que se está fazendo ali. Por que não ter ficado no bem bom de sua cama sequinha, ou no aconchego de sua sala de estar, ao invés de ter que enfrentar um molhado cockpit, seja por chuvas torrenciais, ou por ondas traiçoeiras estourando no convés.

Fernando de Noronha sendo um parque nacional ainda não foi estragada por turismo excessivo

Nossos três competidores têm em comum as histórias de suas sagas para serem fabricados. São construções amadoras feitas com muita competência e dedicação que resultaram em três barcos maravilhosos.

A deslumbrante vista para o ancoradouro a sotavento da ilha onde ficam estacionados os veleiros da regata

Como são três unidades do mesmo projeto, os comandantes poderão reivindicar o status de classe para os Cabo Horn 35, com premiação específica. Pelo menos foi assim em regatas anteriores, e nada seria mais justo do que oferecer esse status aos três veleiros.  

O Stella Maris foi construído artesanalmente por seu proprietário, Roberto Kivitis Nogueira em Maceió, Estado de Alagoas

O Stella Maris foi construído com muita competência por seu proprietário Roberto Kivitis Nogueira no galpão de sua empresa em Maceió, Alagoas. Roberto, que nunca construíra um barco antes, fabricou o seu com a intenção de atravessar o Atlântico navegando pelas latitudes beirando os quarenta graus até a cidade de Cape Town e dali em diante realizar uma volta ao mundo. (Veja artigo sobre o Stella Maris – Alagoano prepara Cabo Horn 35 para dar a volta ao mundo. Extrato de artigo publicado no jornal “Gazeta de Alagoas”). O barco inegavelmente está muito bem preparado, e, se por enquanto essa viagem ainda não foi realizada, pelo menos o Stella Maris já é um veterano na Refeno.

Roberto Kivitis Nogueira recebendo de Roberto Barros a placa comemorativa pela participação do Stella Maris na regata de 2004 quando doze barcos projetados pelo escritório Roberto Barros Yacht Design estavam presentes na competição. Esse ano de 2010 são dezesseis inscritos

Na regata de 2004 o escritório foi representado por doze participantes. Na ocasião marcamos um almoço de confraternização realizado no Pernambuco Iate Clube convidando todas as tripulações desses barcos. Foi então entregue a cada comandante uma placa comemorativa pela participação no evento, e um deles era o Stella Maris, então um barco recém-inaugurado. Agora em 2010 o barco está mais completo ainda para realizar qualquer aventura marítima, parecendo ser novo em folha.

Thalassa é um Cabo Horn 35 extremamente bem construído por dois amadores totalmente inexperientes, Álvaro Brant de Carvalho e seu pai, João Brant de Carvalho, em Santa Rita de Passa Quatro, Estado de São Paulo

O Thalassa é um belo exemplo de veleiro da classe Cabo Horn 35. Ele é tão bem construído e bem acabado que mereceu uma reportagem recente na prestigiosa Revista Náutica. Seu atual proprietário, Marcelo Augusto Balbo, é um apaixonado pelo Thalassa, ao ponto de ter criado um site/blog (veja em nossos links – Cabo Horn 35 Thalassa) onde conta seus planos e dá muitas informações sobre o veleiro, inclusive com ótimas fotos em alta definição. Thalassa está inscrito no cruzeiro da costa leste, de modo que desde já vamos ter muitas novidades sobre ele.

        O salão do Thalassa combina verniz com estofamento claro

Imaginamos que como todos os donos de Cabo Horn 35, Marcelo deverá sentir uma forte tentação de esticar o cruzeiro para um horizonte mais longínquo, mas isso já será outra história.

Utopia é o mais famoso veleiro da classe Cabo Horn 35. Em seu currículo consta uma volta ao mundo e o fato de ter sobrevivido a um furacão e a um tsunami

O veleiro Utopia é considerado o barco de sete vidas. Sua história completa é um livro de aventuras daquelas de tirar o fôlego. Ele foi construído em Guaraparí, Espírito Santo, por Fausto Pignaton, um construtor de caiaques de fibra de vidro. Batizado então com o nome de Guruçá, pouco após ter sido inaugurado saiu em um cruzeiro de longa distância com destino ao Caribe. Após passar toda uma temporada nas ilhas fazendo charter para ajudar a financiar a viagem, foi pego de surpresa pelo mais violento furacão que já assolara a ilha de Saint Martin, o devastador Louis, que ao atingir a laguna onde Guruçá procurou abrigo, de novecentos barcos ali estacionados, salvaram-se oitenta, mesmo assim nenhum deles ileso. Duas semanas após a catástrofe, depois de fazer pequenos reparos, Fausto voltou ao Brasil navegando em solitário, tendo feito o trecho de Saint Martin até Fernando de Noronha em vinte e um dias, uma excelente singradura para um marinheiro sozinho.

Utopia ancorado numa laguna em uma ilha do Pacífico Sul

De volta ao Brasil Fausto tornou-se uma celebridade, sendo convidado para entrevistas em emissoras de televisão e tendo sua fantástica história sido publicada em diversos veículos de mídia. Seu barco tornou-se objeto de desejo de muitos cruzeiristas, e como Fausto tivesse outros planos de vida, resolveu colocar seu barco a venda.
Foi somente propagar a notícia e logo o barco já estava nas mãos de um novo dono, o piloto de helicóptero Marco Cianflonne.

Marco, um aventureiro nato, desejava dar uma volta ao mundo em solitário, e foi exatamente isso que conseguiu realizar em grande estilo. Se um gato tem sete vidas, não sabemos dizer exatamente quantas vidas teria esse excepcional veleiro. Ao longo dessa viagem Marco colidiu com uma rocha submersa quando navegava em águas da Indonésia, foi atingido pelo tsunamy que devastou a Tailândia e grande parte do litoral das regiões banhadas pelo oceano Índico, além de ter sido atacado por baleias quase no fim da viagem, já no Atlântico Sul, e apesar de ter seu eixo de propulsão retorcido pelo impacto, retornou ao ponto de partida de sua circum-navegação por seus próprios meios. (Leia em CLUBE do Cabo Horn 35 um extrato do artigo que Marco escreveu para uma importante revista).

Em 2010 o Utopia estátão sólido como no dia de sua inauguração apesar de todos os sustos por que passou, e, agora em mãos de um terceiro dono, Manrico D’Alessandro, está pronto para enfrentar novas aventuras, começando pela Refeno 2010.

Clique aqui para saber mais sobre a classe Cabo Horn 35MKII


Kiribati 36, um desenho versátil do equador aos pólos

Uma análise dos barcos de cruzeiro em evidência hoje em dia , quer por suas realizações nos campos da aventura náutica ou na indústria de charters em águas polares, revela que o Kiribati 36 tem muitas das características que fazem de seus irmãos maiores barcos de qualidade e por isso desejados e concebidos por aqueles que se aventuram no oceano.

Green Nomad com sua cabine panorâmica e dog house rígido: conforto e segurança em cima de um casco de 10mm de alumínio no fundo

Sem precisar ir longe, desde os Paratis do internacionalmente reconhecido Amyr Klink, até diversos outros igualmente destacados, como os barcos de expedição de Peter Blake, o novo Pelagic Australis de Skip Novak, Seal, Hawk, Morgan´s Cloud, Polaris, Southern Star e muitos outros, fica clara a tendência dos que querem barcos fortes, duráveis, de pouca manutenção e que proporcionem conforto e proteção as seus ocupantes.

Os cascos são de alumínio, os sistemas simples e comprovados, as cabines oferecem visão panorâmica.

Posto do navegador: Visão total e instrumentos à mão

Amplidão e luminosidade

Entre esses renomados navegadores muitos, senão todos, tiveram barcos anteriores aos atuais, alguns em fibra de vidro, outros em aço, mas quando chegou a hora de idealizarem seu barco definitivo, sua máquina dos sonhos, todos optaram pelo alumínio.

De todos os materiais atualmente utilizados para barcos de cruzeiro, o alumínio é praticamente o único que vai se manter inalterado quando exposto. Nenhuma barreira é necessária, a água não penetra nele e começa a degradá-lo.

É claro que gostaríamos de um barco em que compromissos não tivessem que ser feitos, em que espaço para corrente de âncora não implicasse em menos espaço de habitação, em que cabine panorâmica não alterasse o perfil do barco, mas dentro das limitações, podemos dizer que nos sentimos satisfeitos como o que atingimos com nosso Kiribati 36 Green Nomad.

Cozinhando no Green Nomad você fica integrado ao ambiente

O grande paiol atrás do banheiro ajuda a manter a organização

A robustez do casco e a simplicidade e confiabilidade dos sistemas de bordo habilitam o Kiribati 36 a ir onde quiser, só sendo limitado pelos desejos e estilo dos que o navegam.

Que tal um barco polar ao custo de um cruzeiro regata de fibra de vidro convencional? Ou um barco adequado aos atóis e passes rasos do Pacífico, com ventilação natural de sobra na cabine e vista para as maravilhas do mar? Pois embora pareçam opostos, muitas das soluções do Kiribati 36 são adequadas para cada um dos casos.

O primeiro Green Nomad nas Ilhas Marshall, Oceano Pacífico

Com nossa quilha retrátil e fundo chato de alumínio, poderemos nos abrigar nos lugares mais remotos do planeta

Sempre dizemos que o Kiribati 36 é o barco grande dos que não possuem um grande capital. Maior do que ele os custos aumentam desproporcionalmente ao benefício atingido, embora o conforto adquirido não seja de se desprezar.

É possível viver e viajar num barco menor, como provam vários amigos, entre eles Roberto Barros e seu Sea Bird. A opção pelo tamanho do barco tem que ser acompanhada de uma criteriosa avaliação sobre os custos e dificuldades envolvidas na construção, para se garantir que o projeto seja concluído.

Para saber mais sobre o projeto do Kiribati 36 clique aqui.


Polar 65 Fraternidade em Tahiti

O Fraternidade já está no coração do Pacífico. Esse barco construído para levar jovens cientistas aos lugares mais exóticos do planeta está realizando uma rápida volta ao mundo com muito poucas paradas até aqui, por enquanto sem explorar lugares mais remotos fora da rota clássica de turismo. Vamos aguardar que surpresas seu experiente capitão Aleixo Belov estará reservando para nós visitantes de seu site (veja em nossos links: Polar 65 Fraternidade) em seus próximos relatos. Talvez esteja guardando para as próximas etapas algumas surpresas interessantes. Em se tratando de Aleixo, um aventureiro nato, acreditamos que isso irá acontecer.

Que esse novíssimo barco navega bem e inspira muita confiança, isso é inquestionável. As fotos que temos observado dele navegando com todo pano em cima sempre mostram um convés seco e quase sem adernar. Com sua mastreação à prova e balas e toda a segurança que seu casco metálico proporciona, já contávamos que enquanto viajasse em águas tropicais iria navegar como se estivesse em um lago. Sua chegada sem o mínimo contratempo à Tahiti é uma bela prova disso.

Polar 65 Fraternidade encostado a contrabordo de um catamarã na beira-mar de Papeete. Por coincidência esse é mesmo lugar onde ficou o Sea Bird, o veleiro da família de Roberto Barros.

Por uma dessas coincidências difíceis de acontecerem a foto acima do Fraternidade encostado a contra-bordo de um catamarã tipo polinésico mostra o mesmo ponto geográfico onde o valente Sea Bird, veleiro de vinte e cinco pés com o qual Eileen e Roberto Barros navegaram do Rio à Polinésia, ficou estacionado há mais de quarenta anos com a pequena Astrid , então um bebê recém-nascido, a bordo. Era na praça vista à direita da foto, o Parque Bougainville, onde Eileen levava a filha para aproveitar o sol da manhã. Tahiti pode ter se modificado bastante em todo esse tempo, mas esse parque que tanto amávamos continua intocado.

Aleixo já havia realizando anteriormente três voltas ao mundo, todas elas em solitário, com um veleiro de quarenta pés em fibra de vidro que ele mesmo construiu. Parece que uma força íntima o impeliu a retornar aos lugares onde viveu experiências inesquecíveis, agora desejando compartilhar com outros suas memórias.

Em Tahiti deverá juntar-se à tripulação um companheiro nosso no escritório Roberto Barros Yacht Design, o jovem engenheiro naval Rafael Coelho, um dos participantes na elaboração do projeto. Essa oportunidade será muito proveitosa, pois o Fraternidade,sendo um veleiro de características bem exclusivas, ainda tem muito que demonstrar. Numa prova importante disso ele já deixou evidente que seus atributos podem fazer diferença: como ao entrar no atol de Rangiroa, beneficiando-se de sua capacidade de reduzir calado, mantendo um perfeito controle do rumo ao cruzar a intrincada passagem para as água abrigadas da laguna interior, assegurado por seus dois lemes e a mobilidade proporcionada por seus dois propulsores, passando por onde veleiros de seu porte com quilha fixa nem poderiam sonhar em chegar lá.

Clique aqui para saber mais sobre o Polar 65


Samoa 28 Terrius. Novidades na área

Olha só a classe Samoa 28 começando a mostrar sua cara. Agora já são duas unidades navegando: o Sirius, de Daniel D’Angelo, inaugurado já há algum tempo em La Plata, Argentina e agora o Terrius, de Bernardo Sampaio, recém-inaugurado em Ubatuba, litoral norte do Estado de São Paulo.

Projetamos esse modelo para ser o barco daqueles que querem morar a bordo ou fazer cruzeiros oceânicos e não conseguem encontrar veleiros desse porte capazes de proporcionar essas oportunidades. Como a classe é ainda bem novinha, é natural que ainda seja pouco conhecida, mas ela vem se firmando bem rápido, principalmente depois do Sirius mostrar serviço na última edição da regata Buenos Aires – Punta Del Leste, quando voou baixo no vento forte e tirou de letra o mar bem complicado que se formou na ocasião. (Veja a reportagem escrita por Daniel em nossa seção “Todas as Notícias”).

A classe tem uma porção de barcos sendo construídos em vários paises, alguns deles já ficando prontos, como é o caso do Ruthwutte, de Rafael Haddad, de Sorocaba, Estado de São Paulo, que até já se inscreveu na próxima Regata Recife – Fernando de Noronha. Vamos torcer para que Rafael consiga terminar o barco a tempo de participar desse evento que é considerado o mais importante da vela oceânica da América Latina. Se ele conseguir será um feito considerável, um record mesmo, pois ele adquiriu o projeto em outubro de 2009.

 

Vocês que visitam nossa página de links provavelmente acompanham os sites e blogs da classe, como o do Sirius, do Caprichoso, do Furioso e do Baleia.

Em janeiro de 2010 Luis Gouveia veio de Cingapura para visitar a família no Rio de Janeiro e foi a Macaé conhecer o Baleia, levando a filha Juliana com ele. Agora em junho o casco do Baleia já está pintado e pronto para ser virado.

Luis Gouveis visitou a obra do Baleia, quando Ubiracy Pereira Jardim acabara de completar o strip-planking do sanduíche do casco. Agora o barco já está revestido com fibra de vidro por fora e pintando com primer epoxy, pronto para ser virado. Assim como o Baleia, vários outros Samoa 28 já estão com seus cascos concluídos de modo que as novidades deverão continuar chegando.

Terrius se preparando para ir para a água. Com barcos tão caprichados assim essa classe promete...

Bernardo Sampaio nos escreveu:
Dia 15 de maio foi para o mar o mais novo veleiro Samoa 28, o TERRIUS. Foi uma emoção muito grande o barco ir ao mar. É como se fosse o nascimento de um filho. Nossos amigos que estiveram presentes se encantaram com a beleza e o espaço interno do veleiro. Já demos algumas voltas e o barco desliza muito bem. Estamos fazendo ainda alguns ajustes. Já na poita, algumas pessoas perguntam que veleiro é esse, se tem 33 pés, ficam admirados quando digo que é um 28 pés.

Estamos conhecendo o barco aos poucos, isto pela falta de tempo, pois trabalhamos muito. Estamos fazendo, ainda, alguns ajustes de elétrica, hidráulica, bimini, etc..., coisas naturais de um barco novo. Demos uma pequena velejada, mas com ventos muito, muito fracos, quase nada, assim mesmo alcançamos 2,0 nós no GPS (barco carregado, tanques de água e diesel cheios e 04 adultos). Tanto no motor como na vela desliza muito bem. Quanto ao espaço interno, toda vez que me sento no camarote de popa e olho para a proa me impressiono com o espaço interno, parece que estou em um barco de 32 pés. E é a pergunta que todos me fazem na poita: - É um 32 ou 33 pés? Quando digo que é um 28 pés, vejo as caras de espanto. Espaço para guardar as coisas não falta, minha mulher está adorando preparar nossa comida a bordo. Já fizemos algumas saídas com cinco adultos a bordo para praias próximas e para ilha Anchieta. A plataforma de popa é show, facilita a chegada com toda a bagagem e é fantástica quando estamos entrando ou saindo de um banho de mar. Assim que tiver mais noticias volto a me comunicar, principalmente das velejadas.
Abraços Bernardo.

O grande momento. O segundo Samoa 28 já está flutuando

Essas são as primeiras notícias do Terrius. Tão logo tenhamos mais novidades da classe estaremos informando.

Clique aqui para saber mais sobre o Samoa 28.


Demonstração virtual da montagem do Kiribati 36 vai ajudar construtores

Aproveitando que o projeto do Kiribati 36 é de última geração em termos de modelagem 3D, o escritório Roberto Barros Yacht Design oferece uma demonstração virtual dos passos da montagem da caldeiraria, com as peças sendo adicionadas passo a passo e na sequência sugerida.

Isto pode ajudar a muitos construtores, que podem assim avaliar as dimensões da tarefa.

Em outra novidade ligada ao projeto, já está em desenvolvimento uma versão do barco com quilha fixa tradicional, usando os já comprovados apêndices que fazem parte da série Multichine 34/36.

Green Nomad com mastreação

Com isto o projeto do Kiribati 36 passa a ter um apelo mais universal, podendo atender às necessidades daqueles navegadores que não precisam de calado extra reduzido ou preferem a simplicidade e menor custo de construção de um barco com quilha fixa.

O interior do Green Nomad quase finalizado

Os conceitos de simplicidade de sistemas, robustez, visão panorâmica de dentro da cabine e muitos outros utilizados no projeto do Kiribati 36 apelam a uma grande gama de navegadores, e a adição da versão de quilha fixa vai ser importante para o projeto.

Para ver a montagem virtual completa e saber mais sobre o projeto do Kiribati 36 clique aqui e na página do projeto clique em Construção.


Multichine 28 Atairu: um sonho de cruzeiro à vela

Nosso cliente Antônio Piqueres é o feliz proprietário do Multichine 28 Atairu. Ele e sua esposa Ivana estão curtindo imensamente os sonhos de cruzeiro à vela que nutriam antes e durante a construção do barco.
Com seu veleiro novinho em folha, eles têm feito incursões pela Lagoa dos Patos, desfrutando por dias a fio a beleza dos inúmeros arroios fervilhando de vida selvagem onde ainda quase não existe influência da atividade humana.

Ivana só teve que dar um pulinho da proa para terra firme para tirar essa foto

Regularmente fazemos matérias em nossa seção de notícias contando histórias de cruzeiros oceânicos realizados por veleiros da classe Multichine 28, como os diários de bordo do veleiro Fiu, (veja em clube do Multichine 28 no home-page da classe),hoje chamado Stella di Fioravante, agora pertencendo ao engenheiro brasileiro/canadense Roberto Roque, também um colaborador em nossa seção de notícias náuticas, ou as travessias (ou seriam travessuras?)de nosso aventureiro maluco/beleza Flávio Bezerra com seu fabuloso Multichine 28 Access, ou ainda o vídeo que mostramos do Utopya, o MC 28 de nosso amigo Breno Faria Lima, velejando em pleno planalto central brasileiro, no Lago Paranoá. Em outras ocasiões relatamos histórias de barcos da classe que primam pela beleza de seus interiores, como na notaMultichine 28 Ayti, e do próprio Atairu, quando de sua inauguração

O Atairu está estacionado no Clube dos Jangadeiros, de Porto Alegre, R.S.

A beleza da aptidão para o barco navegar em águas relativamente rasas reside em que sua quilha é simplesmente um fin-keel com bulbo em baixo, sem apêndices móveis, uma solução tão eficiente em travessias oceânicas que nossos clientes se esquecem que estão navegando em barco de relativamente baixo calado e só têm boas referências quanto ao seu desempenho quando navegando em mar aberto.

A menção ao fato do barco calar apenas 1.55m é apenas para afirmar a satisfação que seus proprietários sentem pelo fato do modelo ser tão marinheiro apesar do calado modesto. Além disso, os donos de Mc28 possuem uma infinita sensação de segurança pelo fato do barco ser um veleiro Categoria A conforme as normas da União Europeia para veleiros monocasco, um fato raramente alcançado por barcos de aproximadamente o mesmo tamanho.  Talvez essas sejam razões embutidas no subconsciente de nossos construtores para que a classe seja tão bem cotada nas comunidades onde existem Multichines 28 navegando.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 28


Curruira 42 Agenores Parte II

E a Curruira 42 Agenores finalmente saiu por aí. Ela partiu de Ubatuba na semana do Rio Boat Show, em sua viagem de entrega tendo como primeiro destino a Bahia de Guanabara, e a meta final Maraú, a paradisíaca localidade situada na Baia de Camamú, no litoral baiano.

A bordo estava seu dono, Nico Araújo e seus dois filhos, Felipe e Nicolau. Flávio Antônio Rodrigues, o fabricante da Agenores, www.flab.com.br, também participou desta primeira perna, igualmente levando seus dois filhos, Ivan e Raul. Finalmente fazia parte da tripulação o experiente marinheiro profissional Ricardo.

A proa da Agenores deflete a espuma da onda para fora

A viagem levou vinte e duas horas de navegação com ventos de través e de proa, experimentando diversas condições de mar, quando a Curruira 42 teve oportunidade de revelar como realmente navega.

Nas vésperas da partida aconteceu um forte temporal que castigou todo o litoral sueste, tendo assolado a região costeira da cidade do Rio de Janeiro com tanta intensidade que surfistas deslizavam em ondas gigantescas dentro da Baía de Guanabara, onde normalmente a garotada da classe Optmist faz suas regatinhas. (Os surfistas pegando essas ondas onde o mar é sempre um lago foi motivo de reportagens nos tele-jornais do dia). A ressaca foi tão violenta que obrigou o Rio Boat Show a ser adiado por dois dias devido aos grandes estragos causados pela tempestade nos piers da Marina da Glória, onde se realizou o evento.

A Agenores apontou sua proa ainda virgem em direção ao mar aberto assim que a tempestade começou a abater, e daí em diante foi mostrando para uma tripulação bastante ansiosa por conhecer, como ela realmente navega.

Um resumo do desempenho da Agenores durante o trajeto enviado por Flávio deixou a nós do escritório B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) bastante contentes, pois praticamente coincidiu com os dados fornecidos pelo programa de previsão de velocidade que Luis Gouveia tinha rodado para o casco.

Os dados que Flávio nos passou são bastante significativos:

A 1500 giros com ventos fracos de proa a velocidade foi de 6.5 nós. Com ventos fortes de proa essa velocidade caiu para 5.7 nós.

Nas mesmas condições de ventos, com o motor rodando a 2000 giros as velocidades foram de 7.8 nós e 7.1 nós respectivamente.

A 2 800 giros, ainda abaixo das 3300 rotações máximas, a velocidade alcançou 9.4 nós e 8.7 nós, o que conferiu com nosso gráfico exposto no home-page da Curruira 42.

Flavio Rodrigues considerou o comportamento do casco excelente em todas as condições que enfrentou no percurso, achando a passagem do casco pelo mar bastante suave. O agradável vídeo filmado por Ivan conta bem como foi esse primeiro teste.

Clique aqui para saber mais sobre o Curruira 42


Curruira 42 Agenores. Primeira parte

É impressionante como ultimamente vem crescendo o mercado de trawlers de recreio no Brasil e no exterior. Parece que muitas pessoas descobriram ao mesmo tempo o encanto de possuir uma embarcação desse tipo para ser seu pequeno navio particular, onde possam se instalar com muito sossego e cercadas por todo conforto.  

Nós do escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design na Austrália) não poderíamos ficar por fora desse mercado, e há um bom tempo iniciamos nossas pesquisas em busca de alguma coisa interessante nesse segmento.

Curruira vista de lado

Sempre que desenvolvemos um projeto, em primeiro lugar fazemos uma definição conceitual do que desejamos realizar e imaginamos para que perfil de pessoas esse projeto deva se destinar. É sabido que o grande interesse por barcos de deslocamento a motor é a facilidade de serem conduzidos por pessoas de qualquer idade, e também pelo seu baixo consumo de combustível. O fato é que cada vez mais nosso escritório é procurado para esse tipo de projeto.

Curruíra vista de popa

Em vista desta procura decidimos projetar a Curruira 42. Estávamos pensando no mercado de trawlers de porte médio, ainda relativamente baratos, mas que já proporcionassem suficiente conforto para serem habitados por uma pequena família, e foi exatamente para esse público que dedicamos o projeto.

Tão logo o trabalho foi concluído fizemos uma venda para o médico carioca Nico Araújo, que desejava possuir um barco para passar a maior parte de seu tempo a bordo, navegando pelo litoral da Bahia, particularmente na região de Camamú, onde possui residência.

Nico de camisa azul, Flávio de camisa amarela  e amigo

Naquela época estava em inícios de atividades o Estaleiro Flab, www.flab.com.br, de Campinas, Estado de São Paulo, que já havia construído com muita competência pelo mesmo processo ply-glass especificado para a Curruira 42, um veleiro de nosso projeto, e por essa qualificação recomendamos ao nosso cliente que o procurasse.
Fomos felizes na indicação, como poderão constatar a seguir:

A Curruira 42 Agenores, primeiro barco da classe a ficar pronto, foi entregue em março de 2010 pelo Estaleiro Flab, de Flavio Antônio Rodrigues, tendo sido transportada de carreta de Campinas para Ubatuba, local de seu lançamento.

Foram vários anos de trabalho e dedicação por parte do estaleiro, que sem dúvida construiu um belo barco. São poucos os construtores que têm um acabamento tão esmerado como o que Flávio imprime em suas construções. Alguns detalhes da construção, para felicidade de nosso cliente, são verdadeiras obras de arte. Fazer um naviozinho com estrutura de madeira coberta com compensado naval e revestida com fibra de vidro saturado com resina epóxi não é trabalho para qualquer um realizar, sendo necessária uma equipe bastante competente para dar conta do recado.

Casco sendo revestido de compensado

O casco no sistema ply-glass é construído sobre uma estrutura de cavernas e longarinas de madeira cobertas por compensado naval e em seguida tudo isso é revestido com uma grossa camada de laminação de fibra de vidro saturada com resina epóxi. O resultado é um casco forte e relativamente leve, de grande durabilidade.

A Curruira 42 possui um amplo salão no nível do convés onde está a cozinha, a área social do barco e o departamento de pilotagem. No andar inferior, já dentro do casco, estão as cabines de pernoite. No projeto original desenhamos dois layouts para essas acomodações, um com um camarote muito amplo e outro menor, para um casal se instalar residencialmente, com uma outra cabine menor para convidados eventuais, e outra versão com três cabines e dois banheiros, para famílias mais numerosas.

Camarote do proprietário

Nosso cliente optou pelo layout para menos pessoas e suas acomodações ficaram bem amplas e confortáveis. No salão superior o arranjo interno foi decidido pelo estaleiro e difere do nosso projeto. No todo o barco ficou muito bonito e bem acabado.

Salão da Agenores

Um departamento do barco que ficou um espetáculo à parte foi sua sala de máquinas. Nesse ponto Flavio, um apaixonado por reformar carros antigos, tendo desafios mecânicos fazendo parte de seu DNA, esbanjou competência e esse compartimento ficou uma coisa de cinema. Nico também colaborou simplificando as coisas, pois optou por um só motor, deixando espaço de sobra para todas as instalações e uma capacidade de água e combustível de dar inveja a qualquer lancheiro.

Casa de máquinas

Durante a construção houve duas ocasiões para comemorar: a virada do casco (ver em Todas as Notícias: Festa da virada do casco da Curruira 42 construída pelo Estaleiro Flab)  e em março, a grande festa da entrega formal do barco concluído.

A saída do barco do estaleiro foi filmada por um aeromodelo com câmera e as imagens aéreas ficaram excelentes. A carreta teve que percorrer uma estrada vicinal de terra até atingir a pista asfaltada, o que gerou uma boa dose de adrenalina, mas daí em diante tudo correu tranqüilo até a chegada em Ubatuba.

Clique aqui para saber mais sobre a Currura 42


Kiribati 36 Green Nomad – Últimas novidades da construção

Caros amigos e leitores do site,
No dia 16 de Março, com a operação de içamento do mastro, o Green Nomad já começou a tomar o seu aspecto final.

O Green Nomad em Porto Alegre, no Clube dos Jangadeiros

Para nós, comemoramos muitas coisas. 14 anos casados e 14 anos se passaram desde outro içamento de mastro, o do nosso primeiro Green Nomad, realizado no ICRJ em 1996.

Em 1996 o içamento do mastro do primeiro Green Nomad

Desta vez contamos com a ajuda de toda a turma que trabalha nas oficinas do clube dos Jangadeiros em Porto Alegre, além da dos funcionários do clube.

A turma de amigos do Clube dos Jangadeiros nos ajudando a mover o mastro

Nós ainda tentamos fingir que estávamos ajudando a carregar o mastro, mas com a estatura uns 15 cm menor do que a do mais baixo dos nossos amigos, nem isso dava para fazer. Mas os cavaletes nós levamos.

Daí para a frente fomos somente nós dois e Jorge e Éder, operando o guincho, e em menos de meia hora o mastro estava em cima e firme. Havíamos preparado todos os estais de força, os brandais de tope e o estai de proa interno, de modo que assim o mastro já ficou seguro.

Mastro estaiado, hora do teste para tirar o cabo do guincho. É preciso confiar no próprio trabalho!

Durante o carnaval ficamos morando com o barco em seco, fazendo a primeira pintura anti-incrustrante e também o anti-derrapante do convés.

O anti-derrapante de convés começa a tomar forma

Nomeado finalmente!

Quilha a meio curso, pois a vaga mais próxima da área de trabalho não tem profundidade para a mesma toda abaixada.

O interior do barco está praticamente pronto, faltando apenas colocar algumas molduras em torno das gaiútas.
Por enquanto ficaremos com estofamentos improvisados. Os detalhes só iráo sendo acabados quando já estivermos navegando ( no outro barco alguns detalhes ficaram para serem feitos pelo dono seguinte ).

O sistema de içamento manual da quilha

Últimos painéis de forração vão para o lugar

Uma cozinha com vista para o mar

Moqueca da Marli, já falada em Porto Alegre

Vamos ainda ter mais umas semanas de trabalho antes de poder começar a levar o Green Nomad para o norte. Gostamos muito do sul, mas o frio não é nosso ambiente. Vamos ter muita saudade dos amigos que vão ficar, mas esse é um fato inevitável na vida dos nômades.

Clique aqui para saber mais sobre o Kiribati 36.


Samoa 34 Biruta

Sempre acreditamos que, independente de quanto irá custar, um veleiro de cruzeiro feito para se morar a bordo e navegar com ele em viagens prolongadas não deve ser nem muito grande nem muito pequeno. Se o barco for muito grande, você pode se tornar um escravo dele, muitas vezes dependendo de ajuda de outras pessoas para operá-lo com segurança, além de ter que arcar com um custo alto de manutenção e muito trabalho a realizar. Por outro lado, se o barco for muito pequeno, fica mais difícil de estocar a bordo tudo o que se precisa para viver a bordo por períodos mais longos.  

O Samoa 34 é um bom exemplo de barco que fica exatamente dentro destes limites. Não é por acaso que a classe é tão popular entre nossos clientes que adquiriram esse projeto (veja em “todas as notícias” e em “clube” as várias matérias que já publicamos sobre ele). Para seus donos o Samoa 34 é o tamanho certo de barco para uma pequena família morar a bordo. Além disso, eles costumam rir com desdém quando comparam seus barcos com outros de mesmo tamanho construídos em série. Eles acham o Samoa 34 muito mais robusto, mais fácil de velejar com tripulação reduzida e mais fácil de ser mantido por não ter lugares de difícil acesso internamente. De um modo geral ele é mais confortável do que a maioria dos outros veleiros de trinta e quatro pés, graças ao seu total aproveitamento interno, da caixa da âncora ao espelho de popa.

Um bom exemplo de Samoa 34 que esbanja qualidade é o veleiro Biruta, inicialmente chamado Libertad. Esse barco foi construído sob encomenda estritamente dentro das especificações do nosso escritório pelo Estaleiro Franzen: www.estaleirofranzen.com.br. Nosso cliente inicial é um fazendeiro paranaense que mora muito distante do mar e tem seu tempo a prêmio. Por isso descobriu que, apesar de gostar de cruzeiro à vela, praticar esse esporte não era compatível com sua realidade. Por essa razão decidiu vender o barco que fizera com tanto esmero e dedicação.

O salão do Biruta mostra bem o aconchego que um interior de madeira envernizada proporciona ao ambiente.

O novo proprietário, Celso dos Santos, já era nosso cliente, uma vez que comprara os planos do veleiro metálico MC34/36. No entanto, quando descobriu que estava à venda um veleiro de tamanho quase idêntico prontinho para navegar, não resistiu à tentação e o adquiriu, rebatizando-o de Biruta.

A mesa de navegação do Samoa 34 possui um grande armário de cartas sob o tampo.

Que ele fez um bom negócio, sobre isso não resta a menor dúvida. Não é toda hora que se encontra um barco novinho em folha, construído por profissional de alto nível e tão bem equipado à venda no mercado. Nessas ocasiões a pessoa tem que ser rápida, senão irá descobrir, logo, logo, que o barco já tem um novo dono.

Agora Celso está livre para fazer com o Biruta o que bem entender, e com certeza já está curtindo bastante sua nova aquisição. Dê uma olhada no vídeo tirado por outro barco que o encontrou em uma de suas últimas saídas e observe como o Biruta parece estar solto na água, velejando com muita desenvoltura. 

Clique aqui para saber mais sobre o Samoa 34.


Explorer 39 Caroll pronto para velejar

Nesse mês de março tivemos uma importante inauguração. O primeiro Explorer 39 finalmente foi despachado da fábrica em Cabo Frio, Estaleiro Estrutural – marcosdelamare@hotmail.com, para o Iate Clube Rio de Janeiro. Essa entrega estava sendo ansiosamente esperada, por nós do escritório Roberto Barros Yacht Design, (B & G Yacht Design na Austrália) e, com certeza, muito mais ainda por seu proprietário, Raimundo Nascimento. De nossa parte a ansiedade ficou principalmente por conta do fato de que esse barco é o mais sofisticado projeto de estoque de nossa linha de veleiros para cruzeiro oceânico e por estarmos supe-ligados em ver como irá se comportar nas condições para as quais o projetamos.

Caroll pronto para ser transportado. Teca artificial foi instalada em todo o convés,
proporcionando uma superfície antiderrapante de extrema beleza requerendo zero de manutenção.

Possuindo um casco que em nossa opinião é o estado da arte, dois lemes, quilha pivotante e uma mastreação simplificada para navegação com tripulação reduzida, o Explorer 39 é a nossa aposta para oferecer ao velejador de cruzeiro um iate de calado regulável capaz de realizar os mais ambiciosos planos de cruzeiro à vela. Imaginamos o Explorer 39 sendo empregado em lugares onde a variação de maré seja expressiva ou entrando em refúgios inaccessíveis aos veleiros de quilha fixa.

Caroll, o primeiro Explorer 39 a ficar pronto, foi um barco construído com uma qualidade impressionante. Sendo de construção sanduíche com espuma de PVC, ele é leve e muito rígido. Nunca perdendo a referência de que deveria ser leve, mas para embelezar o seu visual, o proprietário decidiu aplicar teca artificial em todo o convés, dessa forma obtendo um antiderrapante perfeito, que não requer manutenção, e que é leve e muito lindo. O barco foi equipado com equipamentos tope de linha, tais como gerador auxiliar Fisher Panda, dessalinizador, rádio SSB e equipamentos eletrônicos de navegação de última geração. 

Último dia dentro do galpão onde o barco foi construído. Importante: a quilha pivotante já está instalada

A quilha pivotante do Caroll é içada por intermédio de um macaco hidráulico acionado por uma bomba acoplada a um motor elétrico de 12 volts, possuindo ainda uma possibilidade de acionamento manual de emergência. O pistão é conectado à quilha por meio de dois cabos de spectra dimensionados com um coeficiente de segurança tal que se numa remotíssima hipótese um desses cabos partir, o sistema continuará operando, apenas um pouco precariamente, com um só cabo.

Em dezembro de 2009 Luis Gouveia voou de Cingapura ao Brasil para passar o natal com a família e nessa oportunidade aproveitou para fazer uma visita ao Caroll. Na foto estava inspecionando o mecanismo de içamento dentro da caixa da quilha.

 O fator mais importante para a instalação de cabos de spectra é permitir que a quilha possa subir sem encontrar resistência em caso de uma colisão acidental com um obstáculo. Também é importante saber que todo o mecanismo de içamento está fora da água, sem risco de se estragar.

Com a quilha já instalada, Caroll está pronto para iniciar a viagem com destino ao Rio de Janeiro

Uma característica do modelo que ficou bem evidente é de como o Explorer 39 é fácil de ser transportado por terra. Possuindo uma boca moderada e sendo bem baixo ele pode ser levado por estradas sem dificuldade. A viagem entre Cabo Frio e o Iate Clube do Rio de Janeiro ocorreu sem o menor incidente. A pergunta mais ouvida quando o motorista já se preparava para partir era se a quilha iria ser instalada quando o barco chegasse ao destino!

Os instrumentos instalados na mesa de navegação têm repetidores no cockpit.
O fato de estar instalada na transversal foi uma escolha de nosso cliente

Raimundo fez algumas alterações interessantes. Uma delas foi colocar a mesa de navegação com o navegador virado para a proa. A solução dele tem vantagens e desvantagens, mas o melhor de tudo é que conseguiu um bom lugar para instalar o dessalinizador, exatamente no armário na parte da frente em baixo do tampo da mesa.     

Caroll estacionado no pátio do Iate Clube do Rio de Janeiro. Darke de Mattos, o de camisa branca,
foi colaborador na elaboração do projeto.

Quando o barco chegou ao clube, a novidade logo se espalhou. Como quase ninguém sabia sobre a existência desse modelo, a curiosidade foi grande. Tão logo a notícia correu que tinha chegado um barco novo não possuindo quilha fixa, as pessoas começaram a aparecer no pátio, e o pobre do Marcos Toledo mal conseguia trabalhar nos últimos ajustes que ainda teria que fazer antes da colocação na água, tantas as perguntas que tinha que responder.

Detalhes do convés e da cabine. O Estaleiro Estrutural tomou o maior cuidado na instalação da
teca artificial. Quem não sabe jura que é teca mesmo.

O Explorer 39 foi projetado para navegar com tripulação reduzida. Para isso é leve e rígido, sendo construído com materiais compósitos. Sua área vélica é moderada e a buja de estai de meio é auto-cambante. Nosso cliente, além do piloto automático, adquiriu um leme de vento da marca Áries. O guincho da âncora e as catracas do cockpit são elétricos. Desta forma ele se sente seguro de que poderá navegar sozinho quando desejar, sem precisar de ajuda de ninguém.

Agradecimentos: Nós da Roberto Barros Yacht Design somos particularmente gratos a três pessoas:
Ao Darke de Mattos por sua valiosa colaboração no desenvolvimento do projeto. Darke foi proprietário da escuna Atrevida na juventude, correu como navegador inúmeras regatas oceânicas, tais como Buenos Aires/Rio de Janeiro e Regata das Bermudas, e agora, como um marinheiro experiente ajudou a projetar o veleiro de cruzeiro para o dia de amanhã. O barco ficou sendo basicamente o projeto que ele tinha concebido.
Marcos Toledo por sua competência em construir esse super-veleiro. Um barco que ficou tão bem feito que honraria o stand de qualquer estaleiro renomado em qualquer dos mais prestigiados salões náuticos internacionais
Raimundo Nascimento por sua confiança em nossa capacidade e por ter escolhido o Explorer 39 como seu barco definitivo. Também ficamos gratos a ele pelo empenho em fazer um barco tão bem-feito.

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Samoa 34 Zait. Um veleiro madeira/epóxi

Zait, um dos mais lindos veleiros já construídos a partir de nosso projeto Samoa 34, finalmente teve sua velejada inaugural oficial. Nosso amigo e cliente Daniel Sequerra nos enviou um e-mail contando o acontecimento, assim como um pouquinho da sua história, e também de seus novos planos:

 

Querido amigo Cabinho, 
Acho que vou fazer um histórico resumido do Zait para que seja um incentivo a loucos como eu. 
Meu primeiro contato com vocês foi no dia 17/8/2004 através de um e-mail com todas as perguntas possíveis e imaginárias sobre os diversos projetos e materiais de construção.

 Diana e eu estávamos em dúvida entre o Samoa 34 e o Samoa 36, mas já tínhamos absoluta certeza de duas coisas:

      1)       Seria construído pelo Flávio Rodrigues: www.flab.com.br

      2)       Que seria feito em madeira/epóxi

No dia 20/1/2005 efetuei o primeiro pagamento para a compra de madeiras ao Flávio e portanto estava decidido a “geração” de um Samoa 34.

Não há como dizer que Diana e eu somos pessoas totalmente normais, pois estávamos terminando a construção de uma casa que custou mais do dobro do valor inicial, planejando nosso casamento com direito a lua de mel e tudo mais (isso tudo por nossa conta ou melhor ... pra fora da nossa conta!) e nos metemos na construção de um barco que acabou custando 5 ou 6 vezes mais do que o planejado inicialmente. 

Claro que as finanças foram para o beleléu e até hoje ando as voltas com negociações e renegociações com os bancos por uso abusivo de cheques especiais e cartões de crédito. Mas um dia isso passa! 

Bem, vários anos se passaram, muitas mudanças foram feitas no projeto original e luxos abusivos foram incluídos no pobre do Zait, como ar condicionado, 2 geladeiras e 1 freezer elétricos, boiler, eletrônicos de última geração, holding tank (pois a Diana como bióloga jamais admitiria sujar uma baía ou um lugar cheio de banhistas, apesar de que 99% dos donos dos outros barcos estão se lixando para isso e não se incomodam de nadar lado a lado com o côcô do barco vizinho), guincho elétrico e todo o convés de teka.

O barco foi colocado na água na Marina Kauai em maio de 2009, mas na verdade só dei o barco por totalmente terminado no dia 6/2/2010. Ou seja, podemos dizer que entre escolher o projeto e tê-lo totalmente pronto demoramos cinco anos e meio. Nesse tempinho, Diana e eu nos casamos, tivemos a Deborah, depois o Nathan e a grande surpresa de ter a minha filha mais velha Helena vindo morar conosco.

 

Não deixei de velejar o Zait mesmo antes de estar 100% pronto. A viagem inaugural foi de Ubatuba ao Rio com mar agitado. Depois fizemos uma tentativa de levar o barco para Angra para fazer a parte de instalação do bímini e outros detalhes de acabamento, mas chegando em frente a praia de São Conrado fomos pegos por um sudoeste de 32 nós e mar grosso. Resolvemos voltar, mas não por qualquer falta de segurança ou confiança no Zait, mas sim pela nossa condição física que não se pode dizer que seja a ideal para enfrentar paulada por mais de 12 horas. Numa nova tentativa, fomos tranquilos até Bracuhy, e depois a Almada onde o Flávio tem uma casa paradisíaca.

 

A volta de Almada para o Rio foi novamente de paulada, mas desta vez fomos em frente e o Zait parecia que estava num mar de tranqüilidade, enquanto Miguel (meu sogro e grande companheiro de velejadas) e eu estávamos encharcados de tanta chuva que caía.

Ainda fui entre o Natal e o Reveillon a Cabo Frio e Búzios e depois desse passeio foi a tal inauguração com a Diana levando o barco para a sub-sede do ICRJ em Angra. 

É verdade que meu barco ficou um pouquinho pesado (exatos 8.000 quilos), mas anda muito bem, especialmente no través. Mas o que impressiona mesmo é a segurança do barco. Com todas as pauleiras que levamos, jamais caiu uma única gota de água salgada no cockpit. Aliás, acho muito interessante quando a proa do barco (finge) afundar, pois chega a um determinado momento em que tenho a sensação que existe uma mola que empurra a proa para cima com violência e isso dá uma segurança e conforto impares. Isso porque tenho um gurupés que deve pesar mais de 80 kilos, uma âncora de 15 kilos, 20 metros de corrente, um guincho elétrico que também é pesado pra burro e guardado sob a cama de proa tenho ainda a âncora reserva e mais 40 metros de corrente. Ou seja, a tal mola é muito, mas muito forte mesmo ... 

Um comentário interessante feito pelo Joabe, que é talvez um dos melhores pintores do ICRJ sobre o Zait (tive que subir a linha d’água por causa da poluição absurda da Baia de Guanabara). Ele disse que o Zait foi construído “a antiga” que quer dizer que não foram poupados nem materiais nem capricho nem tutu para construir o barco. Ficou admirado com a fortíssima estrutura do barco. A turma da equipe dele me disse para ter cuidado com as lajes, pois certamente o Zait seria capaz de quebrá-las sem sofrer um único arranhão! 

Tenho feito meus planos e tido meus sonhos de viagens com o meu querido barco (parece que ele tem alma e acho que essa sensação é porque é feito de madeira) mas por motivos profissionais estou tendo que adiá-los por um tempo. Por outro lado, a família cresceu e esse aumento populacional incrementa ainda mais esse crescimento, pois começam a vir os amigos e namorados e o barco vai ficando pequeno. Aliás, tenho um agradecimento público a fazer à minha filha Helena que combinou comigo de me acompanhar de Cabo Frio ao Rio com 3 amigos que me ajudariam. Os 3 amigos chegaram a sub-sede do ICRJ de madrugada e a minha querida filha fez o favor de dopá-los com Dramim. Não é necessário dizer que os três galalaus vieram dormindo o tempo todo e o boneco aqui trabalhando sem parar. 

Apesar de todo o amor, carinho e cuidado que tenho com meu barco, (minha mulher diz que é a minha “outra” família), estou me vendo um pouco pressionado pelo aumento famíliar para ir para um barco maior, pois o Zait repentinamente ficou apertado para tanta gente. Com essa possibilidade levantada, o Flávio já não atende mais o telefone e se esconde de mim como Drácula foge do alho, pois acho que ele não aguenta mais aturar um maluco que transformou um 34 pés num ... 34 pés com tudo que tem dentro de um 60 pés. O Cabinho vai saber dessa idéia ao ler este histórico e tenho a impressão que também vai fugir. O Luis é o único que não vai fugir, pois já fugiu faz tempo e está bem longe de mim.  

Enfim, alguém há de querer comprar um verdadeiro Rolls Royce dos mares e haverá neste mundo alguém que me ajude a convencer meu projetista e meu construtor favoritos a me receberem e criarem mais uma jóia sem igual. 

Escrito em 24 de fevereiro de 2010 por Daniel Sequerra.

Contato: daniel@veleirozait.com.br

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Multichine 28 Ayty é muito lindo

A classe MC28 deve ter alguma coisa muito especial para que seja a escolhida por tanta gente como o barco de suas vidas. As razões para isso podem ser várias, mas provavelmente a mais importante seja a confiança que o projeto transmite de que é possível para uma pequena família viver a bordo ou fazer cruzeiros oceânicos com muita segurança.

Esse foi o caso do engenheiro eletrônico Arapoan Fernandes. Possuindo um cargo importante numa multinacional estabelecida no Silicon Valley, e também sendo um apaixonado pelo mar, mesmo tendo podido construir um barco maior, escolheu o Multichine 28 como seu barco definitivo. Arapoan tem uma afinidade conosco em acreditar que um barco de cruzeiro com pé direito adequado (1.85m) e espaço suficiente para que uma pequena família possa viver a bordo, mesmo sendo um veleiro de 28 pés, (na realidade o MC 28 mede 9.20m, o que é mais do que trinta pés, sendo a medida de 8.60m a distância do bico de proa até o eixo do leme, sem contar a plataforma de popa), esse barco pode até ser mais adequado para fazer viagens oceânicas do que um outro maior, que, sem dúvida, irá requerer maior trabalho de manutenção.

Nós do escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design na Austrália) nos tornamos bons amigos de sua família desde a aquisição dos planos, e de lá para cá nossa amizade só tem aumentado, e é por isso que conhecemos bem a parte náutica da história da família Fernandes.

Quando os conhecemos, os Fernandes só tinham um filho adolescente, e seu plano era então construir o MC28 e viajar com ele para a Nova Zelândia, onde a família gostaria de se estabelecer. Arapoan enviou seu currículo para a conhecida empresa de eletrônica neozelandesa Navman, e logo em seguida recebeu um convite para trabalhar lá, o que garantiria a sobrevivência da família. No entanto a cegonha preparava uma surpresa para eles, a garotinha que está olhando pela gaiuta de proa. Agora com o filho mais velho já cursando a universidade, os Fernandes vão precisar de um bom tempo para planejar uma longa viagem oceânica, mas eles estão tão contentes com a nova tripulante e com o barco que o plano original no momento tem pouca importância.

Depois de adquirir os planos, Arapoan encomendou a obra a um estaleiro artesanal para construir o barco, mas tão logo a carpintaria bruta ficou concluída transportou a obra inacabada para um clube náutico, e, contratando um excelente marceneiro, fez o restante da obra sob sua administração direta com o máximo esmero. O resultado foi impressionante. O barco tornou-se uma obra de arte, principalmente porque cada envolvido na empreitada se concentrou em fazer sua parte em grande estilo. Val, a esposa de Arapoan, é arquiteta, e foi ela a responsável pela decoração interna, para a qual escolheu, muito apropriadamente, adotar um estilo alegre, bem tropical. O marceneiro deu um verdadeiro show de bola ao fazer uns acabamentos de alta classe no mobiliário, e Arapoan, como era de se esperar, com a colaboração de Roberto Shultz, um excelente profissional de instalações elétricas em iates, fez um sistema elétrico/eletrônico de dar água na boca.

Agora o barco já está na água há três anos, mas para quem não sabe, vendo-o, pensa que foi inaugurado ontem. Sem dúvida Ayty é a menina dos olhos de Arapoan, e, para ele, possuir esse veleiro é a melhor válvula de escape que poderia encontrar para compensar seu árduo trabalho profissional.

Quando você sinceramente acredita que um veleiro não necessita ser excessivamente grande para levá-lo aos mais longínquos lugares, ou viver feliz dentro dele, tudo fica bem mais fácil para seu lado. Para nosso amigo obter o mais alto padrão de qualidade ao construir seu barco foi a maior moleza, pois o gasto representou somente uma pequena parte de seu patrimônio. Isso o permitiu adquirir os melhores equipamentos, independentemente de preço, valendo mais a qualidade e confiabilidade.

Como o casal gosta de cozinhar, é compreensível que tenham especialmente apreciado o conforto que a cozinha do Ayty proporciona. Tendo fogão com forno, geladeira, uma bancada de dimensões para ninguém botar defeito, com duas pias, um poço para estiva acessível por cima, lixeira, e um espaço considerável dentro de armários para guardar mantimentos e utensílios de cozinha, não é de se admirar que se sintam em casa quando trabalhando ali.

Para Arapoan a mesa de navegação e rádio-comunicação é uma importante área de trabalho. No MC 28 esse compartimento também é privilegiado, e nosso amigo se sente muito bem instalado quando utiliza essa área. O amplo armário de cartas náuticas sob o tampo da mesa é um lugar seguro e protegido para guardar seu note-book quando não está em uso, e a mesa é servida por duas anteparas com lugar de sobra para instalar todos os instrumentos desejados.

Mas para conquistar de verdade o coração da arquiteta da família o mais importante compartimento do barco teria que ser a cabine do proprietário. E isso, com um toque de bom gosto, ela conseguiu, sendo a cabine de popa a jóia do arranjo interno.No barco deles a cabine de popa é muito aconchegante, sendo bem ventilada, bem iluminada, e possuindo um isolamento térmico muito eficiente. Além disso, possui uma profusão de armários com volume para guardar os pertences da família com sobra. Finalmente uma cama de casal digna desse nome é mais um motivo para deixar os Fernandes orgulhosos com seu veleiro.

A entrada da cabine é outro lugar especial. Foi lá que instalamos o chart plotter no MC 28 Fiu, o barco da classe que construímos para uso de nossa família e que depois se tornou um ícone para outros construtores, acoplado à parede que separa essa entrada do banheiro. Esse lugar é perfeito para a instalação deste instrumento, pois ele tanto pode ser monitorado desde o degrau de entrada já dentro da cabine, quanto do assento do cockpit, tornando desnecessário um repetidor lá fora, além de deixar esse instrumento protegido das inclemências do clima, o que é um fator importante para sua durabilidade.

Como temos Multichines 28 sendo construídos nos mais diferentes lugares em quatro continentes, temos certeza que ao divulgar detalhes de barcos da classe que já estão prontos, detalhes esses que só podem ser integralmente apreciados por quem já está navegando, é o melhor incentivo que podemos oferecer à galera que ainda está construindo. Essas informações servem como vitamina para animá-los na construção, e as ilustrações ainda podem ajudar com alguma nova idéia.

Clique aqui para saber mais sobre a classe Multichine 28.


Caldeiraria do primeiro Multichine 41 SK feito em alumínio pronta em tempo recorde.

Já está pronta a caldeiraria da primeira unidade do Multichine 41 SK construído em alumínio pelo estaleiro Ilha Sul construções Náuticas ( http://www.ilhasulnauticas.com.br ), de Porto Alegre, RS.



O MC 41 SK fechado, pronto para o acabamento interno.

A tarefa foi completada em menos de 3 mêses de trabalho se se descontar o tempo em que o estaleiro mudou de instalações. Isso mesmo, o barco chegou a ter todas as seções montadas no picadeiro na localização original do estaleiro, em Barra do Ribeiro, e tudo foi desmontado e re-alinhado no picadeiro em Porto Alegre, e ainda assim a obra conseguiu ficar pronta em tempo recorde para um modelo metálico de nossa linha.



As duas montagens das seções no picadeiro.

O uso de 100% de corte CNC para a estrutura metálica possibilitou que se alcançasse tal velocidade e ao mesmo tempo um resultado da mais alta qualidade.



Assentando a primeira chapa de fundo

Este veleiro de grande conforto e baixo calado deverá estar navegando já na metade do ano.

Nosso cliente tem visitado a obra frequentemente e se diz muito satisfeito com sua decisão de investir num casco de alumínio e por ter podido contar com um projeto de última geração modelado em 3D, o que está possibilitando a realização de seu sonho num prazo que nem ele acreditava possível.



Dia da virada, sempre uma grande emoção 

Uma grande vantagem da construção em alumínio é que se pode passar diretamente da caldeiraria à fase de acabamento interno, sem necessidade de passar pelo penoso e dispendioso processo de jateamento abrasivo e pintura, e por isso mesmo o primeiro casco deve flutuar num futuro próximo.



Vista da caixa da quilha retrátil. A divisão para o banheiro e cabine de proa podem ser vista acima.

O porte do Multichine 41 SK permite que uma família com filhos faça longos cruzeiros ou até mesmo que se mude definitivamente para bordo, passando a ter uma moradia compacta e portável.

A nova geração de projetos de monocascos com quilha retrátil está abrindo um leque de destinos e ancoragens antes reservados aos catamarans e outros embarcações de baixo calado, além de aumentar a segurança do navegador, permitindo que entre em abrigos de furacão e passes complicados sem depender de marés.



O MC 41 SK e outros modelos de quilha retrátil da nossa linha poderão fazer companhia a este catamaran,
visto aqui na baía de Gadji, Ile des Pins, em Nova Caledônia.

Para saber mais sobre o Multichine 41 SK , Clique aqui.


Multichine 28 Access no Caribe

Flávio Bezerra é o navegador que mais longe já foi com um veleiro da classe MC 28.

Há três anos ele se aventura pelo Caribe, de vez em quando fazendo uma entrega de barco para a Europa  para faturar uma grana. Nós do escritório, que construímos o catamarã Bora-Bora 28 Oa-Oa ao lado do barco dele, acabamos ficando grandes amigos e agora vibramos muito com os emails de dar água na boca que costuma nos passar. Pelo último que nos mandou dá para imaginar que ele está levando a vida que pediu a Deus e que está muito feliz com seu MC 28:

Opa Cabinho, que saudade de vocês. Como vai a família?
O delivery para o Brasil não foi possível, pena, pois além do barco ser um Beneteau de 20 anos de idade, os parafusos da quilha estavam podres, as gaiutas pulando fora, o quadrante do leme partido no meio, o estaiamento velho e enferrujado e daí por diante ... o dono do barco ainda me pediu para tirar a qualificação profissional de Yacht Master da British Royal Yacht Association e fiquei um mês na Inglaterra. Foi super legal cumprir com as exigências dos ingleses. Interessante eles cobrarem que você saiba velejar e manobrar barcos grandes sem o auxílio do motor, usar sextante para navegar por estrelas, etc. Falmouth é um lindo lugar e peguei por sorte um mês de setembro ensolarado, atípico somente para anos de El Nino. A amplitude da maré chega a nove metros e nos canais a navegação em neblina e com correnteza é super exigida. Os caras exigem que você saiba tudo, nada de média para passar, tipo 70% ou 80%. Se você não acertar tudo os caras perguntam de novo, mas não aprovam até responder certo. Confesso que é puxado e foi até emocionante. Mesmo assim os donos do barco resolveram cancelar o delivery. Sabe lá, de repente dei sorte, preferia mil oceanos com meu Access que atravessar novamente o Atlântico num Beneteau. Agora eu entendo como nossos amigos que usam fazer isso se sentem e desabafam às vezes.

O Multichine 28 Access pouco após sua chegada ao Caribe. Agora o barco já está repintado e parecendo novo em folha. Flávio é um velejador fantástico. Ele foi do Rio de Janeiro até o Caribe em solitário, sem motor auxiliar, piloto automático, ou leme de vento. O barco dele é um dos mais bem construídos da classe. 

Eu acabo de chegar após 24 horas de velejada de St. Maarten para Antigua, contra o vento de 32 knots, às vezes 40, ondas de 3 m, mas o barquinho continua o mesmo e funcionando super bem. O leme grande dá sempre estabilidade, acredite ou não, posso lhe dizer que ainda não tenho piloto automático ou leme de vento, alguns cabos e elásticos na cana e é tudo. O Caribe continua lindo. Água cristalina, sempre lindas praias e vento todos os dias para quem gosta de velejar, um paraíso da vela. Talvez por isso uma grande concentração de lindos veleiros vindos do mundo inteiro. Não vejo melhor lugar para se ter um veleiro. Tem loja para comprar tudo de barco e para quem é construtor naval sempre dá para fazer um trocado. Tem gente de todo lugar do mundo e você sabe, já esteve aqui antes né! A música caribenha e super animada e para quem gosta de mergulhar então... Bem, só para ficar perfeito precisava de uma namorada brasileira, mas tudo bem, nada é perfeito né?! A gente vai vivendo essa vidinha mais ou menos! Mande um grande abraço para toda a família que foi minha por 4 anos enquanto construía o Access. Obrigado por tudo e um bom natal para todos.
Abraços;
Flávio.

Flávio tem lugar cativo em nosso site. Os e-mails dele são de tão alto astral que sempre publicamos em nossas notícias, pois temos certeza de que sempre irão animar a galera que está construindo outros Multichines 28.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 28


Samoa 28 Sirius em Punta del Leste

O primeiro Samoa 28 a ficar pronto, o Sirius, de Daniel D’Angelo, continua dando demonstração de que é um barco veloz e marinheiro. Desta vez Daniel se aventurou pela primeira vez para fora do Rio da Prata, tendo participado da Regata Buquebus, que vai de Buenos Aires até Punta del Leste, no Uruguai. O e-mail que nos enviou conta suas últimas navegadas: 

Oi Cabinho,
Há bom tempo que não escrevo para você!...O que aconteceu foi que desde que voltei para casa não parei de velejar com o Sirius.
Como tinha te falado antes, entrei naquela regata das 100 milhas do Rio de La Plata, junto com dois amigos. A largada foi embaixo duma tempestade com vento acima de 32 nós e chuva...uma beleza para o Sirius que logo em seguida, mesmo partindo muito mal, começamos a ultrapassar barcos que tinham saído uns 20 minutos antes. As duas primeiras pernas foram na orça e conseguimos chegar até a terceira colocação da serie, mas virando a ultima bóia  (lá no Uruguai) o vento rolou e enfraqueceu, permitindo ir em popa, coisa que para nosso gennaker não foi nada bom. Acabamos a regata na sexta posição, tendo desistido por causa do mal tempo mais da metade da frota, incluindo um barco afundado.

O Sirius navegando com o novo gennaker navegando no Rio da Prata

Chegando em Buenos Aires o vento sumiu de vez e ficamos boiando 3 horas para concluir a regata...muito azar para nos!!
Quinze dias depois eu e um dos meus tripulantes nos inscrevemos na regata Buenos Aires - Punta del Este. O teste de mar estava prestes a ser feito finalmente!...Mais 180 milhas para a quilha do Sirius e para mim a experiência de velejar em dupla durante duas noites, no mar...muita coisa para um novato construtor amador!
O prognóstico era de ventos fracos, e como acostumado partimos muito mal, mas muito mal mesmo!!!...Formos os últimos em passar a raia!

A partida foi as 18hs da sexta 4 de dezembro e meia hora depois o vento começou aumentar até ficar na faixa dos 20 nós vindo do leste, ou seja de cara. Aí é que o Sirius começou a andar. Ao mesmo tempo a onda curta de nosso Rio de La Plata começou a crescer e o castigo aos barcos foi impiedoso. Muitos barcos começaram a desistir. Outros optaram por chegar perto da costa uruguaia. Nós ficamos do lado Argentino o que resultou ser a melhor escolha, embora as ondas foram do dobro do tamanho.

O Sirius orçava a seis nós com todo o pano acima, então tomamos a primeira forra de rizos e ali conseguimos melhorar a performance do barco subindo para 7 nós. A noite toda foi uma pauleira total, mas o barco aguentou muito bem e a gente também, mesmo dormindo muito pouco e comendo quase nada. Ao meio dia do sábado ficamos ao través de Montevideu e uma calmaria nos deixou boiando duas horas e meia. Ali, barcos mais leves e com mais pano começaram a se aproximar. Nos aproveitamos para preparar uma refeição e tentar descansar um pouco.

Começou a se estabelecer um vento sul muito frio que permitiu andar a 6 nós com uma forra de rizos, a qual foi tomada devido à proximidade da noite e ao prognóstico de tempestade. Como já estávamos perto do mar, as ondas eram mais amplas e mesmo ventando acima de 18 nós, dificilmente recebemos alguma borrifada de água.

Pela primeira vez consegui ver a fosforescência da água e as famosas noctilucas!!...show!!
As 5 horas da manha do domingo 6 de dezembro estávamos cruzando a chegada, felizes, muito cansados e famintos!! Velejar no mar é outro mundo!!!

Ficamos oitavos na serie e 28 na geral (total 15 barcos na serie e 57 barcos na geral).
Quando deixamos o barco na amarra de Punta del Este e tiramos fotos dele, rimos da comparação: a maioria tinha montes de roupas e colchonetes pendurados por tudo quanto é lado secando ao sol....no Sirius só tinha duas toalhas que usamosapós tomar banho!!

Samoa 28 Sirius em Punta del Leste

Amanha estamos saindo Carina, Florencia e eu para Punta del Este para fazer uma velejada de prazer por lá. Na sexta sai meu companheiro da regata Alberto para trazer o barco desde Montevideu para La Plata. As meninas voltam de barco de passageiros.
Enfim...nesses últimos 20 dias o Sirius fez mais milhas que em toda sua vida!!
Em anexo seguem algumas fotos antigas e uma em Punta del Este.
Abraços.
Daniel

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Boas Festas

Desejamos a todos os amigos e construtores de barcos da B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) um feliz Natal e que 2010 seja um ano pleno de realizações.

Nessa virada de ano estamos comemorando a consolidação de uma forma bastante expressiva nossa atuação no mercado internacional. Os projetos do escritório já estão sendo fabricados em mais de quarenta países e agora estamos nos acostumando a receber com regularidade informações sobre construção de nossos barcos nos mais diferentes lugares.

Como já é tradição, escolhemos doze fotos de nossos modelos em construção ou navegando, no Brasil e lá fora, mostrando algumas realizações importantes relacionadas ao nosso trabalho. Desta vez demos mais ênfase em mostrar pessoas do que simplesmente mostrar os barcos propriamente ditos. Afinal é para essa gente que confiou em nós que trabalhamos, não é verdade?

Como já dissemos em outras vezes, escolher doze barcos é uma tarefa complicada, mas como regularmente estamos colocando matérias novas sobre nossos construtores e proprietários, teremos chance de remediar as prováveis omissões do tipo daquelas que não têm desculpa. Boas festas para todos vocês, amigos e clientes!

JANEIRO – Pantanal 25 -  Maik Biela é um cidadão alemão residente em Santiago do Chile, onde recentemente inaugurou um estaleiro de construção de barcos sob encomenda. Seu primeiro ensaio nesta nova atividade foi construir um Pantanal 25 para uso próprio, o qual já deve estar praticamente concluído, pois essa foto com o casco já virado nos foi enviada há algum tempo. Esse barco deverá ser seu cartão de visitas, e, pelo que nos informou os primeiros pedidos já começaram a chegar.

Quando Maik inaugurar seu barco, pretendemos fazer uma reportagem sobre o lançamento e suas primeiras velejadas, uma homenagem à classe Pantanal 25, a que mais rapidamente está se expandindo no cenário nacional e internacional dentre todos os nossos projetos

FEVEREIRO – Multichine 28  - O americano Dave Cross (o mais à proa de boné branco), de Seattle, Estado de Washington, está construindo esse Multichine 28 com a intenção de participar de regatas locais na região de Puget Sound. Sua construção está muito bem feita e bastante aliviada no sentido de economizar peso ao máximo, pois, para sua turma, competição é coisa séria. Como na região predominam ventos fracos, desenhamos a seu pedido um plano vélico com mais área, que agora faz parte do pacote incluído no projeto. Embora o MC28 seja um barco assumidamente de cruzeiro, esperamos que com o casco bem aliviado, e com esse plano vélico especial, venha a ganhar uma razoável cota nas regatas locais.

MARÇO – Samoa 34 Zait – Esse Samoa 34 já está navegando e está estacionado no Iate Clube do Rio de Janeiro, sendo motivo de orgulho, não só por parte de seu proprietário, Daniel Sequerra, como também de seu construtor, Flavio Rodrigues, diretor dos Estaleiros Flab, de Campinas, São Paulo. Na foto Flavio está puxando “aquele” brilho na pintura do nome no costado. Daniel já experimentou seu barco em condições de tempo bastante adversas e o desempenho do Zait foi surpreendente, pois mal tomou conhecimento da tempestade. Estamos curiosos de saber quais serão os próximos passos do Zait. Sabemos que Daniel tem alguns planos...

ABRIL – Multichine 26C –  Omër Kirkal reside em Istambul, Turquia. Junto com sua esposa e ajudado por alguns amigos, está terminando a construção desse super-caprichado MC26C. Estamos aguardando ansiosos receber a notícia de que o barco já tenha sido lançado à água. Já temos outros veleiros navegando na região do Mar de Mármara, Mar Negro e Mediterrâneo, mas esse provavelmente deverá ser o primeiro MC26C a navegar, não só lá, mas em qualquer outro lugar, inclusive no Brasil. Desejamos ao casal Kirkal boas velejadas no ano de 2010.

MAIO – Multichine 34/36 Serenata – Essa foto é o sonho de consumo de muita gente. Ficar sentado sobre a cabine ao lado da mulher amada com o barco caminhando sozinho rumo à idílica ilha de Fernando de Noronha, navegando num mar azul marinho quase da cor do casco e vendo a proa cortar a água como se fosse uma flecha.

Marcelo Brasil, o proprietário do Serenata, é piloto de helicóptero e um apaixonado por aventura. O que ele está feliz com seu barco não está no gibi. Afinal, por aonde chega todos os olhos se voltam para seu barco, que é tão bonito por fora quanto por dentro.

JUNHO – Southern Voyager 38 Plaisirr  - Esse trawler metálico construído  por seu proprietário, o francês Philippe Lamoure é uma traineira de deslocamento de grande autonomia. Nela Philipe encontra bastante conforto para ele, sua família e convidados podendo realizar longas travessias sem precisar reabastecer.

Plaisirr, tanto quanto sabemos, é o primeiro barco da classe a navegar. Agradável como ficou, acreditamos que irá atrair o interesse de muita gente, pois considerando custo/benefício, ele é um bom investimento para o conforto que proporciona.

JULHO -  Samoa 34 Libertad – O primeiro morador deste Samoa 34 foi este esquilinho que encontrou nos cavacos de cedro com seu delicioso aroma o lugar ideal para fazer sua toca. Pena que tenha sido despejado quando o barco foi para a água e tivesse que esperar uma nova construção para refazer sua moradia. O Libertad foi construído pelos Estaleiros Franzen, de Curitiba, Paraná, um de nossos melhores construtores de barcos sob encomenda.

AGOSTO – Kiribati 36 Green Nomad – Luis Manuel Pinho e sua esposa Marli Werner estão curtindo uma das primeiras refeições a bordo com a presença de um casal de convidados e seu filho, isso acontecendo enquanto constroem o novo Green Nomad na cidade de Porto Alegre, RS.

Luis Manuel, um engenheiro metalurgista com grande talento para yacht design, foi convidado para fazer parte de nossa equipe e hoje é nosso especialista em arquivos para corte numérico. Nessa altura do campeonato, dezembro de 2009, o Green Nomad já está praticamente pronto, com partida programada para os primeiros meses de 2010, tendo como porta de entrada a Austrália, país do qual Luis e Marli são cidadãos e destino final o Pacífico com seus inúmeros paraísos. Mas até chegar lá muita água ainda irá passar por baixo da quilha do Green Nomad, que por sinal, sendo retrátil e pivotável, pode passar por lugares bem rasos. Aliás, o painel central da mesa de refeições é exatamente a caixa dessa quilha.

SETEMBRO – Samoa 34 Luthier – Dorival Gimenes, com a ajuda de sua esposa Catarina construiu no quintal de sua casa em Campinas, São Paulo, esse caprichadíssimo Samoa 34.

Quando o barco ficou pronto o casal Gimenes se mudou de mala e cuia para bordo, onde passou a residir permanentemente. Como barco não paga IPTU, resolveram subir a costa até Recife e participar da regata Recife - Fernando de Noronha de 2009, na qual foram os vencedores em sua classe, tendo ainda sido os fita-azul da categoria. Numa matéria recente em nossas notícias mostramos o casal Gimenes recebendo o prêmio pela vitória no pódio montado no galpão da festa de encerramento da regata, lá em Fernando de Noronha. Além de terem ficado bem contentes com o desempenho do barco, os Gimenes puderam constatar como é interessante a construção amadora quando se constrói com carinho e dedicação. 

OUTUBRO – Polar 65 Fraternidade – Aleixo Belov é um Ucraniano que escolheu a Bahia para viver uma vida sem pressa e muito bem vivida. Depois de dar três voltas ao mundo em solitário num veleiro de 40 pés, encomendou ao nosso escritório o projeto que denominamos Polar 65, com a intenção de realizar mais uma volta ao mundo, agora acompanhado por jovens cientistas. O sangue ucraniano, apesar dos muitos anos vividos nos trópicos, o seduz  a procurar as altas latitudes e os lugares mais inóspitos do planeta, para isso sendo o Fraternidade dotado de quilha retrátil pivotável, sendo capaz de entrar em abrigos inacessíveis a veleiros de quilha fixa, desta forma podendo se proteger muito melhor dos grandes ice-bergs, isso sem mencionar os inúmeros lugares que poderá explorar graças a seu calado reduzido.

O Fraternidade já fez os necessários testes de mar, e com tripulação já selecionada, está pronto para zarpar com destino aos lugares mais interessantes do nosso globo terrestre. Esse barco, imponente como ficou e com objetivos tão fora de série, com certeza irá aparecer em muitas capas de revista, e sua história irá correr mundo bem mais depressa do que a viagem propriamente dita. Boa sorte à turma que logo estará partindo, particularmente ao seu “jovem” capitão.

NOVEMBRO  - Pantanal 25 Dark Ice -  Nosso mais comentado projeto no ano de 2009 foi sem dúvida o Pantanal 25, em parte devido ao excepcional desempenho da primeira unidade a ficar pronta no Brasil, o Dark Ice de Jorge Intaschi, um velejador paulista que se apaixonou pelo projeto e construiu seu barco com a intenção de fabricá-lo em série.

Após vencer a maior parte das regatas em que participou, Jorge se associou ao Estaleiro Coopermarine, de Guarujá, Estado de São Paulo, para construir esse modelo em regime de cooperativa. A iniciativa foi tão bem sucedida que em pouco mais de três meses já existem dois barcos novos praticamente concluídos e um terceiro em fabricação. No ano de 2010 esperamos ver dezenas desses barcos sendo lançados ao mar e desejamos que o bom conceito que a classe já desfruta, aqui no Brasil e lá fora, faça do Pantanal 25 a primeira classe internacional nascida de um projeto brasileiro. Com o expressivo número de barcos sendo feitos aqui e no exterior esse desejo é bem provável que seja alcançado, e no Brasil, com o ritmo alucinante com que vem se desenvolvendo a produção da Coopermarine, com certeza a classe Pantanal 25 logo estará consagrada.  

DEZEMBRO – One-off Maitairoa – Esse barco tem história, e bota história nisso. Construído no início dos anos oitenta por Roberto Barros, o fundador do escritório B & G Yacht Design a partir de um projeto exclusivo desenvolvido pelo escritório, o Maitairoa foi totalmente fabricado no terreno de sua casa de campo, localizada em Itaipava, a quase mil metros de altitude, na Serra do Mar, região de Petrópolis. Quando o barco ficou pronto, Roberto Barros e família, junto com amigos, realizaram inesquecíveis aventuras, tendo atravessado o Atlântico Sul pelas latitudes dos roaring forties e depois viajado para regiões sub-antárticas, inclusive tendo passado por inesquecíveis aventuras no arquipélago das Falklands/Malvinas onde o Maitairoa sofreu um sério encalhe em uma praia deserta. Essas viagens foram narradas no livro, hoje um clássico da literatura náutica, “As Fantásticas Aventuras do Maitairoa, livro esse escrito por Roberto Barros em dupla com seu amigo e tripulante Roberto Allan Fuchs.

No início dos anos noventa o Maitairoa foi vendido para uma grande amiga de Roberto Barros, a argentina Sandra Sautu. Sandra, junto com Axel, seu marido francês, velejaram com o Maitairoa do Rio de Janeiro até Trieste no norte da Itália, quando de passagem pelas ilhas da Dalmácia conceberam  Calypso ( a que está sentada no lado de boreste) sendo o nome da filha uma homenagem à personagem da Odisséia.

Em seguida navegaram para Antibes, na Riviera Francesa, onde o barco está estacionado. Agora com o segundo filho já mais crescido, a tripulação estando completa, logo que o trabalho permitir, o Maitairoa deverá partir para outras aventuras.


Samoa 34 Arandu

 Desenhamos o Samoa 34, inicialmente Samoa 33, na década de noventa, quando o escritório ainda operava no centro da cidade do Rio De Janeiro.  Na época nossos campeões de vendas eram os projetos Samoa 29, hoje fora de linha, e Multichine 28, dois barcos fáceis e baratos de serem construídos por um amador, mas ao mesmo tempo capazes de proporcionar a possibilidade de até empreender uma volta ao mundo, se assim fosse desejado.

Isso aconteceu com o Samoa 29, com duas unidades que deram bem sucedidas voltas ao mundo em viagens fantásticas, na época, relatadas em nossas notícias no site, quando se mostraram totalmente adequados para realizar esse tipo de aventura. A classe MC28 que é mais recente, ainda não alcançou tanto sucesso, mas deverá trilhar o mesmo caminho, haja vista os vários barcos se preparando para isso, um deles, o Access, de Flavio Bezerra, que já alcançou o Caribe, por onde está navegando há mais de dois anos. (Você pode ler menções às viagens do Access, do Jornal e do Hypocampus em nossa seção “Hall da Fama”).

Arandu e Soneca, dois Samoas 34 compartilhando o mesmo ancoradouro

Apesar do êxito desses modelos, nossa equipe desejava desenvolver um novo projeto, também ao alcance do construtor amador, mas para um tipo de cliente com um pouco mais de recursos, que, por diversos motivos, desejasse ter mais espaço a bordo. Afinal para cada poder aquisitivo existe um tamanho ótimo de barco, não é verdade?

No fundo estávamos visando principalmente o mercado do hemisfério norte, pois nos Estados Unidos e na Europa as pessoas interessadas na construção amadora para empreender cruzeiros oceânicos estão mais habituadas a navegar em veleiros de trinta e quatro pés para cima, não acreditando muito na capacidade de barcos na faixa dos 30 pés poderem proporcionar o mesmo grau de satisfação, o que acreditamos poder ser até um engano. No entanto sabíamos que ninguém iria querer assumir o compromisso de construir um veleiro oceânico se fosse para depois de pronto achá-lo acanhado.

Cockpit do Arandu iluminado por luz de lanterna. Um bom convite para uma festinha

Nossa previsão de mercado começou se materializando, uma vez que a primeira venda foi feita para um jovem americano morador no estado do Arizona. No entanto, para nosso espanto, a maioria dos clientes seguintes foi de brasileiros, onde já existem dezenas de Samoas 34 navegando ou em construção. Por outro lado o MC28 e o substituto do projeto Samoa 29, o Samoa 28, têm sido muito bem aceitos internacionalmente. Mas isso, imaginamos, deve ser porque o Samoa 34 ainda é pouco conhecido lá fora.

A mais recente matéria publicada em nossas notícias foi exatamente sobre a classe Samoa 34: o relato do veleiro Luthier que acaba de vencer a regata Refeno em sua classe. Logo em seguida, no entanto, recebemos um e-mail de um proprietário de um Samoa 34 recém lançado à água, o Arandu, do engenheiro aeronáutico Geraldo Macedo, de São José dos Campos, estado de São Paulo. Geraldo, por ter uma agenda que não lhe permite tempo livre para realizar uma construção amadora, contratou o Estaleiro Conrado, de Ubatuba, São Paulo, para construir o Arandu. O fato de Geraldo ser engenheiro aeronáutico e piloto da força aérea e estar apreciando as qualidades de seu novo veleiro, nos deixa muito felizes, pois ele sabe apreciar algumas características de projeto que são comuns aos dois ramos.

O salão do Samoa 34 é bastante espaçoso

O Samoa 34 possui duas versões de cabine. A original é a cabine enjanelada atrás do mastro com um imenso convés corrido à frente do mastro, e a opcional que segue até o camarote de proa, aumentando o pé direito neste compartimento. Geraldo, assim como alguns outros construtores, optou por essa cabine mais longa, que também é muito atraente.

Segue o e-mail enviado por Geraldo Macedo:
 
O Arandu recebeu o batismo de mar no início de setembro, encontrou o Soneca (Samoa 33 do Spinelli) no Sitio Forte e visitou diversos locais na Baia da Ilha Grande.

O convidado belga encontrou uma cozinha de dar inveja a alguns veleiros de 40 pés.

Tivemos a presença de um amigo e velejador Belga, veleja um Dufour 41, que muito admirou o barco, tanto o projeto quanto a construção feita pelo Estaleiro do Conrado.

Arandu na Ilha Grande. Primeiro cruzeiro depois da inauguração.

Além de nos ajudar no acerto das regulagens, o nosso amigo belga nos proporcionou refeições de altíssimo nível da culinária européia. Para um veleiro de cruzeiro tão reforçado, o desempenho está excelente, com velas da Performance Sails parece um barco regateiro no contravento.
A resposta do leme é imediata, muito suave e bem balanceado, que como piloto de aeronaves posso apreciar bem essa característica em um barco. Manobrando no motor o raio de giro é pouco maior que o comprimento do barco, a manobra em marinas apertadas como no Piratas Mall é muito tranquila.

 
A filha de Geraldo deve estar gostando no novo veleiro

Estamos no Refugio das Caravelas, em Paraty. Serás sempre muito bem-vindo, avise quando vier nessa direção.
Passo vários dias por semana lá, retorno a São José dos Campos pelo menos uma vez por semana, família e trabalho ainda não foram totalmente adaptados ao barco. Fotos do Arandu logo que recebeu estofamento e as velas, ainda no Saco da Ribeira:
 
http://picasaweb.google.com/geraldo.macedo/ARANDU?authkey=Gv1sRgCKrMw7zI9IbqBg&feat=directlink 
 
Viagem na Baia da Ilha Grande no inicio de setembro:
 
http://picasaweb.google.com/geraldo.macedo/VG20090831A0907?authkey=Gv1sRgCLmmh6LQ79ihbw&feat=directlink
 
Grande Abraço

Geraldo Macedo
Samoa 34 Arandu

***

A razão para tantos de nossos clientes, amadores e profissionais, serem capazes de construir bons exemplos de barcos da classe deve residir no fato do processo empregado na construção ser bastante simples e linear. Descobrimos com a experiência acumulada em todos esses anos dedicados à construção particular que o principal segredo para que a obra seja bem sucedida está nas primeiras fases do serviço. A obra precisa começar bem e ser gostosa de fazer logo no início e continuar assim até o fim. É como quando se lê um livro; se a historia fica menos interessante a gente deixa o livro de lado e vai fazer outra coisa. Na construção particular a vontade de passar para uma próxima fase e é o que impulsiona as pessoas. Não conhecemos um só cliente nosso que tenha encontrado dificuldade em laminar os doze pares de cavernas usando o desenho em tamanho natural recebido com as plantas e em seguida uní-las com strips, fechando o casco. Como especificamos fazer anéis fechados completando essas cavernas com os vaus de convés e cabine, além de agregar logo de uma vez todas as paredes transversais do mobiliário e divisório, a continuação da obra após a virada do casco é uma moleza.

Nossos clientes nem desconfiam que construção de embarcação de recreio possa não ser tão simples assim em todos os casos, mas seguem adiante na construção de seus barcos sem encontrar dificuldade, e foi exatamente isso que desejamos proporcionar-lhes.

Nós do escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design Internacional) procuramos relatar em nossas notícias os principais acontecimentos da classe Samoa 34, pois afinal não é pouco empreendimento construir um veleiro desse porte e em seguida sair por aí navegando para qualquer lugar. Vocês que nos acompanham podem ter certeza que outros artigos sobre a classe aparecerão em nossas notícias no futuro.

Barcos construídos pelo método strip-planking sobre cavernas laminadas quando saturados internamente com resina epóxi são imensamente duráveis e estruturalmente podem ser verdadeiros tanques de guerra. Nossos construtores que já concluíram seus barcos estão curtindo bastante, e essa é a nossa melhor propaganda.

A simplicidade de construção do Samoa 34 tem proporcionado um fato curioso: muitos de nossos construtores fazem seus barcos praticamente sozinhos, as vezes tendo apenas a ajuda de suas esposas. Alguns de nossos clientes são aposentados, outros são fazendeiros vivendo em regiões remotas, mas todos trabalham com muita determinação colocando essas obras como prioridades em suas vidas. Esse perfil de construtores nos fascina e para exemplificar o que estamos afirmando mostraremos alguns casos típicos:

O paulista Rodrigo Ferher é físico por formação, mas atualmente trabalha como charter skipper a bordo de seu Samoa 34 Tanpopo, construído pelo estaleiro Flab, de Campinas, estado de São Paulo, www.flab.com.br, um construtor de alto gabarito que nos dá a honra de produzir barcos de nossa grife, sempre com muito esmero e dedicação.

Arutana Corberio é um desembargador aposentado que deixou o altamente intelectual trabalho de magistrado para ajudar a construir seu sonhado barco usando as próprias mãos para isso

Esse Samoa 34 está sendo construído pelo advogado aposentado João Scuro e sua esposa Maria, totalmente sozinhos, em um galpão na cidade de Joinville, onde moram num pequeno chalé ao lado do galpão, dedicando tempo integral à obra. Eles estão aplicando dois pares de strips por dia e a obra avança normalmente com uma qualidade de serviço impressionante.  Pelo andar da carruagem os Scuro devem estar concluindo a obra lá pelo fim do ano que vem.

Daniel Sequerra e sua esposa Diana sempre sonharam em possuir um veleiro de madeira. O pai de Daniel, um holandês com o gosto refinado típico dos cidadãos daquele país, possuía um veleiro da grife Sparkman Stephens, o orgulho da família. Quando Daniel soube do desenho do Samoa 34 decidiu que tinha chegado a hora de ter o seu sonhado veleiro. Agora o Zait já está navegando e é o novo orgulho da família Sequerra. Zait, assim como o Tanpopo, foi construído pelo estaleiro Flab

Mauricio e Márcia Iasi são dois jovens médicos que trabalham como cirurgiões num movimentado hospital de São Paulo. O trabalho em seu Samoa 34 é a terapia contra o stress da vida agitada que levam. Os Iasi pretendem viajar com o barco assim que terminar a construção.

Barco Libertad já ancorado em Angra dos Reis em sua viagem inaugural

Libertad é um Samoa 34 construído pelo Estaleiro Franzen, de Curitiba, Estado do Paraná. Esse barco já está navegando há um bom tempo e seu dono está bastante contente com ele. Zilmar Franzen consta de nossa lista de construtores que trabalham com nossos projetos, e é altamente recomendado por seus clientes

Luthier  é um Samoa 34 totalmente construído por seus proprietários, o casal Dorival e Catarina Gimenes, no quintal de sua casa em Campinas, São Paulo. Dorival é um engenheiro eletrônico e afinador de pianos, (note que a mesa de navegação se parece com um piano de calda), e sua esposa é artista plástica, talvez sendo por isso que o barco deles seja tão lindo. Já publicamos dois artigos sobre esse barco, o último ainda em nossa primeira página relatando a vitória do Luthier  na Regata Recife Fernando de Noronha de 2009. 

Clique aqui para saber mais sobre o Samoa 34


Multichine 41 SK agora tem kit de corte CNC disponível

Para os interessados no projeto do Multichine 41 SK, um veleiro de cruzeiro de quilha retrátil de alto padrão de desempenho e segurança, a boa notícia é que o escritório Roberto Barros Yacht Design ( B & G Yacht Design ) agora pode oferecer os arquivos de computador que possibilitam o corte automatizado de praticamente 100% das peças de alumínio que compõem a caldeiraria do barco.

O conjunto de arquivos inclui detalhes como quilha, leme, mancal da quilha pivotante, além de toda a estrutura interna, tanques, casco, convés, cabine e cockpit.

O primeiro casco que utiliza o kit de corte CNC, o Bepaluhê, do nosso amigo e cliente Paulo Ayrosa, já está em avançado estágio de montagem no estaleiro Ilha Sul Construções Náuticas, de Porto Alegre.

O nível de precisão, qualidade de corte e produtividade da montagem são sem par na construção convencional com desenho e corte manual das peças.

Toda a estrutura detalhada em 3D

O Kit está disponível para construção em alumínio e é composto de 391 peças com tamanhos variando entre alguns poucos milímetros a cerca de 3,5 metros.

Estrutura da quilha pivotante

Com o Kit CNC um estaleiro consegue ter as seções prontas e alinhadas no picadeiro em menos de duas semanadas de trabalho, e a caldeiraria toda pode ser finalizada em tempo recorde.

As seções possuem furos de alinhamento, facilitando a montagem

Detalhe de um encaixe típico na montagem das seções com o kit CNC. À esquerda o furo de alinhamento que está a uma altura constante em todas as seções.

Agora este projeto fica ainda mais atraente para construtores profissionais, e mesmo amadores que gostem de um bom desafio.

O Multichine 41 tem tudo para ser a moradia e máquina de viagens de uma família, com acomodações e espaço suficientes para carregar um casal e filhos e as provisões necessárias para longos períodos sem abastecimento.

Os futuros navegadores Paulo e Beth, em visita ao estaleiro

O kit CNC para o Multichine 41 SK e também para a versão convencional, o Multichine 41, pode ser adquirido em tres partes distintas, dependendo da necessidade e fase da obra. Está separado em:

Kit 1 - Seções, chapas do costado e fundo e estrutura interna incluindo tanques
Kit 2 – Chapas de convés, cabine e cockpit
Kit 3 – Quilha pivotante, mancal da quilha, leme, skeg e patilhão.

O kit 1 custa AUD 1600 ( Mil e seiscentos Dólares Australianos ), o kit 2 AUD 1100 ( Mil e Cem Dólares Australianos ) e o kit 3 AUD 850 ( Oitocentos e Cinquenta Dólares Australianos ).

Para contato direto com nosso engenheiro especializado em arquivos de corte CNC o email é luisdesenhos@gmail.com . Para contato com o escritório o email é info@yachtdesign.com.au.

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Samoa 34 Luthier na Refeno

Recebemos um e-mail enviado por Dorival Gimenes, que construiu praticamente sozinho o veleiro Samoa 34 Luthier no jardim de sua casa, em Campinas, São Paulo, e assim que o barco ficou pronto, mudou-se com sua esposa Catarina para bordo, onde vivem desde então. O passo seguinte foi programar um cruzeiro pela costa brasileira com o objetivo de participar da regata Recife – Fernando de Noronha. O e-mail relata  detalhes dessa história.

Amigos e projetistas do Samoa 34, o Luthier é realmente um barco de cruzeiro rápido, e vocês podem se orgulhar muito por tê-lo projetado.

Desde dezembro de 2008, quando ele foi para a água, só tem nos proporcionado alegria e bons resultados. Ganhamos a REFENO 2009 na nossa classe, Aberta B, e estamos conhecendo muitos lugares bonitos e interessantes da costa brasileira. Nossos relatos de viagem estão publicados no blog da página www.veleiro.net (blog.veleiro.net), administrada pelo comandante do Veleiro Yahgan, um Cabo Horn 35 que, feito há mais de 15 anos, navega tranquilo, tão novinho quanto o Luthier. Esses dois barcos são provas vivas de que a tecnologia utilizada, strip planking, é muito robusta e segura para construção amadora.

Mas não é só isso, durante nossa viagem, encontramos muitos MCs de aço, Samoas 29, MC 28 de plyglass, Aladin etc... Aliás, conhecemos um MC 28, construído por um mergulhador de Vitória-ES, muito caprichado. Também vimos barcos do escritório feitos em estaleiros profissionais e artesanais.

Preparação para a largada da Refeno 2009

Em todos os portos que vamos, o Luthier desperta curiosidade. Sempre que dizemos que fomos nós que o construímos, as pessoas começam a olhar o casco, e ficam com aquela cara de dúvida e, invariavelmente, perguntam: mas é de madeira, mesmo? E lá vamos nós, mostrando o barco e as fotos da construção aos incrédulos. Em seguida, perguntam do tempo de construção, custo, dificuldade, etc.,e finalmente, se minha mulher topa viver no mar.

Luthier  navegando no contravento

Para tempo de construção, custo, dificuldade, etc., eu tenho algumas respostas e indico o site do escritório, dentre outros, como referência. Já sobre minha mulher, digo que ela ajudou na construção, e adora nosso baby, como ela chama o Luthier.

Dizem que os barcos têm alma, deve ser assim mesmo, o Luthier é inquieto, não gosta muito de ficar em “píers”, prefere poitas ou âncora, e gosta mesmo é de navegar. Viajar com o Luthier é muito confortável. Desenvolvemos velocidade média de seis nós, e, dependendo do mar, é claro, pode-se navegar a 7 nós, sem forçar nenhum equipamento.

Com as velas bem ajustadas, o leme fica tão leve que o piloto automático quase não gasta energia para comandá-lo. Muitos outros cruzeiristas já me disseram que essa é uma característica típica dos projetos de vocês.

Mesmo sendo a casa de Dorival e Catarina, o Luthier é muito veloz para um veleiro de cruzeiro de 34 pés

Construir um barco e sair por aí cruzeirando, ou mesmo, que seja para curtir os finais de semana, vale a pena, mas, tem que ter muita dedicação, planejamento, capricho, e controle da ansiedade e se conformar com o fato que, durante a construção, o escritório estará trabalhando e lançando novidades e atualizações nos seus projetos, o que vai causar um certo desejo de mudança de idéia para um outro projeto, como ocorreu comigo, quando foi lançada uma nova versão do Cabo Horn 35. 

Vale a pena resistir. Terminar uma obra é uma sensação indescritível de prazer, e aí é que as opções de lazer se abrirão com um marzão a conquistar e conhecer.

Além da construção, é necessário estudar muito, navegação, meteorologia, procedimentos de segurança e primeiros socorros, etc.. Afinal, um bom barco precisa de um capitão à sua altura. Sempre temos o que aprender e sempre haverá um lugar para conhecer. Existe muita gente boa e interessante nesse caminho.

Dorival

A bordo do Luthier

Ser o vencedor em sua classe com um barco feito com as próprias mãos no jardim de casa, não tem preço. Catarina e Dorival recebendo o prêmio de primeiro lugar

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Multichine 28 Atairu mostra o que é ser um barco de cruzeiro

O casal gaucho Antônio e Ivana  Piqueres estão descobrindo da maneira mais prazerosa possível as qualidades do seu novo barco, o MC28 Atairu. Eles estão constatando que o modelo é exatamente o que desejavam: um veleiro de cruzeiro especificamente projetado para sair por aí realizando aventuras pelos oceanos do mundo.

Pelo sorriso pode-se constatar que Ivana está gostando da nova experiência

Os Piqueres são um perfeito exemplo de pessoas que se prepararam para fazer isso. Apesar de serem novos na vela, sonhavam em ter um barco com o qual pudessem morar a bordo por períodos prolongados, sonhando em realizar viagens com destinos indefinidos. Como o Atairu está novinho em folha, as ultimas experiências do casal são muito ilustrativas para demonstrar como o modelo está se encaixando em sua finalidade.

Recebemos um simpático e-mail deles em que relatam o primeiro teste de verdade por que passaram e como ficaram contentes com a sensação de segurança que o Atairu os transmitiu.

Atairu testando as vela em sua vaga no píer

Segue o relato: 
Hoje (27/09), o Atairu enfrentou ventos de até 25 nós no contravento, chuva torrencial (mais de 20 mm), ondas curtas e seqüenciais que quebravam uma após outra devido a baixa profundidade do lago Guaíba (3m), espuma para todo lado, lago todo esbranquiçado, visibilidade zero, somente GPS, que "as vezes sinalizava barco parado devido as ondas e ao vento, barco com o Yanmar a 3500 RPM, para conseguir vencer o vento e as ondas. A água açoitava o casco com batidas muito fortes, como querendo quebrá-lo, barco inclinado a dez graus em árvore seca, água entrando pela vigia frontal. Foram mais de 2 horas neste inferno.

Único barco enfrentando estas condições de tempo no lago, com duas pessoas iniciantes na vela. Resultado: Chegamos ao clube para os demais incrédulos. Barco forte e robusto, confiávamos nele e ele respondeu à altura. Não temos mais dúvidas, amamos este barco que nos levou em segurança ao nosso clube. Foi nosso batismo, e para o Atairu também. Não conseguimos tirar fotos, mas o pessoal do porto do Clube nos falou, por rádio, que era de arrepiar ver o barco vencer as ondas.

Anexo algumas fotos de nossas primeiras velejadas. Nosso instrutor é o Paulo Ribeiro, técnico da seleção feminina de vela 470 (Fernanda Oliveira e Isabel Swan - primeira medalha de bronze nas olimpíadas de Pequim 2008). Tivemos somente dois dias de aula.
Bons ventos a todos vocês... O projeto é ótimo.

Sem dúvida Piqueres tem muitos motivos para comemorar. Por seu e-mail fica bem claro que o que deixou o casal mais contente foi ter passado por uma situação complicada e ter saído com a certeza de que o barco é forte e seguro. Para dois velejadores inexperientes passar por um teste desses em uma das primeiras velejadas aumenta a autoconfiança, e, acima de tudo, a confiança no barco.

O painel solar ainda não foi instalado

Mas eles já vinham curtindo o Atairu intensamente como uma espécie de casa de praia, e é nesse ponto que o barco se mostrou imbatível, pois é pequeno o bastante para se velejar com tripulação reduzida sem dificuldade, e grande o suficiente para se morar a bordo com muito conforto. Por isso vocês que acompanham as notícias da classe MC 28 em nosso site, podem esperar novidades do casal Piqueres tão logo adquiram um pouco mais de experiência para poderem dar vôos mais longos.

Piqueres e Ivana comemorando a primeira grande aventura

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Pantanal 25 – Classe bem próximo de poder ser homologada

Bons ventos estão soprando para a classe Pantanal 25. A Intaschi Nautical Performance, juntamente com a Coopermarine, acabam de fechar a terceira venda de um Pantanal 25, que deverá ser produzido nas formas que Jorge Intaschi construiu após  terminar o casco e convés do Dark Ice, o Pantanal 25 que fez para seu próprio uso.

Essas formas que foram levadas para a Coopermarine, uma fábrica de barcos que trabalha em regime de cooperativa, e já produziram dois barcos, barcos esses que breve deverão estar navegando. Com a nova venda, fica faltando uma unidade para que a classe possa ser homologada pela Federação Brasileira de Vela e Motor, isso sem falar dos muitos outros em construção em vários pontos do Brasil.

Ronaldo Agondi, o diretor da Coopermarine, aproveitou a oportunidade de ter uma carteira de pedidos para completar a coleção de moldes, e poder fabricar o barco em série no menor tempo e com o menor custo possível. Ele produziu moldes de todos os componentes do mobiliário interno com uma classe e um bom gosto impressionantes, aproveitando para aperfeiçoar a ergonomia e dando um toque artístico ao design dos móveis, fazendo as paredes das bancadas com curvas funcionais e elegantes. Na realidade, com o cuidadoso acabamento que Ronaldo está conseguindo realizar, o interior do barco irá ficar um espetáculo.

Marcelino Magalhães, o primeiro cliente da Coopermarine, está dando a maior força para que os moldes fiquem super-caprichados, para isso não pressionando a fábrica exigindo pressa, para que a obra não seja realizada com afobação. Não tenho dúvida que com o acabamento que está sendo alcançado, o modelo fará grande sucesso, inclusive com grandes possibilidades no mercado internacional. Como a classe vai se expandindo muito bem internacionalmente, acho que o escritório B & G Yacht Design até que poderá dar uma boa mãozinha para divulgar o serviço da Coopermarine lá fora.

A nova bancada da pia do banheiro é muito mais ergonômica, oferecendo maior área de piso.

Desde junho não falávamos sobre o esforço de Jorge Intaschi e da Coopermarine em promover a classe Pantanal 25. Em julho, após uma preparação meticulosa para participar da Semana de Ilha Bela, em uma das primeiras regatas, depois de demonstrar possuir velocidade para se meter com os cachorros grandes do circuito, Dark Ice foi atropelado por um brutamonte de 57 pés e U$2800.000, que, sem preferência, entrou pelo gurupés do pequenino Pantanal 25, empenando-o, mas para espanto geral, sem causar o menor dano ao casco. Apesar de ter arruinado a série, o acidente serviu para mostrar quão robusto é o modelo. Acreditamos que o que salvou o barco menor de um prejuízo mais grave foi o efeito bola de ping-pong. Sendo tão leve e tão rígido, com sua construção em sanduíche, Dark Ice foi simplesmente jogado para o lado, como a bola de ping-pong quando leva uma raquetada.

O gurupés empenou sem causar danos ao costado, um bom teste de robustez para o Pantanal 25

O que trouxe a classe novamente à crista da onda foi a matéria que a Revista Náutica publicou comparando o Pantanal 25 com outro modelo, também de 25 pés, comparação meio difícil pela diferença conceitual entre projetos. Como os barcos foram apresentados como cruiser-racers, então vá lá que se comparem os dois, mas o Pantanal  é radicalmente diferente num aspecto que torna essa comparação bastante indevida. Ele é o único dos dois, e porque não dizer, o único no país, projetado para camping, possuindo a boca máxima permitida nos Estados Unidos da América, que é de 2.44m, para poder ser rebocado sem precisar de autorização especial da polícia rodoviária. Essa característica o torna difícil de ser comparado com um barco, que mesmo tendo calado controlável, possui uns 20% a mais de boca. Não que ele perca em conforto, mas ganha em oferecer baixa resistência ao avanço. Obviamente essa boca estreita condiciona o arranjo interno, mas mesmo assim o Pantanal 25 possui acomodações para pernoite de até seis pessoas, banheiro fechado, cozinha e duas camas de casal.

Felizmente os pontos fracos de nosso modelo apontados pela revista não nos preocuparam, pois simplesmente não procedem. Primeiro a de que o modelo não possui textura antiderrapante no convés.

Se o pessoal da revista escorregou ao velejar no Pantanal 25, deve ter sido por falta de óculos, e não por falta de antiderrapante, pois o convés é adequadamente dotado de piso com superfície corrugada já incorporada ao molde.

Outro ponto discutível na avaliação da revista foi sua pequena capacidade dos reservatórios de água doce. Acharam 130 litros insuficientes, mas pensando bem, para um barco de camping isso é muita água. Afinal representa 10% do deslocamento do barco. Se o proprietário levar o barco a reboque com o tanque cheio, isso representa um baita esforço a mais para o motor do carro, mas ainda dentro da tolerância. Imagina se fosse mais!!!

Mas o que importa é que os jornalistas elogiaram bastante o desempenho do modelo:

“...mas também faz bonito em competições, nas quais comporta bem até oito pessoas a bordo, graças à grande área vélica, ao casco leve e ao bom desempenho, já que é veloz em ventos fracos e orça muito bem...”

Pantanal 25 Rotfart, de Marcelino Magalhães, em final de construção na Coopermarine

Agora com o novo sócio, a classe está a um passo de se tornar monotipo em competições e não precisar correr em categorias para a qual não foi projetada. Como o Dark Ice já provou que anda muito, fica melhor não precisar calcular ratings com fórmulas empíricas que penalizam as qualidades do barco. Como além da série da Coopermarine existem muitos Pantanal 25 em construção, com os primeiros já velejando, vai ser bonito ver em breve eles correndo entre si na que provavelmente será a primeira categoria internacional de veleiros com unidades velejando em vários países, projetada no Brasil. Pelo menos um campeonato Sul Americano breve seria possível combinar, pois só na Argentina já existem três barcos em construção a toque de caixa, com grande interesse da comunidade local pelo modelo, e no Chile um construtor cogita em fazer o Pantanal 25 em série.

Clique aqui para saber mais sobre a classe Pantanal 25


Classe Samoa 28 ganha novo impulso

A Classe Samoa 28 está nos surpreendendo pela forma espetacular com a qual vem se expandido recentemente. Toda hora estamos recebendo fotos de cascos sendo virados, interiores sendo construídos e de barcos quase prontos para ir para a água. Obviamente ficamos contentes com essas notícias.

Saber que a classe está atraindo tantas pessoas é bom demais para nós, que consideramos esse barco uma opção diferente na construção amadora de veleiros de cruzeiro oceânicos.

Um desses barcos é o Baleia, que está sendo construído em Macaé por Ubiracy Pereira Jardim. Sendo um amador autêntico, Ubiracy está se divertindo demais com sua construção, a ponto de ter criado um blog sobre suas experiências: http://barcobaleia.blogspot.com, onde relata cada passo de sua construção. Isso é muito bom para a classe e também para incentivá-lo a continuar a obra no ritmo mais rápido possível.

Baleia já está com o casco praticamente fechado

Mesmo só tendo começado a obra em fevereiro, Ubiracy ainda encontrou tempo para construir outro projeto de nosso escritório, o dinghy Andorinha, projetado para ser feito pelo método costure e cole, um de nossos mais populares desenhos. Você pode acompanhar o progresso das duas construções no mesmo blog.

De Blumenau, Santa Catarina, recebemos fotos da virada de outro Samoa 28, o Everest, de Moacir Teobaldo Ribeiro.

Sempre que recebemos boas fotos de uma festa de virada enviada por um construtor amador, sentimos vontade de escrever uma nota em nossas notícias como um gesto de reconhecimento pelo feito.

Mesmo aquele que não é afeito à construção amadora pode avaliar quanto emocionante é essa ocasião. Esse é um marco importante no caminho de realizar o sonho de ter um barco de cruzeiro construído com as próprias mãos.

Talvez por causa da importância do acontecimento é que exista tanta facilidade para juntar amigos e simpatizantes voluntários na operação de virar o barco.

Nessas ocasiões manda a tradição que um churrasco regado a muita cerveja seja oferecido à galera, mas ai do anfitrião se oferecer o churrasco antes da virada do casco!

O mínimo que pode acontecer são os ajudantes irem sumindo antes da operação se realizar, e nos casos mais graves, que alguma lenha ocorra durante o processo da virada

Removendo o Everest do galpão

Publicamos há pouco tempo atrás a virada de um MC28 que está sendo construído em Seattle, no noroeste dos Estados Unidos, e naquele casco, a estrutura armada para virar o barco foi a mesma utilizada no Everest. Não sei se as fotos publicadas serviram de inspiração para Moacir Teobaldo, mas se serviram, é o que poderíamos chamar de ajuda globalizada à distância, por pessoas do outro lado do mundo que nem se conhecem!

Everest pronto para ser virado

A cangalha em torno do casco para apoiá-lo enquanto vai virando dá mais trabalho para ser montada do que a operação de virar propriamente dita, que no caso do Everest foi feita com um guindaste alugado. Apesar do barco antes de virar já poder ser visto por dentro, bastando para isso se agachar e dar uma olhada lá para dentro, é fascinante ver a curiosidade das pessoas ao desejarem saber como o barco vai ficar quando estiver virado de cabeça para cima. Esse é um importante ingrediente para o clima de suspense que cerca toda a operação. Parece que é a sensação de que dali em diante já existe um verdadeiro barco!

Moacir Teobaldo foi bem competente preparando minuciosamente a superfície externa do casco, deixando-o tão liso como uma casca de ovo. Ele não perdeu a oportunidade de, ao lixar o fundo do casco, deixar a gravidade trabalhar a seu favor. Outro lance acertado foi impregnar os strips internamente com epóxi à medida que o casco ia sendo fechado. Isso estabiliza a madeira, que deixa de absorver vapor d’água em dias úmidos e dilatar-se causando estresses indesejáveis.

O casco logo após a virada, antes da remoção dos moldes internos

A única precaução que Moacir Teobaldo agora deve tomar é lixar a superfície interna já impregnada antes de iniciar a laminação do interior do casco, pois o epóxi é tão vitrificado, que apesar de ter uma aderência fantástica, não adere nele mesmo se a superfície de baixo for lisa como vidro.

Outro construtor de Samoa 28, esse já vendo a luz no fim do túnel, é Bernardo Sampaio, de São José dos Campos, São Paulo. Seu barco, o Sailor II, está quase pronto e breve deverá ser inaugurado. Bernardo está construindo em Ubatuba, o conhecido paraíso turístico do litoral norte de São Paulo. Ele vem nos informando regularmente sobre o progresso de sua obra desde os primórdios da construção, e pelas fotos que temos recebido, seu barco é de primeira classe.

Sendo Ubatuba um centro náutico importante, com suas marinas guardando centenas de barcos de cruzeiro, não é de se estranhar que exista uma certa curiosidade por parte da comunidade náutica local, especialmente de outros construtores de Samoa 28 que estão fazendo seus barcos ali pelas redondezas. Como provavelmente Sailor II será o primeiro Samoa 28 a ficar pronto, não só na região do litoral norte de São Paulo, mas em todo o Brasil, nós mesmos do escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design) estamos ansiosos com essa inauguração, que quando acontecer, com certeza irá receber uma reportagem especial em nossas notícias. (Bernardo, não se esqueça de enviar umas fotos do grande dia!)

Superestrutura do Sailor II pronta para receber a pintura de acabamento

Ao Bernardo e aos outros construtores de Samoa 28 em São Paulo e no resto do país, desejamos que as construções continuem avançando sem problemas, e que breve vocês estejam navegando. Estamos publicando esta matéria principalmente com a intenção de dar uma injeção de adrenalina em todos os construtores de Samoa 28.

Sailor II pronto para receber a quilha

No entanto, o mestre dos mares da classe S 28 é sem duvida o geólogo argentino Daniel D’Angelo, construtor do Samoa 28 Sirius, www.velerosirius.com.ar, fabricado no jardim de sua residência em City Bell, grande Buenos Aires. Sem experiência anterior ele construiu um barco tão bom que acabou por torná-lo conhecido em todo o Rio da Prata e até bem mais longe, pois seu site, muito bem feito, mostrando toda a construção fase a fase, é bastante popular em toda a América Latina e na Península Ibérica.

A “tripulação” participou ativamente da construção do Sirius no jardim de casa. Karina e Flor, esposa e filha de Daniel, curtem o imenso volume do casco no início da fabricação do interior

Daniel lançou seu barco à água em outubro de 2008, e desde então já realizou vários cruzeiros. O Sirius já fez duas viagens ao Uruguai, e uma até o delta do Tigre, sempre fazendo muito sucesso, seja pelas linhas do casco, seja pelo conforto interno, ou ainda por seu bom desempenho, especialmente em condições duras de vento e mar. Além disso, já participou de várias regatas, tendo ganhado algumas em sua classe. No momento Daniel está pretendendo subir a costa da America do Sul, provavelmente indo até Angra dos Reis, quando sem duvida será recebido com grande admiração e curiosidade, acima de tudo por se tratar do primeiro Samoa 28 a navegar, construído por um amador no quintal de sua casa.

La Plata-Riachuelo-Colonia-La Plata, 6-11 de janeiro de 2009 - Daniel D’Angelo

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Multichine 28 – Contando fatos sobre essa classe

Se você é velejador de oceano brasileiro, ou estrangeiro residente no Brasil, provavelmente já deve conhecer algum MC28 navegando em sua região, ou pelo menos ter ouvido falar de algum barco dessa classe. Como conhecemos muita gente que pratica vela de oceano no país, sabemos que para muitas pessoas esse modelo é um sonho de consumo, como sendo um dos melhores veleiros de cruzeiro na faixa dos 28 pés que existem.

Na realidade, quase desde seu nascimento a classe MC28 passou a ser nosso mais popular desenho na lista de projetos de estoque de veleiros para cruzeiro de longa distância.

Existe um interesse permanente por parte de cruzeiristas potenciais por esse modelo e o número de construtores deste barco ao redor do mundo não pára de crescer. Em setembro de 2009 estamos nos aproximando de duzentas unidades em construção ou navegando, sendo que até o momento isso está acontecendo em nove países diferentes: Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Espanha, Inglaterra, Grécia, Portugal e Estados Unidos. No Brasil, onde a classe nasceu, existem veleiros MC28 em construção ou navegando em quase todos os estados da federação.

As pessoas que escolheram o MC28 podem ter inúmeras razões para isso; no entanto, segundo as informações que alguns desses velejadores nos passam, o principal fator decisório na escolha do projeto é a sedução que o layout do interior exerce em suas mentes.


Multichine 28 Flaneur

Muitos de nossos clientes sonham em realizar longos cruzeiros ou morar a bordo por longos períodos. E é exatamente nesse ponto que o MC28 é um barco fantástico para seu tamanho.

Quando os interessados descobrem que se pode andar sob um pé direito de 1.85m desde o hall da cabine de popa até o salão, contornando a maior cozinha que se possa encontrar em um veleiro de vinte e oito pés, costumam se apaixonar pelo modelo. Ao concluírem a obra, essa paixão costuma se transformar em um amor duradouro.

O salão do MC 28 é suficientemente amplo para se promover uma festinha nele.

Mas existe outro fator decisivo que pesa bastante na escolha pelo modelo do MC28. É o fato desse veleiro se enquadrar como categoria A, a categoria máxima, de acordo com o índice de estabilidade estabelecido pela União Européia, (STIX), o que significa poder suportar ventos força 10 com ondas médias de sete metros de altura, podendo até encarar eventuais ondas de até quatorze metros com estabilidade suficiente para resistir a tudo isso. A confiança que essa especificação incute nas pessoas é alguma coisa difícil de ser medida.s.

O MC28 tem um excelente controle de leme. Fotoshop: www.ideebr.com

Agora que a classe já é bem conhecida, e seu conforto interno e suas qualidades marinheiras vão se tornando de conhecimento de muitos do meio náutico, quando as pessoas optam pelo MC28 considerando que o MC28 é o barco que procuravam, esse compromisso costuma se tornar um assunto preponderante em suas vidas. É curioso constatar que junto com a decisão de construir, vêm embutidos os mais ambiciosos planos de utilização. A impressão que temos a partir de seus relatos é a de que ao longo de toda a construção os planos de aventura vão se tornando cada vez mais consistentes, e essa antecipação de futuro desfrute é a mola propulsora que incentiva a continuação da obra.

Essa atitude determinada pode parecer óbvia, mas não é bem assim. Um barco produzido em série em que o cliente já o recebe com todos os equipamentos recomendados pelo fabricante instalados, é claro que não pode se comparar com o prazer que dá instalar um por um todos os itens escolhidos pelo próprio dono, como se todo mês fosse recebida a visita de Papai Noel! Esse mesmo prazer se repete a cada dia durante a construção, quando no fim da jornada se pára para observar o progresso do dia. Quando nós do escritório construímos o MC 28 Fiu, em companhia do Makay, de nosso amigo Roberto Cepas, no final do dia íamos para uma padaria na esquina tomar um chope e falar sobre os últimos progressos e os planos para as próximas etapas. Na verdade o trabalho era pura diversão, tanto que muitas vezes só encerrávamos o expediente lá pelas nove horas da noite

Roberto Ceppas segurando a seção 9, não sabemos dizer se do Makai ou do Fiu, no fim do expediente, após um dia de serviço. Foto Roberto Barros

Essa sensação de prazer continuado só pode ser compartilhada por aqueles que estão fazendo ou fizeram seus próprios barcos. Também não sabemos se é por acaso, mas ainda não conhecemos o caso de um amador entusiasmado que não tenha se divertido com a construção de seu barco. Algumas queixas durante a construção sobre a dureza do serviço até que ouvimos de vez em quando, mas ou a memória é fraca, ou o trabalho é compensador, uma vez que tão logo o barco fique pronto, o que costumamos ouvir são somente palavras de orgulho pela realização.

Nós da Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design na Austrália), até que temos uma boa parcela de contribuição para o sucesso da construção amadora dos MC28. Isso se deve a termos construído dois barcos da classe e simultaneamente termos redigido um roteiro de construção sem falhas, pois era produzido à medida que a obra avançava, informando passo a passo todas as fases da fabricação. Esse roteiro é um verdadeiro livro, e pelo resultado de quase a totalidade das construções, tem ajudado muito nossos construtores amadores. O fato de que o método construtivo seja tão simples e objetivo também ajuda a explicar porque a classe é tão bem sucedida.

MC28 tem ótimo desempenho no vento de proa.
Fotoshop: www.ideebr.com

Pelo fato de termos construído com as próprias mãos dois desses barcos, elegemos o MC 28 como nosso projeto de estoque padrão e assim procuramos igualar em detalhes e quantidade de informações todos os outros projetos mais recentes, e sempre que surge alguma inovação tecnológica que possa beneficiar o projeto, fazemos atualizações, de forma que mantemos o MC28 como o estado da arte entre nossos planos de prateleira.

O fato de o Makai e o Fiu, agora Fioravante, já terem navegado ao todo algumas dezenas de milhares de milhas sem problemas, inclusive participando com sucesso de regatas oceânicas, também contribuiu em muito para o atual prestígio da classe. A fabulosa viagem em solitário do MC28 construído por Flávio Bezerra, que desprovido de motor auxiliar e sistema automático de controle de rumo, há três anos navega pelo Caribe, após fazer uma audaciosa travessia do Rio de Janeiro a Saint Martin, também é uma demonstração das qualidades deste barco de cruzeiro

MC28 – O veleiro de cruzeiro para ir a qualquer lugar. Fotoshop: www.ideebr.com

Por termos construído dois MC28 e esses barcos terem se demonstrado tão eficientes como barcos de cruzeiro, isso acabou sendo uma verdadeira benção para a classe. Mas parece que a cada novo MC28 inaugurado, aquela unidade passa a ser um fator de multiplicação na localidade onde ele foi inaugurado, e isso vem se espalhando sem interrupção desde o lançamento do primeiro MC28 a navegar, o legendário Sabadear.

Presentemente o bom nome da classe se espalha internacionalmente, e por tudo de bom que já aconteceu com esse prodigioso modelo estamos confidentes de que em breve será um barco de fama internacional, como um autêntico lar flutuante capaz de navegar em qualquer latitude com conforto e segurança.

O interior do MC28 é claro, arejado e funcional. Renderização: www.ideebr.com

A cabine toda enjanelada é uma das virtudes mais apreciadas pelos donos de MC28. Renderização: www.ideebr.com

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Kiribati 36 Green Nomad acabando a marcenaria - Luis Manuel Pinho

O verão vem chegando a Porto Alegre, e junto com o fim do inverno também vai mudando a estação da obra do Green Nomad. O delineamento do interior está praticamente acabado. A estrutura básica está toda no lugar, e agora ficam faltando os acabamentos, como portas, forração das paredes e teto, revestimento dos pisos e pintura das madeiras.

Para dois marinheiros de primeira viagem em marcenaria ficamos até surpresos de já estarmos neste estágio.

A evolução da mesa de escritório no Green Nomad!

O escritório do Green Nomad em Abril de 2009

O mesmo escritório em Final de Agosto de 2009. Agora também mesa de navegação!

Selecionando as fotos para este email é que nos demos conta de que talvez um ou dois parafusos nos faltem, ou que nosso limiar para desconforto é bem acima do de muita gente. O objetivo compensa, sabemos, mas era cada coisa...

Moramos a bordo durante toda a construção do interior, que no entanto não começou até Março de 2009 com a colocação do isolamento de isopor. Entre Dezembro e Março morávamos com o mesmo arranjo provisório feito ainda no estaleiro. Duas chapas de compensado daquele usado para tapumes de obra e alguns sarrafos de apoio serviam como piso durante o dia e cama à noite, e tudo o mais era improvisado.

Mas aos poucos fomos ganhando terreno, um pouquinho cada dia, e isso durante os três últimos mêses, e agora ao olhar para trás, nos damos conta que a nossa casa está quase pronta.

Toda a obra era planejada levando em conta que no final do dia a cozinha tinha que funcionar e algum lugar tinha que estar livre para dormir.

Dois dos metros quadrados mais versáteis de Porto Alegre

Tudo tinha dupla função, até o banheiro!

Lavar o rosto exigia habilidade

Cozinhando ainda com um casco quase vazio

Durante esses três meses nós processamos mais ou menos as seguintes quantidades de materiais:

  • 10 folhas de compensado naval de 10mm
  • 8 folhas de compensado naval de 15mm
  • 50 sarrafos de cedro de 2 m com seções variadas
  • 100 placas de 0.5m x 1.0 m de isopor de 50mm de espessura
  • 4 placas de isopor de 0.5m x 1.0m de 20mm de espessura
  • 1 folha de fórmica
  • 2 latas de cola de contato
  • 3 bisnagas de cola para madeira
  • 15 tubos de sikaflex 221
  • Aproximadamente 1000 parafusos para madeira de diversos tamanhos

Para os interessados em valores, o material acima custou em torno de R$ 5000.

Na primeira vez em que resolvemos pegar um compensado de 15mm para tirar peças, eu achei que nem ia conseguir movê-lo. Mas com jeito, os dois baixinhos foram levando peça por peça, e hoje nem acreditamos que dentro desse casco de 11m x 3.85 m possam estar 18 folhas de compensado de 2.5 x 1.6m.

Trabalhando no pier do Clube dos Jangadeiros, em Porto Alegre

Nossa grande sorte, sermos acolhidos em cortesia pelo Clube dos Jangadeiros, em Porto Alegre. Sem esse porto seguro tudo seria muito mais difícil

Fixando o tanque de diesel para poder iniciar a obra

A primeira peça de mobiliário foi a cama, como convém!

Iniciamos pela cama de pôpa e seguimos no sentido horário, fazendo a cozinha, sofá de bombordo, cama de proa, sofá de boreste, mesa de navegação, banheiro, compartimento do motor e por fim as pias da cozinha definitivas. O último toque foi a colocação da cadeira em frente da mesa de navegação, com um encosto alto, que servirá como escora quando o mar estiver agitado. Já no primeiro barco tinhamos uma cadeira com encosto no sentido transversal na mesa de navegação,  só que fixa. Agora a cadeira pode girar e também ser elevada uns 20cm, deixando um posto de observação privilegiado à nossa disposição.

Já  estamos também bem adiantados na parte hidráulica, e daqui a umas duas semanas já iniciaremos as instalações elétricas.

Filhos de um amigo explorando a caverna dos velejadores construtores. Muita coisa interessante para ver!

Hoje já podemos convidar amigos e recebê-los para jantar com conforto, e esperamos que os jantares a bordo sejam muitos e em diversos lugares daqui para a frente.

Finalmente uma cozinha de verdade!

Um longo caminho desde as refeições sentados no banheiro

A mesa de navegação do Madrugada, gentilmente cedida pelo Niels Rump, da Farol Náutica, que está restaurando o barco fielmente aos seus planos originais.

O balcão com as duas cubas, que drena para dentro da caixa da quilha.

Navegando na internet por enquanto, mas logo esperamos que no Pacífico.

Colocamos a pia do banheiro apoiada na bancada para não perder espaço de armário embaixo e para poder trazê-la o máximo para o centro do barco, ficando com pé direito total acima dela.

Na área de convés e externa a única novidade foi a colocação da armação em tubo de alumínio para uma capota rígida, que irá proteger a parte dianteira do cockpit em viagem, oferecendo abrigo de spray e sol, podendo mesmo ser fechada por trás. No Green Nomad I isso era fácil porque o cockpit era central, mas agora conseguimos o mesmo efeito usando uma parte de enrolar que descerá da traseira da capota até o banco e piso do cockpit, como vimos em alguns barcos da classe IMOCA 60, mais conhecidos como Vendée Globe.

Green Nomad aguardando o momento de rumar para novos encontros com novos e velhos amigos!

Esperamos até o fim do ano ter o Green Nomad com condições de se mover. Mesmo que estejamos adorando a estada em Porto Alegre, no próximo inverno gostaríamos de já estar num ponto tropical, substituindo os capotes por camisetas e as botas por havaianas.

O engenheiro Luis Manuel Pinho, luisdesenhos@gmail.com é colaborador do escritório Roberto Barros Yacht Design, (B & G Yacht Design), sendo o designer de nosso mais recente projeto, o Kiribati 36. Já está em andamento o segundo projeto que  estamos produzindo em parceria: o Pop-Alu 28, um veleiro em alumínio auto-portante, isso é, sem estrutura interna, o que com a tecnologia de corte por CNC representa uma economia incrível de mão de obra e tempo de construção.  

Clique aqui para saber mais sobre o Kiribati 36


Pantanal 25 Sendo Construido no Chile - Maik Biela

Olá,
Meu nome é Maik Biela. Tenho 37 anos, sou alemão, e atualmente vivo em Santiago do Chile.

Estudei artes em construção civil em uma escola técnica da Alemanha com especialização em carpintaria. Deixei a Alemanha dez anos depois de me formar, em busca de algo novo, e vivi vários anos nos Estados Unidos da América, onde trabalhei na construção civil como empreiteiro.

Sempre me interessei por barcos, mas esse hobby não é fácil de ser praticado na Alemanha. Assim comecei a pensar na possibilidade de iniciar alguma coisa nesse sentido aqui no Chile, uma vez que tem oceano a beça em volta deste país e isso oferece muitas opções.

Com o intuito de me aproximar do meio náutico obtive uma carta de capitão e comecei a praticar vela num pequeno iate clube local, chamado Quintero. Tive sorte, pois logo após receber minha carta tive a possibilidade de participar de regatas patrocinadas por esse clube, me dando muito bem, ganhando muitas regatas, e foi então que decidi ter meu próprio veleiro, para que pudesse ir aonde quisesse e aproveitar o mar e a natureza da maneira que mais me aprouvesse.

Assim comecei a pesquisar como conseguir um bom veleiro a um preço accessível, porem comprar novo de fábrica estava fora de minhas possibilidades, e então pensei: por que não construir eu mesmo?

Depois de uma longa busca, finalmente encontrei o escritório Roberto Barros Yacht Design, (B & G Yacht Design), ficando bastante entusiasmado com seus projetos. Encomendei um montão de planos de estudos de vários projetistas diferentes, mas acabei por escolher um desenho desse escritório, porque queria um barco bem moderno, e gostaria de começar com um modelo espaçoso, que não fosse nem pequeno, nem grande demais, e que ficasse por um preço razoável.

Minha escolha recaiu sobre o Pantanal 25, e tão logo tomei essa decisão encomendei os planos. Então comecei a estudar o projeto sentindo diferentes preocupações; algumas vezes me questionando sobre minha habilidade de construir um barco com uma tecnologia que desconhecia, mas resolvi ir em frente pensando com meus botões: no final tem que dar certo, não importa as dificuldades, pois desejo fortemente ter meu barco!!!

Entrei em contato com Luis Gouveia, o engenheiro naval do escritório, consultando-lhe sobre algumas dúvidas sobre o processo e suas respostas vieram rápidas e bem claras. Então, decisão tomada, fiquei aguardando a chegada dos planos para começar a obra sem perda de tempo.

Comecei a construção do casco em março de 2009 adquirindo a madeira para fazer os strips do miolo do sanduíche. Foi tão rápido fechar o casco que mal acreditei que tinha realizado aquele trabalho sozinho. Fiquei fascinado como tudo ia dando certo e constatei que meus conhecimentos como construtor civil eram mais do que suficientes para seguir com a obra, isso acontecendo somente nas horas de folga de meu trabalho profissional. Agora está ficando difícil interromper a obra no fim do dia, isso depois de longas horas ocupado; é simplesmente fascinante esse desafio!!!

Terminei a construção do casco em quatro meses (só em minhas horas vagas). Então chamei um grupo de amigos para me ajudar a virar o casco, e agora o caminho está livre para construir o interior. A virada foi bem emocionante, uma vez que não sabia direito o que iria acontecer, mas no fim foi mais fácil do imaginei, e isso pode ser constatado nas fotos abaixo. Meu plano funcionou perfeitamente!!!

Também devo confessar: durante o dia, no meu trabalho formal, fico estudando o projeto, uma atitude quase ridícula, mas talvez aí esteja a resposta, pois tudo está dando certo até agora.

Minha experiência de construir um barco no Chile é controvertida, lamento dizer. Aqui não é propriamente o paraíso da construção amadora, uma vez que nem sempre é fácil adquirir os materiais específicos para a construção, e muitas empresas aqui só estão interessadas em vender por atacado, o que dificulta bastante para meu lado. Então me resta recorrer à Internet, à qual consulto por horas a fio tentando me contatar com uma miríade de pessoas até encontrar uma solução para o que preciso. Às vezes contacto Luis Gouveia para que ele me ajude a encontrar o que estou buscando.

Mas de uma forma ou de outra já obtive os materiais necessários. Cansou um pouco conseguir, mas agora estou satisfeito e posso prosseguir minha obra sem problemas.

Muitas pessoas estão acompanhando de longe minha construção e mostrando interesse no que estou fazendo. Já conversei com vários deles que se entusiasmaram com meu esforço. Esse é um aspecto interessante ao se construir seu próprio barco, esse de despertar o desejo dos outros.

Até agora trabalhei praticamente sozinho, uma vez que pretendo curtir ao máximo cada passo da construção. Como disse, sou muito minucioso quanto a detalhes, e por isso prefiro fazer tudo sozinho, exceto quando tiver que realizar esforços mais pesados, como por exemplo, agora, quando fui virar o barco. Estou ansioso em continuar a construção e não vejo à hora de estar velejando no barco.
Devo ser meio pirado, pois já estou pensando em construir um próximo barco do escritório Roberto Barros (B & G) Yacht Design, mas tenho que ter calma para acabar o Pantanal, e então decidir que barco fazer.
Agradeço ao escritório de projetos por ter tornado possível a um amador construir um veleiro de linhas modernas por um preço accessível e que ainda fosse empolgante de ser construído. Devo ainda ressaltar que eles oferecem um bom apoio ao construtor, se interessando pelo serviço realizado!!!
É fantástico comprar um barco novo direto da fábrica, todavia a experiência que estou tendo de construir meu próprio barco é simplesmente indescritível!!!

Também agradeço ao escritório de projetos por publicar essa carta relatando minhas experiências e as fotos da construção. Mando meu muito obrigado também para os amigos que me ajudaram na virada do barco. Manterei vocês informados sobre o prosseguimento da construção.
Um abraço a todos,
Capt. Mail Biela
Boat Builder

Clique nas fotos para ampliá-las

Clique aqui para saber mais sobre a classe Pantanal 25


Pantanal 25 em construção na Argentina - Daniel D’Angelo

Logo após ter construído o Sirius (primeiro Samoa 28 a ficar pronto) e ter desfrutado plenamente tanto de sua construção como de navegá-lo, encarei uma segunda construção, desta vez um Pantanal 25. Esse projeto me interessou particularmente por vários motivos, sendo sua versatilidade de calado, baixo peso e velocidade de construção seus maiores atrativos para mim.

Por ser um método construtivo parecido com o da construção do Sirius (sanduíche de espuma de PVC para o Pantanal 25 e sanduíche de strip-planking de madeira para o Samoa 28), estimei que a obra fosse ser concluída muito mais rapidamente do que a anterior (dois anos e onze meses)...e até agora não me equivoquei!

A espuma é mais fácil de ser manipulada do que tirar doce da mão de criança! Assim, em abril de 2009, começamos a construção do “Vega” Com a experiência adquirida e a certeza de poder fazer um bom barco, a obra avança rapidamente apesar do clima frio que temos por essas terras. Com o que ainda restava de outono terminei o casco externamente gastando um total de quinze dias para executar o trabalho. (No Sirius levei dois meses!) Atacando em várias frentes de trabalho simultaneamente, avançamos com a caixa da quilha, leme e fin-keel.

Quando retomei a obra no final de junho, o frio impedia fazer qualquer coisa com epóxi ao ar livre, e por isso tomei uma decisão radical: construiria a superestrutura em duas metades dentro do lugar fechado onde está instalada a nossa churrasqueira do jardim. Assim em menos de uma semana já tinha pronta a metade da frente do convés, que levei para o jardim abrindo espaço para construir a outra metade. Essa deu um pouco mais de trabalho uma vez que as balizas são mais complexas e pelo fato do espaço em volta da obra ser bem apertado, dificultando meu trabalho.

Antes de ter que interromper a obra por causa de minha atividade profissional, consegui construir toda a metade de popa e começar a revesti-la com fibra de vidro, deixando o serviço incompleto, mas faltando um dia no máximo de trabalho quando retomar a obra. Nesse meio tempo já encomendei a mastreação e as ferragens especiais e junto com Tomas Orcoyen, outro argentino que também está construindo um Pantanal 25, encomendamos a uma fundição o bulbo da quilha.

Na próxima etapa, em setembro, começarei a construções das anteparas estruturais, divisórias internas e móveis, coisas que devem levar umas duas semanas para serem completadas. Inicialmente usarei as velas do irmão maior, uma vez que elas não diferem muito em tamanho. É uma delícia trabalhar com sanduíche de espuma de PVC e fibra de vidro saturada com epóxi ... se tudo der certo e a Mãe Natureza ajudar, talvez o tenhamos na água antes do fim do prazo fixado de Dezembro de 2009...para mim um absoluto Record!!!

Estou bem ansioso para navegar no meu Vega e poder desfrutar do enorme cockpit que já esta lá para ser apreciado na metade de popa do convés. Que boa impressão causa nas pessoas que o vêem!

Veremos dentro em breve como meu novo veleiro irá se comportar em nosso traiçoeiro Rio da Prata. O barco promete ser veloz!!!

O geólogo argentino Daniel D'Angelo foi o primeiro construtor de Samoa 28 a lançar ao mar um desses barcos, e agora já é um velejador bem conhecido na Argentina e em outros países, em parte por seu excelente site na Internet: www.velerosirius.com.ar. Agora que está construindo o Pantanal 25 Vega deverá ficar mais conhecido ainda, uma vez que em dezembro provavelmente já deverá estar navegando

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Teste de mar para o Polar 65 Fraternidade

Nosso maior veleiro especializado para navegar em qualquer latitude, tanto em águas rasas como profundas, já tem sua primeira unidade em operação. Trata-se do Fraternidade, o barco que o conhecido navegador ucraniano/baiano, o engenheiro Aleixo Belov, construiu  para dar uma ambiciosa volta ao mundo pelos lugares mais interessantes do planeta, levando a bordo uma tripulação de cientistas, jornalistas, cineastas, mergulhadores e pessoas envolvidas com o mundo náutico.

O plano de Aleixo na realidade já começou a ser executado, com uma viagem teste de ida e volta de Salvador, onde o barco foi construído, até Fernando de Noronha.

Fraternidade ancorado em Fernando de Noronha. Foto Helio Viana

Aleixo é uma pessoa muito determinada e competente. Sendo um bem sucedido empresário, ele conseguiu organizar sua vida de forma a poder completar três voltas ao mundo em solitário sem que isso afetasse o crescimento de sua empresa de engenharia. É obvio que isso só foi possível graças à sua habilidade de colocar pessoa de confiança para realizarem as tarefas com a competência necessária para que sua firma não afundasse em sua ausência. 

Após sua terceira viagem de circum-navegação, um dia Aleixo se perguntou: e agora, que faço da vida? Tenho mais um filho? Não fazia sentido, pois já tinha uma grande família. Invisto no crescimento de minha empresa? Isso também não seria necessário, pois afinal ela de qualquer forma já estava se expandindo. Faço um novo barco altamente sofisticado tecnologicamente, um veleiro capaz de velejar nas piores condições de tempo e entrar nos lugares mais inaccessíveis? Porque não? Esse seria o tipo de desafio que sua mente irrequieta nunca iria deixar de desejar.

Na volta de sua terceira circum-navegação ele fez um charter de Ushuaya até a Península Antártica a bordo do veleiro Kotic, do físico russo Oleg Belly, um iate polar construído por ele em Dois Córregos, interior de São Paulo, barco cujo principal atrativo era sua quilha pivotável, sua firme preferência para o trabalho de turismo náutico nas condições prevalecentes nas regiões antárticas, onde a possibilidade de reduzir calado permite encontrar refúgios contra icebergs com muito maior facilidade. De volta ao Brasil, Aleixo foi informado que o escritório de projetos de iates com mais experiência em projetos de veleiros polares no Brasil era o nosso, se fosse levado em conta o aprendizado adquirido durante o desenvolvimento do projeto do Paratii I, de Amyr Klink, e posteriormente com o desenvolvimento de outros projetos de calado regulável com sistema de quilha pivotável. Essa experiência prévia deve ter sido o fator predominante para que tenhamos obtido a encomenda para desenvolver o projeto.  

O Polar 65 tem um layout interno excelente para serviço de charter em altas latitudes. A caixa da quilha pivotável no centro do barco favorece a colocação do salão social na parte de ré do barco, basicamente sob o cockpit.

Fortemente influenciado pelas ideias de Oleg, Aleixo veio ao nosso escritório com um rolo de rascunhos desenhados em papel manteiga com os rabiscos do barco que desejava construir. Ele estava pensando em um casco multi-chine para ser construído em aço, obviamente com uma quilha retrátil pivotável. O barco seria suficientemente grande para que a caixa da quilha se estendesse do fundo do casco até o convés, ficando as acomodações do interior distribuídas em torno desta caixa. A quilha deveria descrever um arco de praticamente 90° quando totalmente recolhida, desta forma reduzindo o calado de 4.50m para 1.50m, e ao longo deste percurso seria instalado uma inovadora cremalheira que bloqueasse sua posição em qualquer altura, uma segurança em caso do sistema de içamento se romper.

Assumimos a tarefa de projetar esse barco como uma grande oportunidade de criar alguma coisa realmente pioneira. Nosso acordo com Belov seria a de que o projeto ficaria como nossa propriedade, uma vez que ele não tinha interesse em exclusividade.

Em compensação oferecemos o serviço de alterações que desejasse efetuar durante a elaboração do projeto, o que acabou sendo um bom acordo para as duas partes, uma vez que ele apresentou durante o processo de elaboração varias novas sugestões bastante interessantes. O plano de estoque ficou com um estilo mais ao gosto do iatista comum, enquanto seu barco foi assumindo as características de um barco de serviço, no entanto os cascos permaneceram idênticos

O estilo mais sofisticado que desenvolvemos para o Polar65 em alguns aspectos difere do Fraternidade, mas essa é uma vantagem da construção metálica, que contempla essa possibilidade de alterações de acordo com as preferências de cada um. Renderização: www.ideebr.com

Aleixo levou aproximadamente cinco anos para realizar a construção, usando suas instalações e o pessoal de sua caldeiraria para tocar a obra. Sua criatividade e competência foram marcantes, e, levando em conta que ele se dedicou de corpo e alma na produção do barco, o Fraternide acabou se tornando um dos iates polares com uma engenharia das mais avançadas que se tenha produzido até hoje, uma boa oportunidade para nós do escritório, pois  com um cliente tão determinado e competente, pudemos acompanhar o desenvolvimento de muitas idéias interessante que foram aplicadas em seu barco e assim testar algumas opções diferentes das que teríamos produzido sem sua solicitação, sem precisar adotá-las no projeto de estoque. O resultado dessa parceria é que todos nós ficamos satisfeitos após um tremendo processo de tempestade cerebral.

Desejando passar a maior parte de seu tempo daqui para frente a bordo de sua máquina de expedições, não é de se estranhar que o Fraternidade tenha se tornado uma luxuosa residência, com quadros a óleo pendurados nas paredes e um salão social digno do aconchego de uma pousada de luxo. No entanto nem por isso o barco deixou de ser uma funcional embarcação de serviço, um bom exemplo disso sendo as instalações na cabine de comando que mais se parecem com um flybridge de navio do que o pilot-house de um simples iate. Nesse ambiente está instalada uma mesa de navegação do tamanho utilizado em navios, sob ela existindo um compartimento com lugar para estocar com sobras cartas náuticas do mundo inteiro, simetricamente a ela existindo um beliche para o navegador fora de quarto. O painel de instrumentos rivaliza-se com o de uma nave espacial.

A lista de equipamentos de navegação no pilot-house inclui piloto automático, radar, chart plotter, estação metereológica, VHF, SSB, uma bússola acoplada a três GPS que permite a leitura do rumo verdadeiro com absoluta precisão e o instrumento AIS, um detector automático de tráfego. Foto Helio Viana

Fraternidade foi lançado à água no início de 2009, no entanto seu dono só se sentiu suficientemente preparado para começar a utilizá-lo seriamente agora em julho, quando decidiu realizar um primeiro teste de mar mais sério, programando uma viagem de ida e volta de Salvador a Fernando de Noronha. Juntando uma tripulação de amigos e pessoas que ajudaram na construção, Aleixo saiu para o seu primeiro teste levando a bordo dois bons amigos nossos e também nossos clientes, pois construíram o hoje já legendário Samoa 29 Maraccatu, www.maracatublog.wordpress.com, a bordo do qual estão vivendo há quase dez anos, com ele já tendo navegado dezenas de milhares de milhas.

A primeira observação relevante que Hélio constatou foi a de que com as respeitáveis doze toneladas de peso da quilha móvel e seus incríveis 6.70m de boca, o barco nunca adernava além de cinco graus de inclinação, nem mesmo quando encontrava aqueles pirajás típicos dos alísios, quando entram rajadas bem fortes por alguns minutos. Aleixo então rizava as velas de proa no enrolador, muito mais para poupar o pano do que sua mastreação. O convés corrido desimpedido e a facilidade de manobras também impressionaram muito nossos amigos que se sentiam como se estivessem num navio de cruzeiro.

Velejando no contravento Fraternidade mal sentiu a força do vento . Aquele corredor de madeira é a tampa da caixa da quilha. Foto Helio Viana

A viagem a Fernando de Noronha foi bem tranquila, sem contratempos, e a tripulação aproveitou para apreciar sofisticadas refeições e curtir bastante a velejada. O barco provou-se ser tão fácil de manobras que até um navegador solitário poderia conduzi-lo.

Hélio ainda encontrou algumas pequenas coisas que precisam ser melhoradas, como, por exemplo, a falta de alças para se segurar dentro do banheiro e gancho para pendurar o chuveirinho tipo telefone, nada que não pudesse ser instalado numa próxima escala. Em seu caderninho de anotações Aleixo anotou nada menos do que cinqüenta itens a serem revisados ou melhorados, mas afinal de contas, teste de mar é para isso mesmo.

Nosso amigo ficou vivamente impressionado com o conforto do salão social. O enorme sofá em U circundando duas amplas mesas tem lugar suficiente para umas vinte pessoas se sentarem confortavelmente, com espaço de sobra para fazerem uma refeição. Uma cozinha completa a bombordo e um centro de comunicação do lado oposto, fazem desse ambiente o mais agradável que se possa encontrar no interior de um veleiro deste porte.

O Polar 65 Fraternidade já é parte do cenário náutico da Bahia. De agora em diante deverá ser visto nos mais diferentes lugares, em qualquer latitude. Foto Helio Viana

Aleixo está bastante contente com seu barco, apesar dos cinqüenta itens a serem revisados ou melhorados antes da próxima saída mais prolongada. Para nós também é um motivo para comemoração ter um veleiro polar tão fora de série cruzando os mares em alto estilo.

Enquanto isso um novo Polar 65 se acha em estágio adiantado de construção no estaleiro Metallic Boats, www.metallicboats.com.br, em Triunfo, Rio Grande do Sul. Isso significa que em breve teremos dois desses gigantes  navegando por aí.

Como temos recebido consultas sobre o projeto desde muitos países, como Noruega, Escócia, Canadá, Estados Unidos, Austrália...esperamos que a carreira do Polar 65 esteja só engatinhando e que outros barcos da classe serão construídos no futuro.

Polar 65: Um veleiro para navegar em águas rasas e profundas. Renderizações: www.ideebr.com 

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Multicichine 28 sendo construído no noroeste dos Estados Unidos.

A classe MC28 tem mais um casco concluído e virado de cabeça para cima. Desta vez a novidade veio do Estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos.

Nosso cliente, David Cross, fez um excelente trabalho e seu casco está um primor de bem construído. É bom saber que Dave superou a primeira fase da construção sem encontrar dificuldades. De agora em diante ele irá achar mais empolgante seu trabalho, uma vez que no final de cada dia irá ver seu barco ficando cada vez mais parecido com o que será quando ficar pronto.

A turma que veio ajudar na virada.

Somente aqueles que já construíram sabem avaliar a sensação que se tem quando se chega a esse estágio da obra. De agora em diante você está construindo sua futura casa flutuante, (afinal nessa altura do campeonato o barco já até flutua, não é?), e uma vez que o interior é construído antes de fechar o convés, tão logo os assentos da dinete já estejam fabricados, já dá até para tomar uma cervejinha a bordo com os amigos, comemorando cada estágio da construção.

Até aqui tudo bem!

A classe MC28 está se tornando conhecida como sendo um fantástico veleiro de cruzeiro para uma pequena família. Ele é tão fácil de velejar e requer tão pouco esforço ao leme, alem de ser super-estável, que vai se tornando rapidamente o modelo preferido por casais de classe média de todas as idades com sonhos de realizar cruzeiros oceânicos que nos procuram para adquirir planos de um projeto para construção amadora. A classe já tem até casais com bebê morando a bordo, como mostramos na matéria publicada há pouco tempo, MC28 Vagamundo. Bebê a bordo.

Com dezenas desses barcos sendo construídos, ou navegando, nos mais diferentes lugares, não é improvável que, uma hora dessas, eles comecem a se encontrar nos ancoradouros dos lugares mais paradisíacos. Embora tenhamos outros barcos de nosso escritório sendo fabricados na costa oeste dos Estados Unidos, Dave é o primeiro que constrói um MC28 na região de Seattle.

O estágio final da virada do casco.

Trabalhando somente em suas horas vagas, Dave acredita que ainda levará uns dois anos para acabar a construção. Nós do escritório B & G Yacht Design vamos ficar bem felizes em saber que tem um MC28 navegando naquele verdadeiro paraíso que é a região de Puget Sound, Ilhas San Juan, e mais ao norte, de Vancouver no Canadá.

Dave nos informou que no seu estado não é fácil encontrar uma fundição que queira fazer uma quilha em ferro fundido, e nos pediu uma alternativa para fazer seu fin-keel.

Já tínhamos sido informados por nossos construtores de MC28 europeus que lá também ninguém quer fundir uma quilha de mil e duzentos quilos, que não é pesada o suficiente para dar um bom lucro, nem pequena o bastante para ser fabricada com a sobra de ferro gusa de outra peça maior.  

 

Casco já virado de volta ao galpão onde foi construído. (Se o navio do quadro é o Titanic, estamos confiantes que o barco do Dave deverá ter muito melhor sorte)

Para resolver esse problema projetamos uma quilha em caixa de aço para ser preenchida com chumbo, uma solução bem simples que pode ser construída em qualquer boa caldeiraria. A tampa desta caixa é uma chapa com 15mm de espessura onde os parafusos de fixação são atarraxados diretamente nela. Essa quilha é tão boa quanto a original, talvez até melhor, pois ficando com peso idêntico e centro de gravidade na mesma posição da de ferro fundido, acaba fazendo menos resistência, pois prescinde do bulbo em baixo. Oferecemos o plano da quilha alternativa ao Dave e ele gostou da idéia. Outra coisa que poderíamos ter sugerido seria a importação de uma quilha em ferro fundido fabricada no Brasil, mas desta vez preferimos não nos envolver e deixar isso para outra oportunidade.

Dave também nos pediu um plano vélico opcional com mais um metro de comprimento de mastro e com dois pares de cruzetas. Como ele não pretende atravessar um oceano pelos “roaring forties” em pleno inverno, e deseja competir em regatas tipo “club-races” em sua região, o fato de o barco ser cat. A de acordo com a norma de estabilidade para veleiros estabelecida pela União Européia (STIX), para ele não faz diferença, pois não pretendendo sair daquele golfo onde irá velejar, que é um verdadeiro mar interior, e onde os ventos predominantes são bem fracos, o barco ser um categoria B está bom demais. Afinal de contas quase a totalidade dos barcos de seu porte são categoria B.

Vamos aproveitar a oportunidade para oferecer aos futuros construtores de MC28 essa segunda mastreação com mais área vélica, desta forma ajudando o pessoal de Angra, Ilha Bela e outros lugares onde os ventos predominantes sejam fracos que também queiram fazer regatas locais. Mas a turma que quer fazer cruzeiro oceânico sempre deverá optar pela mastreação original, pois o barco não precisa provar que é um super-veleiro, capaz de vencer regatas de percurso, como a Recife/Fernando de Noronha, em sua classe, como fez o Makai na regata de 2008.

À medida que Dave avance na construção do interior e do convés, ao receber novas fotos, desejamos fazer novos artigos sobre esse MC28. Desde o início da carreira do projeto, sempre tivemos um especial carinho por essa classe e ver surgirem novos barcos em diferentes lugares é a maior remuneração por nosso trabalho que poderíamos esperar..

Dave, ajoelhado, e os amigos que o ajudaram na virada.

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A classe Multichine 26C alarga seus horizontes

Essa novidade veio de Ancara, Turquia, e vai animar muita gente por aqui que está construindo o MC26C. Nosso cliente Ömer Kircal, que está terminando a construção de um desses barcos naquele país, nos mandou uma sensacional seção de slides do seu praticamente concluído *Evrensel *(quer dizer universal em turco.)

Os slides são particularmente interessantes porque cobrem todas as fases da construção, desde a montagem de um abrigo improvisado feito com plástico vinílico, até a colocação de um forro no teto da cabine, usando espuma como isolante térmico.

Achamos as fotos super interessantes pelo seu conteúdo didático e as vimos repetidas vezes para absorver os detalhes de toda a construção. As legendas estão em turco, o que para nós é grego, mas para quê ler legendas com fotos tão ilustrativas.

Ömer, com a colaboração de sua esposa e amigos realizou um trabalho fantástico. Para nós do escritório B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) o trabalho da família Kircal é especialmente gratificante. Primeiro por ter achado os planos suficientemente claros e o roteiro bem explicado a ponto de ter realizado a construção sem requerer nenhuma ajuda extra de nossa parte, apesar de termos oferecido apoio quando sentisse alguma dificuldade. Além disso, o trabalho de Ömer e companhia é de altíssima qualidade. E para completar, que acabamento charmoso os Kircal estão dando ao barco! Esse barco todo estofado e decorado vai ficar um show de bola! As pastilhas no banheiro estão no limite da fantasia, mas como no mais o barco está rigorosamente dentro do projeto, o peso extra que elas representam é aceitável. Graças ao bom gosto e ao capricho da família Kircal, é difícil de acreditar que esta seja uma construção amadora.

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Kiribati 36 Green Nomad avança na construção do interior

O engenheiro Luis Manuel Pinho, que com sua esposa Marli Werner navegou por dez anos a bordo de um veleiro de aço de trinta e seis pés, o Green Nomad, viajando pelas  mais remotas ilhas do Pacífico Sul, é agora colaborador do escritório B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil), como yacht designer e consultor técnico para construção em alumínio, uma especialidade que conhece muito bem.

Luis Manuel vendeu seu barco anterior na Austrália, e, de volta ao Brasil, projetou em equipe com nosso escritório o Kiribati 36, aproveitando a oportunidade para fazer um novo Green Nomad a partir deste projeto.

O casal vai progredindo a toque de caixa na construção e por essa altura o interior já está bem adiantado. Vocês que acompanham a saga do casal cruzeirista/construtor vão gostar de saber as novidades contadas por Luis Manuel:

Estamos impressionados com a rapidez que pode ser atingida na marcenaria do interior do barco se esta tiver sido modelada previamente em 3D no computador e depois planificada.

Há menos de dois meses iniciamos a obra de madeira. Vejam nas fotos abaixo o estágio atingido!

  Dia do Lançamento                                      Menos de 2 meses de trabalho depois!

O ideal seria mandar cortar os compensados por CNC, mas, como todo construtor amador, as finanças andam um pouco justas, de modo que o CNC foi um pouco rústico.

Utilizando a planificação das peças do interior feitas no computador, iniciamos o nosso próprio CNC ( Copy n Cut :). Eu arranjo as peças no espaço de uma folha de compensado usando o software, e copio à mão para uma folha de papel com as cotas. Com isso vamos para um galpão e transferimos o desenho para as folhas reais de compensado, e, usando serra tico-tico, cortamos as peças.

Fazemos tudo assim. As peças vêem para o barco já com todos os encaixes, rasgos para as longarinas etc. Com mínimos ajustes uma antepara vai para o lugar. Chegamos a colocar três anteparas num dia!

Passando o desenho à mão para uma folha...

Copiando em cima do compensado...



Anteparas cortadas e prontas para entrar em casa!

Estamos fazendo tudo sozinhos, e surpresos pelo rendimento. Fora os incontáveis espirros devidos à poeira, está sendo uma experiência bastante interessante.

A cada dia o conforto aumenta. Mal uma peça vai para o lugar e o aspirador e pano úmido já a preparam para entrar em serviço naquela mesma noite!

Sofá em acabamento...

Sofá em uso!

Um detalhe interessante: Um amigo que está restaurando o famoso Madrugada, campeão de tantas regatas de oceano, nos ofereceu a antiga mesa de navegação do barco, e ela vai servir exatamente no lugar destinado no Green Nomad!

A mesa de navegação do Madrugada sendo restaurada para voltar a navegar!

Uma coisa interessante é a precisão dimensional do barco. As peças do interior modeladas em 3D com base na estrutura de alumínio que foi cortada por CNC se encaixam perfeitamente, com diferenças desprezíveis em relação ao tamanho teórico.

Da parte básica da marcenaria estrutural só faltam agora a área da mesa de navegação e o banheiro. Depois acabamentos, piso e forração das paredes e teto, que vamos fazer com um material branco feito com plástico reciclado.

Como nem tudo é trabalho, vamos re-encontrando velhos amigos em Porto Alegre. Como hoje quando recebemos a visita do Anselmo e Tânia, do Taihú, o Multichine 37, um clássico do escritório B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) que foi para o Caribe no mesmo ano que nós, em 1997.

Pausa para descanso e papo com o Anselmo e a Tânia, do Taihú

Luis Manuel e Marli
Kiribati 36 Green Nomad
Luisdesenhos@gmail.com

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Bora-Bora 28 Flor Dágua, um símbolo de felicidade completa.

Ficar costeando um litoral tropical, passando sobre bancos de areia e cabeços de recifes de coral a bordo de um catamarã de baixo calado, pode ser uma das experiências mais prazerosas que um veleiro de cruzeiro possa proporcionar.

Diferentemente dos catamarãs de cabine central, o Borá-Bora 28 tem suas acomodações, como cozinha, sala, banheiro e beliches, dentro dos flutuadores, enquanto que a resistência lateral e o controle dos lemes são providos por bolinas e lemes pivotantes que podem ser levantados quando desejado. Isso permite que o barco seja muito leve e cale escassos 0.28m quando os apêndices estão levantados

A decisão de desenhar um catamarã com essas características surgiu quando nossa especialista em dinâmica dos fluidos, Astrid Barros, ainda estava fazendo o curso de doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela tivera a oportunidade de participar da regata Recife – Fernando de Noronha a bordo de um trimarã de 40 pés de alta tecnologia construído na França, tendo a bordo uma tripulação totalmente feminina, quando seu barco foi o segundo a cruzar a linha de chegada, pouco atrás de outro catamarã quase o dobro do tamanho que era o absoluto favorito para vencer a prova.

Essa experiência despertou em Astrid um gosto todo especial por multicascos, deixando-a entusiasmada para projetar um catamarã com algumas idéias próprias.

Astrid, vestindo camisa branca, é a segunda da direita ajudando a içar a vela grande do trimarã Bahia durante a regata Recife-Fernando de Noronha de 2002. Pelo segundo lugar conquistado na regata as meninas receberam como prêmio um fogão de seis bocas, uma para cada tripulante.

Naquela época o escritório B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design) não tinha multicascos em sua lista de projetos de estoque, e por essa razão foi com grande entusiasmo por parte de toda a equipe que o projeto do Borá-Bora 28 foi desenvolvido, nisso incluído um plano da Astrid de construir um desses barcos para si, com o qual pudesse realizar um cruzeiro pelo litoral brasileiro, parando de praia em praia para pernoite, aproveitando o baixíssimo calado do projeto para poder passar pelas barreiras de coral que separam as inúmeras lagunas do oceano ao longo do litoral nordeste brasileiro.

O projeto final, especificado para compensado naval revestido de fibra de vidro, foi totalmente voltado para a construção amadora. Especificado com dois cascos simétricos em duplo chine, unidos por duas vigas, tipo caixa retangular, construídas em madeira, esse foi o barco mais simples que poderia ser desenhado sem abrir mão da qualidade de seu desempenho.

Outras prioridades impediram Astrid de construir uma unidade desse projeto logo na primeira hora, mas isso nem foi problema, pois tão logo o projeto foi disponibilizado em nossa lista de planos de estoque surgiram vários interessados, e em pouco tempo a primeira unidade começou a ser construída.

Nosso cliente foi o empresário baiano/espanhol Carlos Mario Pedregal, que viu no Borá-Bora exatamente o barco que estava procurando. Apesar de nunca ter construído um barco antes, Carlos Mario encarou esse desafio com muita determinação e foi o primeiro a completar a construção de um barco da classe, o Flor D’água.

Em setembro de 2005 Flor D’água participou da regata Recife - Fernando de Noronha, quando teve a oportunidade de provar o quanto veleja bem. Tradicionalmente os barcos da B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) representam em média mais de dez por cento do número de barcos inscritos na regata. Nesse ano a equipe do escritório estava a bordo do MC28 Fiu, que por estar inscrito na categoria dos menores monocascos da competição, saiu no primeiro pelotão.

Flor D’água foi com os outros multicascos os últimos a partirem, vinte minutos após o primeiro tiro.Em menos de uma hora Roberto e Eileen Barros, a bordo do Fiu, viram Flor D’água,  seguido de um outro catamarã de sessenta e cinco pés, passarem como bólidos por eles, como se o MC28 estivesse parado. Por problemas de estréia Flor D’água acabou não se classificando muito bem, mas logo na regata seguinte, a Fernando de Noronha – Natal, foi o vencedor na classe multicasco.

De volta a Salvador, após mais de mil milhas navegadas, Carlos Mario passou a usar seu barco para outras finalidades ainda mais sedutoras, como cruzeirar com sua família pelo fantástico litoral do recôncavo baiano. As fotos que mostramos abaixo demonstram bem isso e são de dar água na boca.

Enquanto isso o sonho da Astrid de construir um Bora-Bora não se esvaneceu. Ela e seu marido Luis Gouveia construíram o Oa-Oa no centro de construção amadora do Clube São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Por má sorte, quando o barco ficou pronto, o escritório foi transferido para Perth, Austrália Ocidental, e foi mais simples venderem o barco do que levá-lo até lá. Afinal de contas, quando se deseja muito, sempre dá para começar de novo.

O melhor lugar para estacionar o barco num domingo de verão.

Crianças felizes, velejada bem sucedida.

A água pode estar morna, mas a cerveja está geladinha.

A bordo do Bora-Bora 28 tem lugar para qualquer fantasia.

Calado reduzido é hoje em dia uma das virtudes mais desejadas em um veleiro.

O banheiro do Bora-Bora é bastante espaçoso

O convés do Flor D’Água é suficientemente grande para se promover um bailão.

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Multichine 23 Nuuk, um bom exemplo de construção amadora

A construção amadora é um hobby bastante gratificante. Você pode fazer um barco muito mais bonito e aconchegante do que os fabricados em série; se diverte pra caramba superando cada desafio da construção e no fim tem uma embarcação com uma qualidade difícil de ser igualada a um custo imbatível. Daí em diante sua criação está prontinha para lhe oferecer outro tipo de diversão, a de realizar os cruzeiros sonhados durante o tempo da construção.

Nosso cliente Valdir Rau, de São Paulo, Capital, é um bom exemplo de construtor amador. Ele adquiriu o projeto do MC23 ainda na versão MKIII, e com pouco tempo livre para fazer o barco, foi construindo sem pressa em suas horas folga. Agora vejam que maravilha de bom gosto e acabamento ficou o Nuuk.

Para nós do escritório B & G Yacht Design, um cliente nosso sem experiência anterior que constrói um barco tão bem-feito como ficou o Nuuk é um grande incentivo para o nosso trabalho, pois demonstra todo o potencial do projeto.

Valdir Rau e seu filho Felipe terão agora seu barco prontinho para ir aonde quiserem, e não importa onde chegarem, o Nuuk será motivo de admiração por parte de todos que o visitarem.  Nossos clientes que estão construindo o MC23, apesar dos barcos terem diferenças importantes em suas especificações, irão se sentir incentivados em ver um interior de MC23 tão bonito. A opção do Valdir de instalar um fogão com forno em nossa opinião não é a ideal, mas se para ele isso é uma prioridade, tudo bem. Mas a foto do interior do Nuuk mostra bem como um barco de orçamento modesto e construção simplificada como é o MC23 pode ser tão confortável e aconchegante.

Nuuk pronto para ir para a água

O interior do MC23 MKIV Nuuk é extremamente aconchegant

Clique aqui para outras informações sobre o Multichine 23 MKIV


Samoa 34 Zait – vídeo do lançamento

Flavio Rodrigues, o diretor dos estaleiros Flab, www.flab.com.br, orgulhosamente anuncia o lançamento do Zait à água. Recentemente publicamos em nossas notícias a matéria – “Samoa 34 Zait, um toque de classe na construção madeira/epóxi”, reportando a conclusão dessa obra. Agora divulgamos o vídeo produzido por seu filho Ivan Rodrigues, com direito a música especialmente composta para o evento. Daniel Sequerra, proprietário do Zait, é o iatista mais contente com seu barco que conhecemos.

Parabéns para o Flavio, pelo excelente trabalho, para o Ivan, pelo vídeo artístico que produziu e para o Daniel, pelo lindo barco. Veja a mensagem e o vídeo em seguida:

Aos meus amigos.
Dia 02 de junho, terça-feira passada, mais uma vez tive a oportunidade de sentir a emoção de lançar um barco ao mar.

O ZAIT, do nosso querido amigo Daniel, flutuou delicadamente e como se já soubesse que o mar será seu mundo, navegou belo e formoso ao comando do seu capitão.

Foi um breve momento, porém o suficiente para demonstrar a grandeza e a soberania  do projeto do SAMOA 34  dos mestres Roberto Barros e Luis  Gouvêia.

Com a intenção de compartilhar esta emoção com todos os amigos, convido-os à visitarem o filme do momento em que o ZAIT foi ao mar.

Flavio Antônio Rodrigues
Tel: 019 97676161

CLIQUE NA FOTO PARA ASSISTIR O VIDEO

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Atairu, mais um MC28 navegando

Temos mostrado regularmente fotografias de diferentes Multichines 28 em nosso site, todos eles apresentando interiores aconchegantes e convidativos. No entanto, como existem muitos desses barcos em construção ou sendo terminados, quase sempre com seus proprietários em verdadeiro estado de graça com suas obras e tendo os mais diferentes planos, desde morar a bordo até realizar cruzeiros internacionais, é mesmo de esperar que continuemos recebendo mais fotos dessa empolgante classe.
Às vezes nos perguntamos por que tantas pessoas em diferentes países escolheram o MC28 como o barco de suas vidas. Em vez de expressar nossa opinião preferimos ouvir o que alguns proprietários têm a dizer. O mais recente e-mail que recebemos veio de Porto Alegre.  Nossos clientes, o engenheiro Antonio Piqueres e sua esposa Ivana nos escreveram:

“Cabinho e demais do escritório, como é bom viver a bordo. O MC28 é um barco completo. Estas fotos foram feitas ontem, um arroz com linguiça acompanhado de um bom vinho tinto (claro que antes um chimarrão para abrir o apetite). No Atairu tudo está funcionando normalmente, com todo conforto a bordo (temos geladeira - a Ivana sugere a geladeira na frente das cubas da pia, ou que o assoalho na frente do fogão seja um pouco mais alto para facilitar o acesso) e água quente.

O Atairu está virando uma casinha (é assim que algumas pessoas chamam o barco aqui no clube). As velas chegaram e assim que forem colocadas vamos enviando nossos comentários de velejadores iniciantes - colocando nossos erros e acertos. Acredito que vai ser legal para incentivar muitas pessoas. Já estamos planejando nosso primeiro cruzeiro - será de cinco a sete dias no Rio Guaíba (vai ser um bom teste). Para navegarmos pelo Guaíba temos que ter o maior cuidado, pois existem muitos baixios, mas aonde der para passar, nós estaremos lá.

Quem sabe não nos encontramos na Austrália? Tudo começa com dando o primeiro passo, ou melhor, soltando as amarras (acho que o Atairu, às vezes, reclama de ficar atracado no píer...)
Um abração para todos vocês e bons ventos para todos...

               Ivana e Piqueres”

A cozinha do MC28 é de dar água na boca a muito dono de veleiro de trinta e cinco pés.

Dá para acreditar que esse barco tenha apenas 28 pés do bico de proa ao espelho de popa? Note a indispensável cuia de chimarrão sobre a bancada. Afinal o Atairu é o representante gaúcho da classe.

As madeiras claras utilizadas no interior do Atairu ajudaram a ampliar a impressão de espaço no salão.

Ivana e Piqueres brindando a refeição de primeira classe preparada a bordo, regada a um bom vinho tinto da serra gaúcha.

Atairu amarrado ao píer do Clube Jangadeiros às margens do Rio Guaíba.                

***

Outro eloquente e-mail que recebemos veio do Canadá. Beto Roque, dono do Stella Del Fioravante nos escreveu de Calgary, estado de Alberta, no oeste daquele país.

O Fiori, como ele carinhosamente o chama, encontra-se estacionado no Iate Clube de Florianópolis e é seu refúgio do rigoroso inverno canadense. Achamos particularmente interessante o e-mail do Beto, porque ao contrário da maioria dos outros proprietários de MC28, ele tem tido oportunidade de velejar em outros barcos, e as comparações que faz com seu MC28 são valiosas, até mesmo para nós que o projetamos:

“Estive velejando por uma semana na West Coast (Wet Coast, como é conhecida aqui por causa do clima de muitas chuvas). Fomos em um grupo de 5 veleiros, eu estava num veleiro de série de produção francesa de 34 pés com mais dois amigos. Os outros barcos eram maiores, entre 43 e 46 pés. Houve um dia de regata e conseguimos vencer no tempo corrigido. Não gostei do barco, apesar de ser muito confortável. Detestei "in-mast-furling" e nunca instalaria em um barco meu. A coisa é muito propensa para encrencar. O barco tinha muita propensão para atravessar, e de fato atravessamos várias vezes. O vento estava uns 12 a 15 nós, mas as rajadas aumentavam muito depressa, e não dava para segurar o barco. Rizando a gente não andava, e em alguns segundos aumentando de 15 para 18, ficava difícil de controlar e passando dos 20 a gente atravessava. Com somente 20 nós, vento de traves e um pouco no quarto, a gente tinha que andar com ambas as velas rizadas pela metade. Até os barcos grandes atravessaram. Eu tenho a impressão que o leme era subdimensionado e que o plano vélico colocado um pouco mais na frente. Ouvi dizer que esses mesmos barcos que eles fazem para o mercado Europeu são muito melhores do que o que fazem para o mercado Norte Americano de charter. Sem querer parecer muito convencido (se bem que os Canadenses provavelmente acharam que eu estava contando muita vantagem do meu Fiori), o Fiori enfrenta 25 nós sem problema algum. Indo para Florianópolis a gente estava com o pano todo e o piloto automático tocava sem reclamar, nunca tivemos que por as mãos no leme, exceto para fazer algumas correções e para atracar ou ancorar, porque daí já é pedir muito.  A gente sabia que tinha que trocar a genoa, porque o barco estava andando muito, mas o mar estava meio irritado e eu não tive peito de ir para a frente, o Moura também não, e a gente deixou daquele jeito mesmo e o barco andava estreito que nem uma fecha. Não entendo porque alguns projetistas de barcos de série ou de charter não conseguem fazer um barco que preste. Se o barco andasse com vento leve, ainda seria aceitável; anda  com vento leve e tem dificuldades com brisas, mas com vento leve o barco pára e quando a brisa aumenta o barco não gosta, em resumo o barco não gosta de velejar. Só é bom para cozinhar e tomar sol no convés e beber cerveja ou vinho quando está docado.

Coloquei meu barco na água este fim de semana (um  26 pés water ballast), meu filho me ajudou e veio velejar comigo. Quase a mesma coisa, barco muito bom até 12 nós, depois fica difícil de controlar. Tem que rizar ou estar muito esperto nas rajadas.  Que saudades do Fiori. Espero poder ir para o Brasil o mais depressa possível para velejar naquele safado. Assim que resolver tudo, vou passar mais tempo no Brasil. Como eu disse, gostaria de ir até Fernando de Noronha, e se isso acontecer, fico uns dias na Marina da Gloria e te convido para matar as saudades. Quem sabe você acaba indo para Noronha comigo, seria um privilégio para mim.

Um grande abraço,

Beto”

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Samoa 34 Zait, um toque de classe em construção madeira/epóxi

Deve existir alguma coisa lúdica sobre o Samoa 34. Por alguma razão quase exotérica, cada novo barco deste desenho se sobressai como uma obra de arte em construção madeira/epóxi, ao ponto de interessar revistas especializadas em publicarem matérias sobre eles. Há pouco tempo escrevemos um artigo sobre o lançamento do Luthier, um Samoa 34 de construção amadora tão bonito que o nome que mais se adequaria chamá-lo seria sem dúvida o seu. As fotos mostradas no artigo que escrevemos sobre ele: “Samoa 34 Luthier, um veleiro bem afinado” (veja o artigo rolando a página: Todas as notícias), são uma boa testemunha de nossas palavras.

Zait, o mais recente membro da classe é mais um Samoa 34 para confirmar essa tradição. Construído pelo Estaleiro Flab, de Campinas, estado de São Paulo, esse novo Samoa 34 é motivo de grande orgulho, seja da parte de seu construtor, Flavio Rodrigues, seja de seu dono, Daniel Sequerra.

Daniel é um apaixonado por barcos clássicos construídos em madeira, desprezando solenemente os barcos de plástico de série tipo saboneteira. Quando chegou a hora dele escolher um iate para cruzeirar com sua família, não hesitou um segundo para escolher o Samoa 34 dentre nossa lista de planos de estoque. Não que o projeto do Samoa 34 seja o de um barco clássico, o que ele definitivamente ele não é, mas por ser um barco de madeira e com ele trazer agradáveis lembranças de sua infância e juventude, quando velejava a bordo do iate de seu pai cujo interior era todo envernizado.

Quando conhecemos Daniel ainda trabalhávamos no escritório do Rio de Janeiro. Naquela época não conhecíamos sua obsessão por designs de linhas clássicas.

Quando ele estava procurando entre nossos projetos de estoque, assim que bateram os olhos no Samoa 35 ele disse: esse é o barco!

Quando ainda era garoto costumava velejar com seu pai num veleiro com a assinatura Sparkman Stephens, o orgulho da família, e as boas memórias daquelas velejadas nunca se apagaram.

Daniel nos pediu que o indicasse um construtor para seu barco e sugerimos que visitasse o estaleiro Flab para conhecer de perto o bom trabalho que aquele estaleiro realizava. Assim ele fez e em um piscar de olhos o Zait já estava sendo construído. Somente bem depois foi que, navegando em nosso site, Daniel descobriu nosso Aventura 40, o barco clássico que desenhamos mais para vencer o desafio de fazer um barco exatamente no estilo da década de cinqüenta, mas com métodos de construção atuais.

Se soubesse de antemão da existência deste projeto, o Aventura 40 teria sido sua escolha inevitável. Mas então já era muito tarde, agora só restando a possibilidade dele um dia querer fazer um novo barco.

Mas nada iria deter o tremendo entusiasmo de Daniel em construir o mais sofisticado Samoa 34 já fabricado. E é esse barco que orgulhosamente mostramos nas fotos no fim deste artigo. Vocês poderão constatar como o Zait é de fato uma verdadeira obra de arte.

Se existe uma unanimidade entre os donos de Samoas 34 é o fato de que seu comprimento, sua área vélica e seu peso total estão próximos do máximo para que um casal possa manobrar sem ser muito cansativo. Por outro lado o layout interno é praticamente o de um pequeno apartamento, com acomodações práticas e confortáveis da antepara da proa até o espelho de popa. O pé direito em todo o barco é excelente, o barco tem duas cabines com cama de casal, o banheiro é suficientemente amplo para que se possa tomar um bom banho de chuveiro e a cozinha é o sonho de um cordon bleu que goste de velejar. Para completar, uma cabine toda enjanelada permite uma visão de 360° além de proporcionar uma ampla ventilação natural.

No entanto se o Samoa 34 não fosse um bom veleiro comparado a outros barcos de cruzeiro produzidos em série, sua fama não seria tão consagrada. Nossos clientes que construíram um desses barcos não cansam de elogiar sua performance, especialmente nos ventos mais fortes, colocando como principais virtudes do modelo a boa estabilidade e seu leme levíssimo em qualquer condição de tempo.

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Para saber mais sobre a classe Samoa 34, clique aqui.


Construtores dos Projetos do B & G Yacht Design reúnem-se para velejada no Planalto Central

Um encontro, no mínimo inédito, ocorreu no Lago Paranoá, em Brasília...

A convite do piloto Breno Lima, um dos pioneiros da classe Multichine 28 no Brasil e proprietário do MC 28 Utopya, reuniram-se no sábado dia 02 de maio de 2009 os construtores  das classes  MC28  e MC36 de Goiânia. Estão sendo construídos três MC 28 e um MC 36SK naquela cidade.

 
Utopya no dia de seu lançamento no porto de Recife

O encontro começou com um bate papo animado sobre a história da classe MC 28, da qual o Utopya é história viva, passando por uma troca de experiências buscando adequar alguns conceitos teóricos da construção à prática da pós-construção e a vida a bordo propriamente dita.  Os convidados aproveitaram a experiência do Breno que,  além de ter sido um dos primeiros construtores do  MC 28, com certeza foi o primeiro a morar a bordo da classe. Ele morou a bordo, junto com sua esposa Márcia Seixas por mais de cinco anos, no Cabanga Iate Clube de Recife.

Como o vento não chegava ficou resolvido que haveria inicialmente uma “motorada” pra turma diminuir a ansiedade e algumas soluções da construção do Utopya serem mostradas na prática. Ficou claro a importância de um bom motor, boa instalação  e de um bom  isolamento acústico.Algumas cervejas depois o grupo voltou ao clube para almoçar e esperar o vento chegar...

As conversas não ficaram somente no âmbito da classe MC 28, mas rumaram também para a MC 36, onde  o Carlos Eduardo, construtor da classe MC 36SK em Goiânia , pode passar suas experiências ao Breno que, também , comemorava no evento o “upgrade” nos projetos do Escritório. Novamente ele  deposita sua confiança nos nossos projetos  e é um dos pioneiros na nova  classe Kiribati 36, sendo o primeiro cliente a adquirir o projeto.

Após o almoço, no final da tarde o vento finalmente chegou e puderam realmente sentir barco velejando... Entrou um vento fresco, da ordem de uns 12 nós que  propiciou aos futuros proprietários sentirem as capacidades marinheiras da classe. Puderam observar a suavidade dos comandos, facilidades nas manobras e funcionalidade dos sistemas. Muitos bordos, manobras e algumas cervejas a mais, foram brindados com o belo por do sol ao lado do Palácio da Alvorada e o retorno gratificante ao clube.

Eles nos informaram que outros encontros acontecerão e eles convidam aos interessados pela classe na região a participarem também , conhecerem o Utopya  ou somente conversarem sobre a classe. É só mandar um email pro Breno, “organizador do encontro”, no endereço brenolima@hotmail.com para maiores informações.

Eduardo Perin, um dos convidados para a velejada e autor do vídeo, que está construindo o Multichine 28 Pyrus em Goiânia, GO, nos enviou um e-mail relatando suas impressões sobre a improvável velejada a bordo de um veleiro de cruzeiro destinado a atravessar oceanos, navegando em pleno planalto central:

Cabinho, Luis e Astrid,

Quero parabenizá-los pelo excelente barco por vocês projetado, o Multichine 28!
Não tinha dúvida de que era um barco fantástico, porém nunca tinha velejado nele. Após "descobrirmos" o Utopya no Lago Paranoá, fizemos contato com o Breno através do fórum yachtdesign, que além de conhecimento nos ajuda a criar laços de amizade, e desta forma fomos convidados a conhecer e velejar no Utopya.

Barco fantástico, bem construído, após uma década continua muito bonito e bem conservado, mérito de seu comandante, pessoa boníssima, simpático e apaixonado pela classe dos 28! Entre conversas, confraternizações, saímos duas vezes, uma a motor e outra a vela.

Motorando, o barco é silencioso e anda bem, mas foi velejando que ele se revelou!
No final da tarde entrou um vento forte, estávamos com todo o pano em cima, mais preocupados em bater papo e conhecer os detalhes do barco do que propriamente trimar as velas e obter grandes desempenhos de velocidade. O barco adernou pouco, grande facilidade nas manobras, um puro sangue de cruzeiro, que veleja rápido!

Somente ontem consegui saber a velocidade do vento, coisa rara de acontecer em Brasília, nas rajadas chegou próximo dos 20 nós. Demos sorte de velejar assim. Estava acontecendo no Iate Clube de Brasília a classificatória para o mundial de Star, nesta condição de vento teve monotipo com mastro quebrado e o Utopya com todo pano em cima nem tomou conhecimento, adernou pouco, leme leve, preciso.

Me sinto ainda mais motivado a concluir logo minha obra e poder curtir esse veleiro fantástico por muito tempo!!

Obrigado a vocês da B & G Yacht Design pelo projeto e suporte técnico.

Grande Abraço.

EduardoPerin.
Veleiro Pyrus.

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Palestra sobre o Pantanal 25 no Rio Boat Show

No dia 16 de maio às 20:30 será dada uma palestra sobre a construção em sanduíche de espuma de PVC do veleiro Pantanal 25, dada pelo coordenador da classe no Brasil, Jorge Intaschi.

Essa palestra é particularmente interessante por abordar o tema de construção para um dos mais bem sucedidos lançamentos de projetos de veleiro que já aconteceram em nosso país.

A carreira que o Pantanal 25 está fazendo é surpreendente, mas não foi por acaso que isso aconteceu. Quando completamos o projeto e o lançamos em nosso site na internet, ficamos meio atônitos com o interesse que o plano despertou internacionalmente. O primeiro pedido que recebemos, praticamente no dia seguinte ao que o projeto foi oferecido, veio de Queensland, Austrália, e de lá para cá o projeto não parou de fazer sucesso internacional.e hoje temos barcos da classe sendo construídos ou navegando nos mais variados países, com unidades sendo feitas na Europa, nos Estados Unidos, Canadá e em outros lugares onde a gente jamais sonhou em  ter clientes construindo nossos desenhos. No Brasil não foi diferente e existem vários barcos da classe em construção em diferentes estados da federação.

A proposta à qual o barco se destina é o grande atrativo do modelo. Ele não é um barco para atravessar oceanos, mas para atravessar continentes. A diferença dele para outros barcos rebocáveis de alta performance existentes no mercado, a maior razão do sucesso do projeto, reside no conforto interno. Olha só: esse barco de 25 pés projetado para ser veloz, tem duas camas de casal, banheiro com porta, salão com mesa central para seis pessoas e cozinha. Por enquanto ainda não existe outro projeto semelhante em nenhum outro país.

E então entra a pessoa do Jorge Intaschi na história como um verdadeiro impulsionador do modelo no mercado nacional. Ele foi o primeiro que vislumbrou o mercado fabuloso que esse barco poderia ter em nosso país de proporções continentais. Afinal quem pode imaginar que um barco rebocável possa acomodar confortavelmente uma família durante um cruzeiro de férias, e, durante a temporada de competições em sua região, participar de regatas com possibilidades de êxito? Foi isso que Jorge viu no projeto, quando ele ainda estava somente no computador, e foi quando nos afirmou; esse é o barco!

Sendo um dos pioneiros a adquirir os planos, Jorge logo na primeira hora decidiu fabricar moldes para produzir o Pantanal 25 em série. Em pouco tempo construiu o protótipo, o já famoso Dark Ice, com o qual foi campeão santista de vela de oceano na classe bico de proa, isso em sua temporada inaugural, e hoje supervisiona a construção em série do modelo na Coopermarine, de Guarujá, São Paulo.

Já tendo duas unidades em final de acabamento, uma para o estado de São Paulo e a outra para Brasília, Jorge tem muito que mostrar na palestra, e as pessoas vão poder ver como o processo de construção em sanduíche foi desmistificado, e como é simples fazer um barco hi-tec, seja por um amador, seja profissionalmente. A apostila que acompanha o projeto, que escrevemos para os amadores de todos os lugares poderem construir sentindo-se seguros, funcionou maravilhas, e hoje temos barcos sendo construídos a toque de caixa, da Turquia à Argentina, do Brasil à Suécia, as pessoas realmente determinadas conseguindo fazer seus barcos com bastante facilidade.

Você ainda deverá ouvir falar bastante deste novo veleiro e ele bem pode ser o barco que lhe venha a lhe interessar. Por isso recomendamos a palestra do Jorge, a pessoa que mais entende de Pantanal 25 no Brasil.

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Kiribati 36 Green Nomad

O primeiro casco do Kiribati 36 já existe, e este barco se chama Green Nomad.

Ele é fruto da vontade de voltar a realizar a viagem dos sonhos, feita uma vez e que só seviu para confirmar a certeza de que o lugar dos donos do Green Nomad é em alguma ilha remota do Oceano Pacífico.

O Green Nomad original, um Van de Stadt de aço de 36 pés, ancorado no Grupo Florida, parte das Ilhas Salomão.

Depois de venderem o Green Nomad em 2006 na Austrália, após 10 anos de viagem e 25000 milhas, o casal Luis Manuel e Marli veio para o Brasil, não porque a vontade de viajar tivesse acabado, ou que o barco fosse mau, apenas porque a família precisava e era hora de voltar.

Acontecimentos inesperados os viram de novo prontos para viajar, e agora faltava o barco. Mesmo antes da venda do Green Nomad, eles já sabiam como um próximo barco teria que ser, e o resumo das qualidades desse barco é o que vocès podem ver na parte da página inicial da descrição do Kiribati 36.

Com a longa amizade já existente entre eles e Cabinho e família, o natural é que o desenho do novo barco partisse deles. Luis é engenheiro metalúrgico formado pela UFRJ, e cruzou inúmeras vezes no pátio da universidade com os calouros Luis Gouveia e Astrid Barros, andando de mãos dadas.

Com uma história longa de paixão por desenho naval, tendo iniciado o curso de uma renomada escola de desenho naval americana, Luis sabia o suficiente sobre desenho para saber que precisava de parceria na hora de projetar o primeiro casco. Por isso, comprou o projeto do Multichine 36 SK. Era um lançamento novo, e por pouco ele não havia comprado um projeto francês, que oferecia o baixo calado na faixa de tamanho que era uma lacuna na gama do escritório.

Munido do apoio do escritório e de um casco campeão, foi a hora de soltar a imaginação e o gosto por modelagem em computador, além da intimidade com metais e processos de fabricação, para criar o Kiribati 36. Em alguns pontos ele é o anti Green Nomad, sendo de alumínio e deslocamento médio, cockpit aberto na popa, baixo calado e linhas de casco arrojadas. Em outros é uma cópia, com a robustez dos sistemas, simplicidade e tamanho moderado, sem frescuras de acabamento mas com os mellhores equipamentos que existem para uma vida de viagens sem grandes problemas técnicos.

Hoje a viagem do Green Nomad ( versão 2, novo casco mas mesmo nome e missão ) já começou.  Luis e Marli vivem a bordo desde o dia do lançamento à água, em Triunfo, para onde se mudaram para acompanhar a construção na Metallic Boats.

Atualmente estão em Porto Alegre, gentilmente recebidos pelo Clube dos Jangadeiros, vivendo a bordo com um interior improvisado.

Green Nomad em Nova Caledônia

Marli mergulhando em Huahine, Polinésia Francesa

A vida por enquanto não está exatamente como nas fotos acima, mas aos poucos eles estão trabalhando para chegar lá. Luis aproveitou os últimos meses para dar forma final ao projeto do Kiribati 36, incorporando as lições aprendidas na construção do primeiro casco, e aos poucos uma nova tábua vai sendo jogada para fazer mais uma prateleira.

Agora as primeiras peças de compensado naval para o interior para valer chegaram, e espera-se ver o Green Nomad começar a tomar cara de barco. Marli está terminando o isolamento térmico, e Luis acabou o projeto, e por um tempo serão carpinteiros navais, ferragistas e todas as demais epecialidades, para que a nova casa possa logo começar a se mover.

Marli colocando sarrafos que vão receber a forração...

e colocando placas de isolamento térmico.


Quando as coisas forem mudando vocês vão poder acompanhar aqui pelo site. Esperamos mandar fotos mais convencionais em breve!

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Para contato com Luis Manuel Pinho envie e-mail para: luisdesenhos@gmail.com


Pantanal 25 continua bombando na vela de oceano paulista.

O coordenador da classe no Brasil, Jorge Intaschi, mercanteveiculos@terra.com.br, nos escreve:

"Hoje saiu o casco do Rotfahrt da forma... lindo brilho !!!  Esse segundo Pantanal 25 saído da forma da Performance Pantanal 25 já vai incorporar todos os aperfeiçoamentos que desenvolvemos nestes 7 meses de regatas ( velas, quilha, opções de ferragens, etc)... e com um casco  bem mais leve que o Dark Ice !!!

O novo barco deverá participar da temporada de regatas da Federação Santista de Vela de Oceano.
Infelizmente ( ou felizmente) , deverá andar bem mais que nosso Dark Ice... vai ser páreo duro!!!! E começa essa semana também a laminação do Enigma II, o Pantanal 25 do Sr. Ademir Micareta, especialmente feito para correr a fórmula Brasília, que com certeza , pela habilidade do Sr. Ademir em velejar, deve também fazer muito bonito por lá...

Não vemos a hora de vê-lo correndo também!!! Cada Pantanal 25 feito é como um filho para nós. Ficamos felizes em fazer o acompanhamento de todos eles e saber como estão... e ajudar seus proprietários a aprimorarem seu velejo e regulagens ."

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Fotos do casco do Pantanal 25 Rotfahrt sendo desmoldado

Neste ano estamos testando novas regulagens de mastreação para o Dark Ice, que aparentemente funcionaram a contento. Na primeira regata desta nova temporada em Santos, mesmo com tripulação renovada ( Dimas, Wagner e Mariana, no "estaleiro" ) chegamos novamente em primeiro...O  timoneiro ( Jone ) se espantou com a aceleração rápida e a velocidade do Pantanal 25 em ventos fracos. Nilton, um velejador que veio ajudar a tocar o Dark Ice, apaixonou-se pelo projeto!!!

Em Bertioga, já com o Dimas de volta, sempre testando novas regulagens, o Pantanal 25 foi ainda melhor. Abrimos grande distância do segundo lugar... deixando os adversários impressionados com o desempenho desse novo projeto.

Leonardo, do veleiro Ranger 26 Rainha passou esse e-mail para Rogério de Carvalho, o Jojô:

O final de semana acabou ficando bem legal. A turma se reuniu no cantão do Indaiá, quando no sábado tivemos uma regata de percurso, que dava a volta na ilhota Monte Pascoal. Na minha novata opinião, foi a primeira vez que peguei vento naquela região. Fiquei feliz e surpreso.

Logo na largada o Dark Ice acelerou com uma facilidade incrível. Dava até a impressão que estavam em uma rajada isolada, tal era a diferença de velocidade para os outros barcos. Mas não, na verdade era o pessoal que estava tocando o barco muito bem. Tanto, que montaram a ilha bem na frente e depois só administraram.

Aos poucos o vento foi merrecando e nós pegamos a última bufada até a chegada e então acabou geral. O Easy Going e o Verax ( bramador 34) não tiveram a mesma sorte e batalharam duro para terminar a regata.

No domingo, largamos com um vento mais fraco ainda, que acabou merrecando total. A regata foi cancelada, mas, outra vez o Dark Ice estava muito na frente, e bota muito nisso.”

Flotilha deixada para trás Abrindo vantágem Os adversários ficaram na saudade Mal dá para ver os concorrentes Comemorando a vitória Recebendo otrofeu de vencedor
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Fotos das regatas em Santos e Bertioga. Observe a que distância ficaram os adversários.

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Pantanal 25 agora fabricado em série

A Cooper Marine, uma empresa organizada como cooperativa de fabricação de embarcações de recreio, localizada no Guarujá, litoral paulista, decidiu assumir o desafio de construir em série o veleiro Pantanal 25, o projeto sensação do momento no cenário náutico brasileiro. Tendo larga experiência em construção hi-tec, além de estar atualizada com o processo de infusão e laminação em sanduíche, foi um privilégio para a classe Pantanal 25 ter conseguido obter um fabricante de tão alto gabarito. Em março foram fechados dois contratos com esse estaleiro, um para o estado de São Paulo e outro para Brasília, estando mais dois clientes agendados para iniciar a laminação tão logo as duas unidades iniciais estejam concluídas.

Para colaborar com a febre de entusiasmo pela classe, a Revista Náutica de março de 2009 publicou a reportagem “Pantanal 25, Um Veleiro Para Começar Bem”, como o teste que a revista rotineiramente realiza quando um modelo novo é introduzido no mercado, usando o Dark Ice, a unidade que conquistou o campeonato santista de vela de oceano na classe bico de proa de 2008 para fazer a avaliação, resultando numa reportagem de sete páginas. De um modo geral os jornalistas fizeram ótimas referências ao modelo, ressaltando principalmente seu excepcional desempenho em ventos fracos. Mesmo a matéria tendo ficado muito boa, houve alguns equívocos na reportagem que é importante retificarmos.
Se você tiver a revista n° 247 nas mãos e abrir a reportagem, que se inicia na página 96 com uma belíssima foto do Dark Ice visto de lado, logo na primeira página irá ler que o projeto contempla duas opções de vela grande, uma para regatas e outra para cruzeiro. Nossa intenção ao desenvolver o desenho foi a de ter uma única medida para a vela grande, imaginando que quem desejar fazer um cruzeiro bem tranqüilo, possa sair logo com a vela rizada. Isso ajudaria a unificar os barcos, deixando a classe o mais padronizada possível. As outras imprecisões da reportagem foram duas informações que não conferem: a que a porta do banheiro teria apenas 35cm de largura, quando na realidade tem 48cm, e de que a cama de casal de proa só teria 1.75m de comprimento, quando ela mede 1.90m. Mas enganos são coisa mínima, e no mais a matéria ficou muito agradável, com boas ilustrações e um texto simples e gostoso de ser lido.

Temos também informações quentes sobre a classe vindas do exterior. Zirrdelli, o primeiro Pantanal 25 a ser concluído, e que se encontra estacionado no Mar de Mármara, entre o Mediterrâneo e o Mar Negro, deverá correr a temporada 2009 do campeonato turco de vela de oceano, e o Vega, como será chamado o primeiro Pantanal 25 a ser construído na Argentina, terá seu casco concluído em abril. Um segundo Pantanal 25 está bem próximo de ir para a água na Turquia, enquanto um cliente canadense está se preparando para fabricar nosso projeto em série para os mercados canadense e americano. Por tudo isso, esperamos que o Pantanal 25 se torne em muito pouco tempo uma classe internacional e que em 2009 ela seja homologada pela Federação Brasileira de Vela e Motor.

Jorge Intaschi, o organizador da classe aqui no Brasil, tem planos bastante ambiciosos para 2009, inclusive o de correr o Circuito de Ilha Bela, devendo apenas resolver o problema burocrático para que possa competir na classe bico de proa. Se isso não for possível, por pura burocracia, será só esperar um pouquinho e os barcos da classe estarão competindo entre si numa categoria própria

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Pantanal 25 Dark Ice campeão santista de vela de oceano

Muitas notícias boas estão chegando sobre o Pantanal 25. No dia 7 de fevereiro foi realizada a entrega de prêmios do campeonato santista de vela de oceano. Imagina qual foi o barco mais premiado naquela noite? Se você pensou Pantanal 25 Dark Ice, acertou na mosca!

Foi ele, o caçula dos veleiros brasileiros, um barco cujas características ainda eram desconhecidas, conduzido por uma tripulação novata que aprendeu como ele navega à medida que o campeonato avançava. E não foi pouco o que aprenderam!

No vento fraco constataram que a velocidade do barco é simplesmente estonteante, velejando mais rápido do que todos os outros inscritos na categoria bico de proa e RGS local, não importando o tamanho do adversário.
Quando competiu com vento mais forte, continuou andando muito bem, mas então linha d’água acabou prevalecendo e nessa condições não deu para ser fita azul, mas nunca dando boa vida para os veleiros maiores.
Resumo da ópera: apesar de ter iniciado a competição já na quarta regata do campeonato, Dark Ice foi campeão por antecipação uma regata antes do fim da série.

No sábado 7 de fevereiro o dia começou intenso para o pioneiro da classe no Brasil, o construtor do Dark Ice, Jorge Intaschi. De manhã ele tinha combinado se encontrar com um velejador de Brasília que viera a Santos exclusivamente para conhecer o Pantanal 25.

Antes de saírem, Jorge e o brasiliense visitaram a Coopermarine, que já havia se decido a construir o Pantanal 25 em regime de cooperativa. Por sorte a fábrica estava dando os últimos retoques numa lancha que em poucos dias iria ser despachada exatamente para Brasília, dando uma perfeita idéia ao visitante do alto grau de acabamento desta cooperativa na construção de iates. Em outra coincidência, lá também estava o primeiro cliente da Coopermarine para o Pantanal, o velejador paulista Marcelino Magalhães, que tinha ido à fábrica entregar o material para a laminação de seu casco, que, para início da fabricação terá gelcoat na cor vermelha da melhor qualidade.

Por essa altura o velejador brasiliense já estava bastante impressionado com tanta movimentação em torno Pantanal e ansioso para finalmente conhecer o barco.

Quatro dias antes a prestigiosa Revista Náutica havia testado o Dark Ice para uma de suas tradicionais reportagens de avaliação que publica regularmente. Nesse dia, como num filme já visto, os repórteres ficaram impressionados de como o veleiro andava rápido no vento fraco.

No sábado a dose iria se repetir. O visitante pegou o leme do barco e não largou mais durante seis horas, cada vez mais fascinado com a rápida aceleração do veleiro ao menor aumento de intensidade do vento. Não foi grande surpresa que tenha se interessado em encomendar um Pantanal para competir no lago Paranoá.

Terminada a velejada Jorge convidou o futuro membro da classe para participar da entrega de prêmios da temporada de 2008 do campeonato santista de vela de oceano.

Foi então a demonstração final do prestígio do Dark Ice. Aquele modelo desconhecido recém-inaugurado acabou roubando a cena e foi o barco mais premiado da noite, reservando os mais variados comentários da galera presente por suas atuações na temporada.

Sem dúvida Jorge e sua tripulação ficaram contentes da vida e o visitante mais impressionado ainda com a badalação em torno do modelo. Para coroar a ocasião, um velejador de Niterói também está confirmando a construção de seu Pantanal 25 pela Coopermarine, além de Jorge ter decidido fazer um novo Pantanal, o Wave Runner.
Essas foram as notícias diretamente de São Paulo.

Enquanto isso, em Buenos Aires, nosso cliente Daniel D’Angelo começa a construção de um Pantanal 25, o qual deverá estar pronto em uns seis meses. Como ele é um construtor amador experiente, pois foi o primeiro a terminar a construção de nosso modelo Samoa 28, do qual existem dezenas de unidades em construção em vários paises, não há razão para duvidar que ele consiga construir seu novo barco neste prazo. Enquanto outros vão construindo seus Samoas 28, Daniel já está curtindo o Sirius, lindo e reluzente, velejando com a família pelo Rio da Prata.

Com o Pantanal 25 do Daniel, a série da Coopermarine, o Zirdelli que já está velejando no Mar de Mármara, na Turquia e uma porção de outros que já estão quase prontos nos mais diferentes países, está parecendo que pela primeira vez uma classe brasileira se tornará verdadeiramente internacional.

Mas o Dark Ice só mostrou seus primeiros passos. Pelo seu batismo promissor, tem tudo para mostrar muito mais daqui para frente.

Tripulação do Dark Ice: Marcelo Carvalho, Wagner Intaschi, Mariana Marangoni, Dimas Ruiz, Jorge Intaschi Jorge Intaschi recebe mais um trofeu: fita azul na sexta etapa do campeonato.

Jorge Intaschi recebe o trofeu de campeão santista de oceano classe bico de proa

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Clique aqui para outras informações sobre o Pantanal 25


Multichine 28  Vagamundo – Bebê a bordo

Tripulante perfeito.

A classe Multichine 28 está se tornando cada vez mais conhecida como um barco de cruzeiro que seduz as pessoas a realizarem longas travessias ou morar a bordo. Como a classe não pára de crescer, cada dia mais nos chegam histórias interessantes vividas a bordo de um desses barcos enviadas por nossos clientes.
Desta vez foi nosso amigo Ricardo Costa Campos que nos contou sobre sua viagem de Vitória, no Espírito Santo, à Ilha Grande, no litoral sul do estado do Rio de Janeiro, onde passou a trabalhar como instrutor numa operadora de mergulho, vivendo a bordo com sua esposa Ivana e o filhinho João.
Ricardo nos escreveu:

Continuo com o Vagamundo aqui pela Ilha Grande e cada dia mais satisfeito com o barco. 

De Vitória para Angra fiz a viagem com mais um amigo a bordo, o Bernardo, que está construindo um MC 31 em Vila Velha no ES.  A Viagem começou com vento Nordeste fraco até o Cabo de São Tomé, quando entrou uma frente fria e tivemos que orçar até Macaé onde resolvemos entrar e ficamos um dia e meio. Macaé é uma barra difícil, mas com um barco que cala pouco foi tranqüilo entrar mesmo com a maré baixa.

João parece estar gostando bastante da vida a bordo.

Quando o nordeste voltou a soprar saímos direto para Ilha Grande. Na altura da Ilha Âncora em Búzios o vento refrescou bastante chegando a 30 nós. Nessas horas é muito bom ter um barco novo, robusto e que se possa confiar, e foi assim até Ponta Negra. Fazíamos 8 nós só com um “trapinho” de genoa, com vento pela popa. Daí em diante o vento foi diminuindo até ficarmos sem vento por fora da Ilha Rasa, já no Rio. Então apelamos para o “vento de porão” e fomos assim até a Barra da Tijuca, quando entrou um vento sul.

Depois da Restinga da Marambaia, orçando, passamos pela Ilha da Marambaia ainda com vento. Chegando à Bahia da Ilha Grande nada de vento, como de costume por aqui. Depois de deixar o Bernardo no Abraão fui até a praia da Jaconema para trabalhar no final de semana em uma operadora de mergulho. Saímos na segunda pela manha de vitória e chegamos sexta a tarde na Ilha Grande com uma parada de um dia e meio em Macaé. Foi uma boa estréia. 

Grande abraço.
Ricardo.

O Vagamundo é um Multichine 28 muito bonito e bem construído. Pelas fotos mostradas abaixo, vocês podem ter uma idéia de como a família Costa Campos está contente com a nova vida. O João por essa altura do campeonato já deve estar um autêntico peixinho.

Família Vagamundo Vagamundo na Ilha Grande

João na nova casa

Vagamundo na baía de  Guanabara João João e Ivana na entrada da gaiuta.

Aula de navegação.

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Para saber mais sobre a classe Multichine 28, clique aqui


La Plata-Riachuelo-Colonia-La Plata, 6-11 de janeiro de 2009
Daniel D’Angelo

Tínhamos planejado há algum tempo tirar umas mini-ferias a bordo do Sirius, indo até Riachuelo-Uruguai para as quais pretendia dedicar uns 6 días. Como era a primeira vez que íamos ficar tanto tempo no barco, fomos preparando-o de acordo com o que considerávamos necessário.
A ideia era partir na terça, 6 de janeiro, antes do amanhecer, para navegar um pouco à noite, porem o carregamento das provisões, água, bote auxiliar (o Siriusito), cadeiras, guarda sol, brinquedos e bicicletas levou mais tempo do que o imaginado e acabamos saindo às 8 de  manha. O carro foi cheio de coisas e dentro do barco mal se notava aonde estavam!!...e mais…sobrava muitíssimo espaço, ocupávamos 10% da capacidade de carga!!.

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Com o waypoint da bóia de águas seguras do Riachuelo carregado no GPS fizemos um rumo direto, embora custasse a acreditar o que mostrava o rumo, já que não conseguíamos enxergar a entrada de Riachuelo, mesmo com binóculos!
A navegação foi bem tranqüila, com velas o tempo todo somente com apoio do motor ao chegar na costa uruguaia, que, como de costume, ao meio dia não tem vento.
Quando conseguimos ver a bóia, colocamos o barco com a proa ao vento, baixamos as velas e entramos tranqüilamente com motor pelo estreito canal protegido por dois quebra-mares de pedra.

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Ao ir avançando observamos que o local estava bastante lotado, chegando a contabilizar mais de 90 embarcações, a maioria delas veleiros. Cumprimentamos a um par de barcos conhecidos e continuamos rumo ao atracadouro de madeira para deixar os papeis na capitania uruguaia e de passagem conhecer um pouco o lugar. Depois retornamos e  fundeamos perto da entrada de Riachuelo, amarrados pela proa a uma árvore e pela popa com duas âncoras. Depois de terminar de fundear, coloquei o toldo para ter sombra e Carina preparou o almoço.

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Riachuelo é um lugar que se tem que levar obrigatoriamente um bote auxiliar. Como não tínhamos outra opção, levamos o Siriusito e um remo tipo kayak, o qual fazia ainda mais pitoresca nossa presença no local. Florência na proa, Carina na popa, eu no meio remando, mais cadeiras, guarda-sol, brinquedos de praia e sacola, era digno de ser visto!!. Assim remando até a ponta do quebra-mar de pedra e depois voltando até a costa, desembarcamos numa praia de areia cheia de gente e com uma paisagem de sonhos; na água vários veleiros fundeados, e às nossas costas uma floresta de pinheiros que convidava a entrar em baixo de sua sombra.

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Quando estava acabando de tirar as coisas do meu caique aproximou-se um cara me perguntando se este bote “tinha sido mais fácil de fazer do que o 28 pés”. Ele me pegou de surpresa que estivesse sabendo da construção, da qual sabia por uma matéria publicada na revista “Bienvenido a Bordo” relatando como tinha sido a historia do Sirius. Depois de conversar um bocado do assunto começaram as mini-ferias na praia, brincando muito com Flor na areia e tomando banho no rio, onde a água é muito mais clara do que de nosso lado. O dia estava muito quente e a água tinha uma temperatura agradável. Assim ficamos a maior parte do tempo no rio.
As praias do Riachuelo acessam-se somente com barco, porem as pessoas deixam todas suas pertences ali mesmo (cadeira, guarda-sol, optimist, pranchas de windsurf, etc…),  em completa tranqüilidade, sabendo que ninguém vai tocá-las. Nos tempos que correm isto pareceu-me fantástico, assim que também nós deixamos nossas coisas ali mesmo, aproveitando para liberar espaço no Siriusito!

Riachuelo conta com banheiros públicos e chuveiros com moedas, mas tem-se que se deslocar até o outro extremo para tomar banho, coisa nada difícil tendo um auxiliar com motor, mas com remo a coisa complica-se bastante, já que eram mais de 2 km somente de ida. Como o Sirius tem uma bomba pressurizadora de água, desconectei o extremo que vai para a torneira da pia do banheiro e coloquei uma mangueira com uma pistola regadora de jardim. Com o toldo de sombra colocado e uma cortina , tomamos banho diretamente no cockpit, eu com água fria dos tanques, Carina e Flor com água quente de um chuveiro solar (sacola preta com água esquentada pelo sol) que tinha comprado por via das dúvidas. Em 30 minutos estávamos os três limpinhos e cheiroso, prontos para jantar, sem esperar pelas filas que se formavam nos chuveiros de terra!!
Durante a primeira noite e na madrugada do dia seguinte manifestou-se um “pampero” (vento muito forte do SW) que me deixou muito nervoso, já que as duas ancoras que tinha jogado pela popa tinham garrado por não ter previsto vento daquele setor. Somente presos pela proa, o vento nos fez rodar jogando-nos para a costa. Sem poder dormir por causa do barulho do vento e por sentir de vez em quando uma batida seca da quilha contra o fundo, decidí sair a acertar a posição  do barco. Avisei a Carina que estava saindo e com colete de segurança colocado, recuperei as duas ancoras garradas, as subi ao Siriusito e remei até o meio do riachuelo para jogá-las. De volta ao Sirius esperei que as âncoras cravassem no fundo e comecei a tirar o barco da posição desconfortável. Aos poucos ficamos transversais ao riachuelo e livres das batidas no fundo. Agora sim podia dormir, não sem antes tentar descobrir o que era o barulho de “raspagem” que se escutava dentro do barco. Aparentemente eram peixes comendo as algas grudadas no fundo, os quais nos acompanharam com sua “serenata” todas as noites em que estivemos fundeados.

O dia seguinte amanheceu como se nada tivesse acontecido durante a noite. Um céu azul com um sol ardente pressagiava um dia de praia maravilhoso. Mas antes do prazer, dedicamos um tempo a fundear melhor o Sirius, agora com dois cabos cruzados na proa e as duas ancoras de popa bem abertas. Como a tarefa nos levou bastante tempo e a temperatura ia aumentando, decidimos ficar e almoçar a bordo para depois ir para a praia onde curtimos outra tarde ótima, fechando com uma caminhada pela floresta de pinheiros, até chegar a um setor de dunas, planejando continuar no dia seguinte, porém de bicicleta. De volta ao Sirius, ritual do banho, jantar e todo mundo para a cama.

Pela primeira vez dormimos até bem tarde e entre café da manha e preguiça se fez próximo o meio dia. Para não fazer grandes deslocamentos, decidimos ir à praia do leste, que para nos ficava mais perto, pois ficava para onde estava a proa do barco, ou seja, escassos 10 m, mas depois tendo que andar um trecho de 300 m. Ali não tinha absolutamente ninguem. A praia inteira para nós. Ainda não descobrimos porque a gente dos barcos não a usa. É uma praia extensa, limpa, com areia bem compacta ideal para jogar bola ou frescobol. Aproveitamos para caminhá-la em toda sua extensão e desfrutar um pouco d’água. Quando pintou a fome voltamos ao barco, não sem antes tentar fotografar um lagarto de considerável tamanho que eu tinha visto na manha anterior e que ao nos aproximarmos saiu batido sem se deixar fotografar.

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À tarde cancelamos a ida de bicicleta para as dunas e ficamos na praia com o resto da gente. Depois do banho decidimos ir até o atracadouro para comprar gelo, já que as garrafas com água gelada que tínhamos trazido já estavam quentes. Assim saímos os tres arrumadinhos a bordo do Siriusito, remando os 2 km que separavam-nos do atracadouro e para piorar com vento em contra. Por sorte tinha a Flor na proa que cantava-me canções para dar-me força para seguir remando. Quando ao fim chegamos, deixamos paga uma barra de gelo e formos caminhado até o sitio “Arenas” que fica uns 17 cuarterões do atracadouro, onde fazem pratos feitos por encomenda (via VHF) alem de vender muitos produtos artesanais e contar com um museu de artigos esquisitos: lapis, chaveiros, latas de aluminio, cinzeiros, cartões de telefone, garrafinhas de perfume, etc…algumas de estas coleções mereciam recordes Guinnes. Voltamos ao atracadouro, pegamos a barra de gelo e de novo ao Siriusito, remando para retornarmos à nossa casa flutuante, desta vez com vento a favor. Essa noite a janta foi uma degustação dos queijos e salames comprados no sitio, acompanhados por um bom malbec. Dormimos como os deuses!

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No dia seguinte bem cedo carreguei as duas bicicletas no caique e as cruzei para a praia desde onde depois tentaríamos chegar a Colônia por um caminho de terra (12 Km). Uma vez mais o Siriusito comportou-se maravilhosamente, agora se fazendo de “cargueiro”. Após curtir por um bom tempo na água, decidimos sair a pedalar um pouco, ainda com sol forte, mas entrando na sombra da floresta de pinheiros. Pedalamos uns 4 km quando Carina cortou a corrente da bicicleta. Como tínhamos uma corda à mão, continuei levando-a a reboque com minha bicileta até que acabou o caminho devido a  presença de um portão de um sitio fechado com cadeado.

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De volta à praia e já com fome, tentei chegar até o atracadouro de madeira com a bicicleta através de um caminho aberto pelas vacas, pero não consegui, já que em partes era tão fechado que era impossível atravessá-lo.
Naquela noite, organizado pelos donos de outro barco (o Victoria) se fez uma “pirateada” a cual consistia em juntar todas as crianças dos barcos nos auxiliares e, disfarzados como piratas,  abordar os barcos que estivessem inscritos para intentar encontrar “o tesouro”. Flor com o olho tampado como boa pirata saiu junto com mais de 30 crianças a caza dos numerosos tesouros que escondiam os barcos. O Sirius foi abordado e seu tesoro de balas (marcado com um “X”) saqueado com total sucesso. Assim transcurriram quase duas horas entre saqueios e posterior divisão das “ganancias”, retornando finalmente cada criança a seu barco para descansar e comentar sua “aventura”.

Os dois últimos dias os deixamos para Colônia e de passagem premiarnos com uma boa janta em um restaurante, por isso assim que acordei, comecei a manobra para nos despedir de Riachuelo e zarpar para lá. Quase 5 milhas separam os dois pontos assim que pelo escasso vento da manha  ligamos o Yanmar como para no chegar depois do meio dia e fazer a navegação mais prazerosa sem tanto calor. Ao chegar ao porto de Colonia percebemos que estava quase lotado, com só um par de lugares livres para atracação, assim que como tínhamos um “auxiliar”, pegamos uma bóia para ficar mais tranqüilos sem fazer tanta manobra para tentar “encaixar” a força o barco no píer. Almoçamos a bordo e descansamos um pouco a sombra de nosso toldo, para depois a tarde desembarcar com as bicicletas e pedalar um pouco pela cidade, chegando até a praia Ferrando para esfriar-nos um pouco. Após banho e contemplação do pôr do sol,  fomos jantar em um restaurante para tirar a vontade de comer coisas gostosas que não podem se cozinhar nos barcos. De volta para o Sirius, sorvetes em mão, fomos dormir, os três muito cansados.

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Acordei cedo e fui a terra deixar os papeis na capitania e aproveitei para comprar alguma coisa para o café da manha, o cual tomamos abordo. Decidimos ir caminhar um pouco pela cidade e matar o tempo até o meio dia para almoçar em Colônia antes de zarpar para La Plata, o cual fizemos as 15hs. Subimos a vela grande ainda presos na bóia e junto com o motor saímos velejando assim que largamos nossa amarra. Depois de franquear o farol Santa Rita desenrolamos a buja e colocamos rumo para o porto de La Plata. O vento estava soprando do sul a 15-20 nós o que, juntamente com a direção da correnteza de maré, nos faziam derivar afastando-nos de nosso rumo ideal. Com 2 milhas navegadas já estávamos fazendo uma bordejada para corrigir este desvio e ganhar todo o barlavento possível para não ter que fazer outro mais na frente. Navegábamos a 5,5 nós de promedio orçando ao máximo, com o vento cada vez mais forte e as ondas crescendo de tamanho, cuando para sotavento vemos se aproximar como um fantasma submerso em spray  um barco rápido de Buquebús voando  para nós em rumo de colisão. Carina, assustada, me pediu para virar e sair da rota, pero eu tinha certeza que pela velocidade que trazia ia cruzar nossa proa a uma distancia longa o bastante para ter segurança. Assim foi que o “monstro rugiente” passou uns 100 m a nossa frente, o suficientemente perto para nos deixar bem assustados, imaginando coisas piores.
Ao chegar no setor de espera do porto, cheio de barcos fundeados, nos obrigou a fazer bordejadas para não bater com aqueles que estavam em nosso rumo. Aqui a situação do rio estava cada vez pior com ondas muito grandes e desajeitadas alem do vento que já soprava em mais de 25 nós. De repente vemos um petroleiro que começa se mover esquivando seus colegas fundeados, o cual ia se cruzar com nossa rota pero a diferença com o anterior encontro era o errático de seu curso. Alem disso não sabíamos se este gigante tinha nos enxergado, assim que liguei o motor por precaução e poder fugir caso  modificara seu rumo. Passado o novo susto somente sobrava um barco para evitar e finalmente entrar no canal de acesso. Cuando ao fim chegamos e como acostumado, as ondas vinham de todos os ângulos possíveis. Ainda com vento sur, as ondas as recebíamos pela popa, surfeaindo as mais grandes atingindo 8 nudos de velocidade.
Como despedida e antes de entrar no quebra-ondas de pedra, uma onda nos bateu de lado e nos fez “tomar banho” aos tres de pés a cabeça. Reportamos nossa chegada  tanto a prefectura uruguaia como argentina e fomos para nossa amarra no estaleiro Martinoli, onde descarregamos todas as coisas que tínhamos levado e, depois de um beijo de gratidão pelos dias vividos e a volta para casa em segurança, deixamos o Sirius até a próxima saída.

Para saber mais sobre o Samoa 28, clique aqui


Publicado em dezembro na revista argentina Bienvenidos a Bordo

       
08-Nov-2005: Mientras los planos estaban en camino, ya habia encargado la madera para la construccion del casco. El proyecto sugeria usar cedro, pero como localmente es dificil (y caro) de encontrar, utilice "kiri", muy liviano y facil de trabajar. Densidad del cedro (seco):480 kg/m3 Densidad del kiri (seco): 240 kg/m3 15-Nov-2005: Fabricando la roda de proa en anchico. La tuve que tallar con el formon para obtener la forma diseñada. Mas tarde el proyecto se modifico para hacerla mas facil. 25-Nov-2005:Las 12 secciones y la roda de proa montadas, alineadas y niveladas. La etapa mas complicada hasta el momento. 04-Ene-2005:Comenzando a cerrar el casco mediante la tecnica de strip planking.Las tracas se van uniendo "in situ" con una junta chanfleada de 10 cm. Use epoxi en gel (picote) y clavos de cobre de 2" para pegarlas y mantenerlas juntas entre si respectivamente.
04-Ene-2006: Las tracas de kiri de 2x3cm tienen un lomo concavo y otro convexo. Lleve la madera bruta a una carpinteria y alli la cortaron, espesuraron y fresaron. Opte por esto en vez de comprar una sierra circular y una fresadora y hacerlas yo por una cuestion de seguridad.Si tenia un accidente, chau proyecto!. Detalle del trepano de 6" sirviendo de apoyo a la roda de proa. 25-Mar-2006:Carina tomando contacto por primera vez con el casco (a la fuerza!). Dejó en claro quien esta "por encima" en la escala de prioridades.Espero que esta sea la unica vez que esta de ese lado del casco! 09-May-2006:Rearmada la carpa debido a las lluvias, estoy en plena tarea de lijar el casco por fuera. La "pelada" mas gruesa se la doy con la amoladora y disco de 40. Con la lijadora de banda y grano 60 voy dandole el acabado final. 20-May-2006: Tomando el plano de lineas marque y corte la popa con el perfil definitivo del proyecto.Es imposible describir la sensacion!
20-May-2006: Trio indispensable. Los que inventaron la amoladora y la lijadora de banda son unos idolos totales!! 21-May-2006:Comenzando a aplicar la resina. Primero lo haciamos como pintando. Luego, mas cancheros, tirabamos una buena cantidad en el casco y con espatulas de plastico ibamos desparramando. De esta forma se avanza mas rapido 21-May-2006: Aca se puede ver que el sentido de la laminacion forma un angulo de 45º con la linea de crujia, La segunda capa hace lo mismo solo que a 90º de la primera, superponiendose en el centro 10 y 15 cm respectivamente. 22-May-2006:Me va a dar muchisima lastima pintarlo. Las maderas se ven tan lindas!!
09-Jul-2006: Despues de 4 dias de lijado, el casco esta listo para recibir una mano de imprimacion nivelante, antes del masillado. Tercera baja en las herramientas: otra amoladora de las baratitas. Ahora que ya paso la etapa de castigo, me compro una buena. 25-Jul-2006: Preferi contratar una mudadora para hacer el trabajo, antes de pedir ayuda a los amigos. Esta gente esta acostumbrada a manipular objetos grandes y se conocen todas las tecnicas.Al no tener los moldes por dentro el casco estaba bastante flexible, asi que le cruce dos tirantes por debajo, asegurando cada borda con dos tirantitos cruzados por dentro y por fuera. Despues con soga se lo ato alrededor del casco. 25-Jul-2006: El trabajo de lijado interno es muy poco, basicamente limpiar el epoxy y la madera para recibir la laminacion interna. 05-Ago-2006: Seccion nº 0, cara de popa, con su tapa de inspeccion ya colocada. Todos los baos son de cedro cortado (no curvado)
24-Ago-2006: Vista superior de los baos y estructura de los corredores de cubierta. Ya estan lijados los lugares donde se colocaran las anteparas de cada una de las secciones. 24-Ago-2006: Vista lateral de como se va perfilando la forma de la cabina 21-Oct-2006: Comenzando a cerrar el techo de la cabina con dos capas de terciado de 6 mm, cortados de 30 cm de ancho y colocadas a 45º de la linea de centro y a 90º entre si.. 23-Oct-2006: Terminada la colocacion de la segunda capa de terciado. Solo esta faltando lijar y masillar donde haga falta.
31-Oct-2006: Presentando el tambucho grande para recortar el techo y hacer la estructura de refuerzo por debajo. Despues habra que hacer un marco plano debido a la curvatura del techo. 09-Nov-2006: Seccion 11 colocada y bañera completa. Tambien ya fueron colocados los refuerzos para soportar la plataforma de baño 12-May-2007: Todas las aberturas de estribor listas. Idem de babor. 05-Jul-2007: Aca se ve como va tomando forma la mesa de navegacion. Decidi hacerle tres cajones y una puerta vertical con dos estantes. Antes de pegar todo le di una mano de imprimacion epoxi, luego lo pintare con sintetico blanco. Antes de colocar todo definitivamente tengo que colocar la entrada y salida de agua del tanque de estribor.
12-Nov-2007: Vista general del Sirius lijado y listo para pintar con poliuretano (en la proxima etapa de diciembre). Tambien se observan los guardamancebos de cable de acero forrado ya colocados. 3-Ene-2008: Comenzando el nuevo año y despues de haber terminado el 2007 lijando el casco (con muchisimo calor!), pinte el casco con imprimacion epoxi y despues con dos manos de poliuretano (2 lts por mano). Ya en el varadero le dare la ultima mano mas lijado y pulido. 9-Ene-2008: Finalmente fue fundido el quillote!!. Ahora solo falta mecanizarle los agujeros para los bulones de 5/8" y "estilizarlo" un poco. De los 1070 kg previstos en el proyecto, termino en la realidad con 1140 kg. Considerando que todavia tengo que lijarlo bastante, no estoy tan lejos de lo ideal. 31-May-2008: Llego el dia de sacar al Sirius de casa!!! Como viene siendo costumbre en esta ultima etapa, Murphy y sus leyes se hicieron presente una vez mas!!. El transportista cancelo su venida con el trailer!!. Como la grua ya estaba pedida...lo vamos a tener que dejar 2 dias en la vereda!!!
02-Jun-2008: Despues de unas tres horas de trabajo, ya casi esta listo para subir al trailer. 06-Jun-2008: Despues de unos dias finalmente fue colocado el quillote. Use un tubo y medio de sikaflex para sellar la junta. Aqui ya esta entacado y listo para comenzar a trabajar en el fondo. 17-Jun-2008: Mediante la excavacion de un pozo de casi un metro de profundidad, pude colocar el timon!!. 14-Ago-2008: Bajando el motor para conectarlo a la pata y asi poder marcar la posicion exacta de los agujeros de los bulones de fijacion.
   
05-Oct-2008: ArtDesign de la mano de Alejandro, su dueño, nos regalaron el nombre del barco en grafica autoadhesiva. Aqui manos a la obra colocandolo en una de las bandas. 05-Oct-2008: 17:14 hs el quillote del Sirius toca el agua!!!.    

Samoa 34 Luthier. Um veleiro bem afinado

Em 2003, eu e minha esposa decidimos que iríamos nos preparar para morar a bordo de um veleiro, e empreender cruzeiros pela costa do Brasil. Para isso, era necessário o preparo de diversos itens: finanças, família, e, certamente, um veleiro adequado. Desejávamos um veleiro com boa capacidade de armazenamento de água, local para baterias, aposentos confortáveis, seguro, marinheiro, ou seja, um sonho, onde tudo começa.

Tínhamos um bom veleiro de 33 pés, um projeto antigo, que não atendia nossas necessidades futuras e, sendo assim, decidimos procurar por um que pudesse ser reformado. Encontramos um Cabo Horn 35, feito de madeira revestida com fibra de vidro e resina epóxi, muito bonito, mas, tinha algumas pequenas avarias no costado que eu não sabia avaliar. Entrei em contato com os projetistas da RBYD, Cabinho e Luis, e, enquanto eu tirava minhas dúvidas, algum felizardo comprou o barco.

Esse evento fez com que o sonho se ampliasse, incluindo a construção do veleiro. Conversando com os projetistas, decidimos pelo Samoa 34.

As plantas datam de 19 de junho de 2004. Um mês depois comecei a preparar os gabaritos e a laminar as duas primeiras cavernas da seção 0. Em 12 de dezembro de 2008, quase 4 anos e meios depois, seguidas todas as etapas previstas no roteiro, o Luthier foi lançado ao mar, faltando ainda a instalação de alguns itens de eletrônica e a montagem dos cabos das velas no convés, sem falar na arrumação de todas as nossas coisas, porque já viemos para morar a bordo.

A construção amadora, no quintal de casa, sem ajuda profissional, não foi uma opção, mas a única solução, porque morávamos em uma chácara distante 15 km da cidade, mal servida de transporte coletivo, o que dificultou a contratação de mão de obra. Contribuiu para a construção amadora do Luthier a minha experiência anterior com trabalhos manuais em madeira, utilizando apenas ferramentas manuais e elétricas portáteis. Para isso, optei por pré-cortar as madeiras e tupiar os strips em uma marcenaria, de acordo com as medidas da lista de materiais. Os estofados, ferragens, e fundição da quilha foram contratados de terceiros.

O importante é realizar cada etapa da construção com bastante cuidado, para que o resultado final fique bom, e, como diz o Cabinho, sem atalhos.

O acabamento do interior do Luthier é simples, mas bem adequado às nossas necessidades.

A construção amadora, com ou sem ajuda profissional, ou em estaleiro, permite que o conhecimento que se tem da embarcação facilite em muito a futura manutenção. Pode-se ainda fazer pequenas alterações para melhor adequar a embarcação ao seu uso, desde que não altere a estrutura, a estabilidade, e, certamente, com a aprovação dos projetistas.

O Luthier é o resultado de muito planejamento, estudo e dedicação, que materializou um projeto da RBYD, e que tem produzido comentários muito interessantes. Impressiona muito o pé direito da cabine e do banheiro; a cozinha é a preferência das mulheres por ser bem localizada, ampla, e com bons armários. Os velejadores gostam do convés limpo, e da organização dos cabos e ferragens.

O lançamento do Luthier ao mar é a primeira parte do sonho. Agora vamos iniciar as rotinas de manutenção, melhorias, tentar manter a lista de tarefas administrável, e aprender a morar a bordo, porque já deu para perceber que barco não é uma casa.

Morar a bordo, diferente da percepção de muitos leigos, deixa o dia cheio de atividades, com a manutenção, planejamento dos consumos de viveres, água, combustível e energia, acompanhamento das condições do tempo; quando sobra tempo, balançar em uma rede e, claro, velejar.

Estamos muito satisfeitos com o Luthier, fruto de um projeto cuidadoso, dedicado ao velejador de cruzeiro. Parabéns aos projetistas pelo desenho do Samoa 34.

Dorival
A bordo do veleiro Luthier

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Multichine 31 Kuará vai para a água 

Agora foi a vez desse ultra bem-feito Multichine 31 ser lançado ao mar. Seu dono, o engenheiro metalúrgico paulista Thadeu Eduardo Miranda Santos nos visitou  a bordo do MC28 Fiu, durante o Salão Náutico do Rio de Janeiro, em abril de 2005. Ele e sua esposa Sueli se apaixonaram pelo estilo de nosso barco, no entanto o acharam um pouco pequeno para suas necessidades. Com essa dica ficou fácil sugerir que construíssem nosso projeto logo acima, o MC31. Mas tinha um detalhe; Thadeu não queria abrir mão de jeito nenhum da cabine envidraçada que tanto o impressionou no Fiu.

Não seria por esse motivo que o barco deixaria de ser construído. Fizemos para ele a modificação desejada e recomendamos o Estaleiro Franzen de Curitiba, Paraná, que já tinha uma boa experiência com esse modelo, pois construíra o primeiro veleiro desta classe a ficar pronto.

Com o projeto modificado na mão Thadeu fechou negócio com Zilmar Franzen e o resultado está aí, o imponente Kuará já navegando nas águas paranaenses de Paranaguá.

Como sempre acontece quando um MC31 fica pronto é a sensação de espanto das pessoas que visitam o barco inaugurado com o imenso volume desse 31 pés. No princípio desconfiavam de que ele talvez não fosse um bom veleiro, mas essa desconfiança logo se dissipou. Cada proprietário de um desses barcos que começava a conhecer o desempenho do modelo, ficava encantado de constatar como o barco veleja bem.
Zilmar Franzen participou da velejada inaugural do Kuará e em seguida nos passou esse e-mail:

  É com grande satisfação que comunicamos o lançamento do Mc. 31' KUARÁ. Estamos muito contentes com o desempenho do barco, ótima estabilidade e velocidade. O leme é preciso, equilibrado e muito leve de se controlar. A versão de cabine envidraçada está fazendo sucesso. O Kuará está chamando a atenção por onde passa e recebendo elogios pelo design e também pela sua performance.
 Desejamos a todos um Feliz Natal e Um Ano de 2009 com muita Paz e Alegria.
       Seguem algumas fotos, logo enviaremos mais fotos das primeiras velejadas.

      Abraços

      Família Franzen

Ora, é isso que nos deixa felizes; todo mundo contente. Zilmar merece nossos mais calorosos cumprimentos, pois sua construção é primorosa. Que coisa boa ver um barco tão bem feito.
Vamos torcer para que o Estaleiro Franzen tenha uma fila de clientes para construir MCs 31.

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POLAR 65 FRATERNIDADE SAIU NA REVISTA NÁUTICA

Em outubro de 2008 a Revista Náutica publicou uma reportagem escrita pelo jornalista Otto Aquino sobre o Fraternidade, o primeiro Polar 65 a navegar. Seu proprietário e construtor é nosso amigo Aleixo Belov, o navegador brasileiro com maior número de voltas ao mundo realizadas em veleiro.

O Fraternidade é um autêntico trator dos mares, o que nessa época de caos no clima e tempestades cada vez mais ferozes, certamente fará com que esse barco se torne um ícone como o barco ideal para expedições. Cofira abaixo a reportagem completa:

 
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Boas festas

Desejamos um feliz Natal e um excelente ano de 2009 para todos os nossos amigos que pertencem à tribo dos que navegam em barcos da RBYD, e agora também da B & G YD lá da Austrália, assim como aos nossos amigos virtuais que costumam navegar em nosso site.
Esse ano que está se acabando foi muito gratificante para nós. Tivemos tantas inaugurações de barcos lindos, tantos relatos de cruzeiros super-interessantes, além do pessoal que simplesmente se divertiu com seus barcos e nos contou como foram suas navegadas, que resolvemos publicar algumas das fotos que recebemos dos amigos, uma para cada mês. O ideal seria publicar todas as fotos que recebemos, mas a mensagem iria ficar grande demais. Optamos por escolher meio aleatoriamente, variando de modelos. Como todas foram retiradas de nossas notícias, as que não saíram estão lá para serem vistas também. Um carinhoso abraço a todos.
Família Barros e família Gouveia

JANEIRO – Caiaque oceânico Brasileirinho
Proprietário – Gerson Canton
Gerson Canton está preparando seu barco a remo para uma travessia do Atlântico em solitário, entre Portugal e o Brasil. Seu barco foi construído por Estaleiros Flab, www.flab.com.br, localizado em  Campinas, São Paulo.
FEVEREIRO –  MC45 Brava
Proprietário – Hugo Stoffel
Hugo construiu seu barco na Metallc Boats, Triunfo, estado do Rio Grande do Sul, www.metallicboats.com.br. Hugo pretende no futuro viajar com seu barco até o Caribe e em seguida à Europa.
MARÇO – Cabo Horn 35 Utopia
Proprietário – Marco Cianfflone
Utopia é uma construção amadora. Marco realizou  uma volta ao mundo em solitário cheia de acontecimentos inusitados, dentre eles ter sobrevivido ao tsunami que assolou a Tailândia poucos anos atrás. Essa foto mostra o Utopia em Vanuatu, Pacífico Sul
ABRIL – MC34/36 Arakaé
Proprietário – Pedro Tremea
Arakaé é também uma construção amadora. No momento ele se encontra no lago de Itaipu, entre o Brasil e o Paraguai. Pedro está planejando descer o Rio Paraná até o Rio da Prata e depois subir o litoral até Paranaguá, onde seu barco ficará estacionado.
MAIO – Southern Voyager 28 Vida Nova
Proprietário – Aristeu Cruz
Esse trawler foi o primeiro de sua classe a ser concluído. Aristeu, um luthier por profissão, construiu nosso barco a motor no jardim de sua casa em Curitiba, e fez um serviço de primeira classe. A pintura estilo grafiteiro que decora o costado da Vida Nova mostra bem a empolgação de nosso amigo por sua criação. Vida Nova está estacionada em Paranaguá e seu proprietário a usa para passeios na baía e em alto mar, estando muito empolgado com as qualidades marinheiras de sua embarcação.
JUNHO – Samoa 34 Tanpopo
Proprietário – Rodrigo Ferrer
Tanpopo foi construído pelo estaleiro Flab, www.flab.com.br  e no momento está sendo usado por Rodrigo como barco de charter na região de Ubatuba/Ilha Bela.
Rodrigo pretende fazer um cruzeiro longo com seu barco. No início estava nos planos uma viagem até o Japão, mas não sabemos se ele ainda pretende passar para o oceano Pacifico. Com certeza uma viagem ao hemisfério norte está no programa.
JULHO – MC23 MK4 Sollazo
Proprietário – Flavio Traiano
Sollazo é o melhor exemplo de um MC23 MK4 de construção amadora. Totalmente construído pelo Flavio, um completo novato na arte de construção naval, durante os fins de semana, esse barco conquista os corações de todos os que o visitam. No momento Sollazo está sendo usado para cruzeiros entre Rio e Angra, proporcionando à família Traiano momentos inesquecíveis durante as férias passadas a bordo.
AGOSTO – Diamond 20 Matisse
Proprietário - Roberto Nonato
Matisse é uma lancha de vinte pés de comprimento feita em ply-glass. Ela foi construída pelo estaleiro Flab, www.flab.com.br, um dos melhores construtores de barcos madeira/epoxy do Brasil. Roberto Nonato a usa principalmente para passeios na região de Ubatuba e Ilha Bela, mas como ela é rebocável, pode ser levada para qualquer lugar.
SETEMBRO – Pantanal 25 Zirdeli
Proprietários – Orhan Sati & Bahattin Bedir
Zirrdeli foi construído na Turquia pelos amigos Orhan Sati e Bahattin Bedir com extrema competência. O barco está estacionado numa marina em Marmaris, Turquia, no mar de Mármara, entre o Mar Negro e o Mediterrâneo. Seus donos estão bastante orgulhosos por sua construção e o barco está sendo uma ótima propaganda para nosso escritório. A teca que eles instalaram no assento e no fundo do cockpit ficou realmente uma beleza.
OUTUBRO – MC28 Access
Proprietário – Flavio Bezerra
A classe Multichine 28 já é legendária como uma das mais aptas para realizar travessias oceânicas. O dono do Access, Flavio Bezerra, velejou sozinho do Rio de Janeiro à Antigua, no Caribe, onde atualmente reside, lá trabalhando como gerente de projeto na obra de remodelação do aeroporto local. Dezenas de outros construtores de MC28 seguem assiduamente suas aventuras, que sempre publicamos em nossas notícias. Como a maioria deles têm planos semelhantes, as histórias que Flavio nos manda são uma espécie de vitamina para os outros

NOVEMBRO – Green Flash ORC33 Bicho Grilo
Proprietário – João de Deus Assis
João de Deus Assis construiu sua máquina de regatas em Joinville, Santa Catarina. Fabricado em sanduíche de espuma de PVC, Bicho Grilo pode ser considerado o tope de linha em construção amadora. Imagina o desafio de construir um dos barcos hi-tec mais sofisticados do Brasil sem ser construtor naval. No momento João de Deus está preparando o barco para a temporada 2009.

DEZEMBRO – Samoa 28 Sirius
Proprietário – Daniel D’Angelo
O geólogo argentino Daniel D’Angelo construiu esse Samoa 28 praticamente sozinho no quintal de sua casa, em Buenos Aires, Argentina. Tão logo seu barco ficou pronto, no princípio de outubro, Daniel e sua família foram velejando até o país vizinho Uruguai. Essa passagem está relatada em uma de nossas últimas notícias.

Brenda, primeiro barco de madeira/epóxi construído no Brasil

Eram os anos setenta. O escritório Roberto Barros Yacht Design nunca estivera tão na crista da onda. O Atoll QT Yurasis Dragon acabara de vencer o campeonato brasileiro de quarter tonner, a classe oceânica mais popular da época, sendo nossa tripulação indicada para correr o campeonato mundial desta classe em Corpus Christi, no Texas. A primeira edição do livro “Do Rio à Polinésia”, primeiro livro de aventura náutica escrito por autor brasileiro, acabara de ser lançada pelas Edições Marítimas, tendo sua primeira edição se esgotado em poucos meses. Os barcos das classes Tahiti, Rio 20 e Atoll 23 eram os que mais vendiam no país e muita gente nos procurava para fazer projetos novos.
Foi então que meu amigo Bento Ribeiro Dantas, que acabara de vender sua empresa aérea, a Cruzeiro do Sul, para a então toda poderosa Varig, e curtindo a temporada de férias, pós-passagem da bola, resolveu nos encomendar um barco que fosse bom de regatas, mas que também servisse para passeios. Esse projeto foi desenvolvido no ano de 1975 e o chamamos de Samoa 29.
Quando os planos ficaram prontos, recomendei ao Bento que o construísse em madeira/epóxi, uma novidade na época. Outros barcos de madeira moldada já haviam sido construídos aqui, mas sempre utilizando cola fenólica para a laminação, o que não impermeabilizava a madeira, não a tornando imune ao apodrecimento.

Bento, uma pessoa muito inteligente e competente aceitou a recomendação, e utilizando pela primeira vez no país resina epóxi para a colagem, construiu seu barco, o Brenda, com grande esmero, o resultado ficando digno de uma exposição num salão náutico da Europa.
Eileen, eu e a então pequena Astrid, costumávamos passar fins de semana na casa de praia de Bento, em Manguinhos, e desta forma íamos acompanhando o progresso da obra. Num fim de semana chegamos à noite e entrando pela garagem, levei um susto, pois o barco não estava lá. Só depois Bento me contou que o barco já estava na água.
Aquela noite foi difícil dormir. Queria que o sol nascesse logo para podermos ver o barco flutuando.
Não deu outra; logo que começou a clarear, fui andando até o canto da praia onde o barco estava preso à uma poita, e fiquei admirando de longe aquele casco lindo.

A primeira velejada com a família Ribeiro Dantas e a nossa também foi inesquecível.
Na primeira temporada Brenda venceu mais regatas do que perdeu, e por um problema de coluna, Bento resolveu vender o barco.
Quem o adquiriu foi um outro amigo nosso, Thadeu Corseil, que se apaixonou pelo modelo, tornando-se um regatista assíduo. Nesta fase o Brenda ganhou muito mais vezes do que perdeu, de forma que o entusiasmo de nosso amigo pelo barco só fazia aumentar.
Confiante em nosso trabalho, Thadeu voltou ao nosso escritório para um upgrad, tendo adquirido o projeto de nosso recém lançado Cabo Horn 40. hoje seu veleiro Aya é legendário, sempre vencendo ou se colocando bem em sua classe nas regatas oceânicas que costuma participar.
Quem adquiriu o Brenda foi o catarinense de Joinville, Vicente Marinho, que viu naquele 29 pés o barco de seus sonhos.
Nesse meio tempo a vida continua, e esquecemos um pouco esse barco que fôra um marco importante na carreira de nosso escritório. Enquanto isso era construída, no Brasil e no exterior, quase uma centena de Samoas 29, a fama do modelo nunca parando de aumentar. Essa classe abriu um caminho na direção da construção amadora que ainda não tinha sido tentado antes no Brasil: a costrução em sindicato.
O primeiro a se formar, aconteceu em Salvador, onde cinco amigos construíram cinco Samoas 29 muito bem feitos, sendo Carlinhos de Almeida Bastos o líder do grupo, e o belíssimo Taranis sendo seu quinhão nesse mutirão.

A idéia do sindicato vingou, e outras séries foram construídas desta forma, uma em Porto Alegre, outra em Fortaleza, e mais duas no Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro a mais antológica acabou sendo a do Sindicato Ajuricaba, quando cinco amigos se juntaram para construir cinco Samos 29 maravilhosos e esses barcos se tornaram ícones na construção amadora brasileira, acho que até mesmo em âmbito mundial.
Mas a história desta classe estava longe de ficar só por aí. Dos cinco Samoas 29 da série inicial do sindicato Ajuricaba, um deles, o Jornal, tendo o casal Wilmar e Gina, de Santa Catarina como tripulantes, deram uma impecável volta ao mundo em quatro anos e meio, tendo visitado mais de quarenta países pelo caminho. Dos barcos construídos na Bahia, surgiu o Hipocampus, outro Samoa 29 muito bem construído, que com seu proprietário Newton Quinteiro, a esposa Viviani e o filho, o garoto Lucas, também deu a volta ao mundo em quatro anos aumentando ainda mais a fama da classe.
No domingo, 7 de dezembro de 2008, recebemos esse surpreendente e-mail:

Gente, meu nome é Álvaro Albuquerque e estou escrevendo a vocês para comunicar e pedir uma ajuda.
Sou tripulante do Brenda, primeiro Samoa 29 datado de 1975 ( pelo que sei ). Hoje o Brenda está no Capri Iate Clube, em São Francisco S.C. Seu proprietário Vicente Marino, mantém o Brenda com um esmero impressionante .O barco está perfeito, lindo, pronto para uma volta ao mundo.

Mas o que me fez escrever a vocês é comunicar que o Brenda foi campeão por antecipação na classe cruzeiro na FNCVO ( federação norte catarinense de vela oceânica ). E eu gostaria que o Cabinho enviasse ao Sr. Vicente Marino umas palavras de parabenização pelo feito e principalmente pelo zelo no trato ao Brenda, que sem exagero é digno de menção.
Agradeço desde já. Bons Ventos. 
Álvaro Albuquerque.

É claro que uma solicitação dessas teria que ser atendida. Enviei a Vicente minhas mais sinceras felicitações, (Veja em correspondência) desejando-lhe muitas outras temporadas gloriosas com essa.
Agora fica a pergunta: quantos anos dura um barco construído com madeira/epoxy. Se nos primeiros trinta e poucos anos ele está novo em folha, talvez mais vistoso ainda do que quando foi inaugurado, daqui a mais trinta e poucos anos poderá estar como quando foi lançado à água. E se ainda estiver vencendo regatas? Aí já não sei...mas nem precisa.

Cabo Horn 40. O mais recente casco a ser virado

Recebemos um e-mail de Sergio Danilas, um engenheiro químico e construtor amador residente no Paraná, nos informando que o casco do Cabo Horn 40 que está construindo acabou de ser virado. Sergio é um de nossos clientes que mais nos impressionaram por sua competência e determinação. Ele construiu seu casco de quarenta pés com um grau de perfeição comparável ao dos melhores estaleiros profissionais, o que é uma prova de que construção amadora não tem limite de tamanho quando o construtor é competente e dedicado. O e-mail que Sergio nos passou segue abaixo:

Prezados Cabinho e Luis,

No sábado passado, 29/11/2008, desviramos o CaboHorn40, após 2 anos e 10 meses. A construção está lenta, mas muito prazerosa. A maior parte do tempo trabalho sozinho e de vez em quando peço ajuda aos amigos, como foi o caso no desvire. Vários amigos, comandantes de seus próprios veleiros e também os Franzen vieram ajudar, sem eles teria sido muito difícil. A próxima etapa será fazer a laminação interna e os reforços na estrutura para então começar a construir a casa dentro da canoa. 
Um Grande Abraço,
Sergio Danilas

A classe Cabo Horn 40 nos traz uma grande alegria. As várias unidades em construção e as que já estão navegando, são todas muito bem construídas e seus donos estão em absoluto estado de graça com seus barcos. Aya, de Tadheu Corseil, o pioneiro da classe, já navegou umas trinta mil milhas, tendo participado de várias regatas, como a Recife-Fernando de Noronha e Vitória-Trindade, sempre se dando bem e ganhando em sua classe ou ficando entre os primeiros a chegar.

O Cabo Horn 40 é um de nossos barcos mais confortáveis para morar a bordo ou empreender cruzeiros internacionais de longa distância. Nosso cliente típico desses barcos é um que deseja chutar o pau da barraca e se mandar por aí com seu novo barco.
Parece que o envolvimento de cada um com sua construção acaba se tornando uma coisa muito séria, e que nada ficará como antes quando os barcos forem concluídos. Pelos nossos papos com Sergio, ele não será exceção, e sabemos que tem grandes planos para o futuro.
Sergio está construindo seu barco em sanduíche de espuma de PVC.

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Southern Voyager 28, um trawler com estilo diferente

Ficamos impressionados com a quantidade de construtores amadores da nossa traineira Southern Voyager 28 que estão concluindo os cascos de seus barcos e que nos enviam fotos de sua obra nesta fase da construção. Somente nesse mês recebemos fotos de duas SV28. Acreditamos que os construtores ficam bastante excitados quando completam a laminação das cavernas e já podem antever a forma que o barco irá possuir e não conseguem controlar a ansiedade em ver seus cascos terminados. Não sabemos se essa paixão se deve ao fato dos strips serem muito fáceis de irem para o lugar, ou porque o casco seja realmente muito bonito.


Estamos acostumados a ver trawlers com casco em V, mas incapazes de planar, desenhados bem no estilo para agradar ao Grande Gatsby, ou pessoas de sua geração. Cascos redondos de deslocamento tendo linhas com alguma afinidade com cascos de veleiros são praticamente inexistentes. Talvez seja por isso que nossos construtores se enamoram por suas construções e querem ver seus cascos concluídos o mais rápido possível. Sem dúvida essa ansiedade só irá aumentar nas próximas fases da construção. Fazer o interior é um desafio mais excitante ainda e quando o barco começa a parecer um naviozinho de expedições oceânicas, nessa altura do campeonato o construtor mal consegue parar o trabalho altas horas da noite para ir dormir um pouco.

Veja a seguir algumas fotos desses cascos

Southern Voyager 28 Jatahy, contruída por Karl Michael Stegman

Southern Voyager 28 construída em Santos, Brasil, por Luis Ernesto Domingues.

     
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Uma Máquina de Viagens
Saiu no blog do Maracatu: http://maracatublog.wordpress.com/

Convez do recém lançado Fraternidade - Foto © Hélio Viana

Logo que chegamos ao Terminal Náutico da Bahía, o antigo CENAB em frente ao Elevador Lacerda, Mara ligou para Aleixo Belov e qual não foi nossa surpresa ao saber que o barco que ele estava construindo desde que retornou da 3ª volta ao mundo, há quase seis anos, estava na água e pronto para os primeiros testes.

O Fraternidade pronto para velejar- Foto © Hélio VianaNo domingo de pouco vento e alguma chuva na Baía de Todos os Santos foi a segunda saída do Fraternidade e nós estávamos a bordo.

O barco de quase 70 pés, um projeto do escritório do Cabinho seguindo as especificações de Aleixo, é divido ao meio pela casa de máquinas e pela caixa da quilha retrátil (que tem um eficiente sistema de cremalheiras que evita uma queda acidental). Na ala de bombordo, com seis largos beliches de solteiro que podem ser isolados do resto to barco fechando apenas uma porta, vai a família Belov. Por boreste, também com três pares de beliches, acomoda os convidados e tripulantes em cabines sem porta – apenas uma cortina dá a privacidade para quem estiver fora dos turnos.

Alegria na mesa da sala - Foto © Hélio Viana O pilot house mais parece a sala de comando de um navio, com vários instrumentos em duplicata. Na proa tem um paiol com a área do nosso pequenino MaraCatu e toda a popa é tomada pela cozinha e por duas mesas enormes com tampos em jacarandá maciço (um achado que compete com parte das várias obras de arte coletadas nas três voltas ao mundo e espalhadas a bordo com muito bom gosto).

Teve fila para timonear essa massa de aço carbono (o convés é todo em aço inox), que carregado deve bater nas 100 toneladas. Impulsionado pelos dois motores Yanmar de 4 cilindros ronronando a 2200 giros, o leme me pareceu muito pesado. Já à vela, num ventinho de travéz de uns 12 nós, o barco não necessita de timoneiro. Oleg Bely, que faz charter na Antártica no Kotik, estava a bordo com a esposa Sofi e elogiou o desempenho do Fraternidade mesmo com pouco vento e sem a mezena (a vela do  mastro de ré). Durante a construção Aleixo teve longos papos com Oleg e muitas das soluções a bordo foram inspiradas no Kotik.

Oleg mostra o rumo a Lara - Foto © Hélio VianaA família Belov tem planos de já no próximo ano retornar a Polinésia. Lara, a filha mais velha do casamento com Lígia e que acabou de se formar em cinema, vai ficar responsável por registrar tudo e produzir um filme.

Mas aí eu pergunto: Aleixo, o que fazer com o Três Marias, o barco que te levou em segurança nas três voltas pelo mundo?

- “Vou tirá-lo da água, empacotá-lo e guardá-lo no nosso estaleiro em Mapele [perto do Aratu Iate Clube]. Bereco, meu parceiro na Belov Engenharia, vai cuidar dele. Na volta posso emprestá-lo, se algum filho se interessar em fazer a sua viagem”.

Ao fim do passeio, depois de umas moquecas deliciosas na Ilha da Maré, só posso citar o Bereco, que construiu o Meu Velho e é grande parceiro nas Heinekens: o Fraternidade é realmente uma “máquina de viagens”.

Ligia timoneia protegida pelos anjos da guarda - Foto © Hélio VianaAlexei se esforça na catraca do enrrolador - Foto © Hélio Viana

Samoa 28, um barco para construção amadora

Temos motivos de sobra para estar contentes por termos projetado os planos para construção amadora do Samoa 28. Fizemos esse trabalho antes que essa crise que assolou a economia mundial tivesse se instalado de vez por todos os lugares. No entanto, quando fizemos esse projeto, apenas umas poucas pessoas se davam conta de que a indústria náutica provavelmente não estivesse produzindo exatamente os barcos desejados pelos consumidores. Muitos barcos oferecidos talvez não fossem tão robustos e duráveis quanto os compradores desejassem, e num país onde a carga tributária é tão alta, custo de produção ficava sendo o fator decisivo na definição do projeto. Assim barcos que melhor seriam construídos em sanduíche, foram especificados para fibra de vidro pura, às vezes nem mesmo utilizando as melhores resinas para impregnação.

A lógica por trás disso sempre foi: para quê construir um barco para durar décadas se o ideal é vendermos um novo modelo mais moderno para o mesmo cliente daqui a uns poucos anos. Tudo isso poderia continuar desta forma, que, aliás, é a que prevaleceu em outros segmentos da economia, não fosse o crédito de repente ter se tornado escasso, dando uma freada no consumo. O resto da história todo mundo está começando a perceber, embora possamos imaginar que o que vimos até aqui seja apenas a pontinha do iceberg e acreditar que mudanças importantes na mentalidade de consumo inevitavelmente virão por aí.

É nesse espírito de contextação que entrou nosso projeto. Destinado à construção particular ou profissional, o Samoa 28 foi projetado para durar muito, e para ser até um pouco mais robusto do que o necessário, sem, no entanto, deixar de ser um barco moderno e de bom desempenho. O fato de ser trabalhoso para construir é inegável, mas por poder ir sendo feito dentro de um fluxo de caixa que o dono possa administrar, acaba por compensar a demora. E a construção é tão empolgante que todos aqueles que fizeram não costumam dizer que se arrependeram, mas muito pelo contrário, sentem um orgulho incrível por sua realização e se não houver uma necessidade muito grande, não vendem seus barcos de jeito nenhum, exceto, já em outra fase da vida, se for para fazer um barco maior.

As prioridades absolutas que demos ao projeto do Samoa 28 foram as de ser um barco simples de ser construído e a de ser adequado para fazer cruzeiros longos ou morar a bordo.

A primeira condição foi alcançada graças à nossa longa experiência em projetar barcos para construção amadora. Com o Samoa 28 desejávamos desenhar o barco mais atraente possível, com um casco de formas arredondadas e design ultra-moderno, mas que, no entanto, fosse especificado para ser construído por um processo que praticamente tornasse assegurada uma construção bem sucedida.

Escolhemos o processo sanduíche de strip-planking com ripas de madeira ou tiras de espuma de PVC, para que a construção do casco, auxiliada por desenho das seções transversais em tamanho natural fornecidas em plantas impressas ou em arquivo CNC, tornasse a confecção do casco um processo a prova de enganos. Além de termos produzido plantas bem claras e detalhadas, escrevemos um manual de construção informando, passo a passo, como fazer todas as operações construtivas até a conclusão da obra. O fato de que qualquer madeira leve pudesse ser empregada para a construção do miolo do sanduíche, permite que o construtor possa adquirir madeira comercial com selo verde, o que sempre é bom ser lembrado. A qualidade de um casco construído em sanduíche é tão alta que o amador acaba produzindo seu casco mais rígido e robusto do que a maioria dos barcos produzidos em série, o que é um fator que gera uma enorme confiança. Tendo um bom casco, o construtor já tem todo o incentivo do mundo para continuar a obra com o mesmo padrão de excelência, e é exatamente isso que está acontecendo entre os nossos construtores de Samoa 28. Apesar de ser um projeto relativamente novo, o Samoa 28 já tem dezenas de construtores em quatorze países diferentes e as informações que temos recebido é que essas pessoas não estão encontrando grandes dificuldades pelo caminho.

O primeiro a completar a construção de um Samoa 28 foi Daniel D’Angelo, que construiu seu barco quase sem ajuda, em Buenos Aires. Como o barco dele sempre esteve na frente dos outros construtores e ele criou um site fantástico, http://ar.geocities.com/velerosirius/ relatando todas as fases de sua construção com ilustrações, vimos dando notícias regulares do progresso de sua obra, inclusive com um artigo recente sobre o lançamento do seu Sirius. Daniel já está velejando e foi ele quem nos permitiu confirmar as excelentes características do barco, como sendo um veleiro veloz, marinheiro, estável e com leme super-dócil, tanto em ventos fracos quanto em baixo de pauleira. O e-mail que ele nos passou depois de realizar sua primeira travessia”internacional” atesta bem nossas palavras:

Como tinha lhes falado, neste final de semana passado fizemos nossa primeira singradura internacional com o Sirius para o porto de Colônia-Uruguai.
Saímos sexta-feira às 14:35 quase sem vento e o rio liso sem ondas: mesmo com as velas içadas íamos com o Yanmar para manter uns 5 nós. A idéia era chegar antes de anoitece, pois era a nossa primeira vez indo para Colônia e não conhecíamos a entrada. As 20h00min atracamos no píer de madeira (5 horas e meia para fazer 20 milhas).

Curtimos sexta à noite e o sábado todo com tempo ensolarado, muito bom!!! Mas a previsão do tempo para a volta era de fortes ventos de sueste (ou seja, quase em contravento para nosso rumo sul). Domingo pela manha o porto foi fechado por causa do vento e das ondas, e só abriu ao meio dia. As 15:00 hs saímos junto com um outro veleiro de 26 pés, também indo para La Plata. Nós com a grande na primeira forra e a buja totalmente desenrolada. Eles com a grande inteira e a buja a uns 50%. O vento soprava a 35 km/h com rajadas de 45 km/h e as ondas...bem, aquelas que você conhece!!!. Saímos proa com pro, mas logo começamos a deixá-los para trás. Fazíamos 6,5 nós orçando ao máximo com picos de 7, 2 nós (segundo o GPS), adernados o tempo todo a 20-30 graus.

Resumo da opera: as 18:00 hs chegamos no porto de La Plata após 3 hs de navegação (20 milhas ...ou seja uma velocidade média de 6,66 nós na orça!!). O outro barco mal se conseguia vê-lo no horizontetendo chegado uma hora e quinze minutos depois. Não sei se dá para compara os barcos, mas ele foi o ultimo ganhador da regata La Plata-Colônia em sua categoria. Ainda lembro as palavras do capitão do 26 pés quando reportou sua chegada. Eu lhe perguntei como haviam chegado e respondeu:.. "todo mundo enjoado e vomitando menos eu"..."vocês se foram longe pra caramba, hein!!!

A gente velejou com medo no começo mas logo estávamos rindo, confiantes no barco e curtindo o sobe e desce das ondas (e tomando banho com algumas delas!!!)
Estou escrevendo a historia completa da singradura. Em breve passo para você.
Estamos super- felizes com a performance do Sirius!!!....

Abraço,

Daniel D'Angelo

O que nos deixa mais otimistas em relação ao Samoa 28 é a rapidez com que alguns clientes conseguem fazer seus cascos. Às vezes poucos meses depois da aquisição do projeto recebemos fotos do casco já fechado, pronto para receber o revestimento de fibra de vidro externo. Isso é a glória, porque daí em diante o construtor já se acha confiante de que será bem sucedido. Também ficamos felizes quando recebemos fotos de Samoas 28 quase terminados, como as que nos mandou Bernardo Sampaio, que está nos estágios finais de construção de seu barco em Ubatuba, São Paulo. Veja as fotos abaixo e avalie como é espaçoso o interior deste veleiro.

 

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Makai, o MC28 voador

Na década de noventa, quando a B & G Yacht Design ainda operava no Rio de Janeiro, desenvolvemos o projeto do Multichine 28, nosso segundo projeto mais bem sucedido em número de construtores até agora, só perdendo em números absolutos para o Multichine 23, embora esse último estivesse disponível por muito mais tempo.

Era nossa intenção construir um barco desse desenho para nós mesmos. Sendo nosso escritório um negócio de família, queríamos um veleiro seguro e confortável com o qual pudéssemos empreender qualquer tipo de cruzeiro, fosse com a família, inclusive os netos, ou sair em solitário, quando essa fosse a vontade. Regata estava fora de cogitação. Afinal um veleiro de 28 pés com uma tancagem de água doce de quatrocentos e vinte litros, com um mastro curtinho com pouca área vélica, além de ter um casco robusto como uma rocha, não seria propriamente o barco ideal para sair competindo com máquinas de regata.

Roberto Barros, o fundador do escritório, juntamente com um amigo, Roberto Ceppas, decidiram construir juntos dois Multichines 28, num galpão não muito distante do estádio do Maracanã, em um subúrbio do Rio de Janeiro. Como os dois tinham suas atividades formais, os barcos tiveram que ser construídos nos fins de semana, isso a umas poucas quadras distante de multidões de torcedores explodindo foguetório e fazendo um barulho ensurdecedor. Às vezes, terminada uma tarefa, os amigos estavam contemplando a obra prima recém concluída quando um clamor vindo dos céus, como se todos os anjos estivessem soprando suas trombetas, deslumbrados com o belo trabalho. Mas não era nada disso. Apenas um gol ocorrera no estádio.

A despeito de serem duas construções amadoras, embora Roberto Barros tivesse larga experiência prévia em construção de iates, a qualidade dos dois barcos ia se tornando legendária, e à medida que a obra ia avançando, isso ia se tornando motivo de grande orgulho para os dois amigos.

No ano 2000, Fiu, o barco da B & G Yacht Design, ficou pronto, isso alguns meses depois do Makay ter sido lançado à água. Em muito pouco tempo a fama da classe MC28, impulsionada pelos dois barcos recém-inaugurados e ajudada por alguns outros MC28 também muito bem acabados que já estavam navegando, extrapolou fronteiras, e dezenas de iatistas  em onze países diferentes iniciaram construções de barcos da classe.

Fiu navegou umas seis mil milhas, às vezes com as famílias Barros e Gouveia juntas, às vezes com amigos, mas principalmente com Roberto Barros em solitário. Por duas vezes o Fiu navegou do Rio até o nordeste para participar da regata Recife-Fernando de Noronha. Numa das regatas que participou, Fiu bateu um Recorde. Fez o percurso de 300 milhas em pouco mais de 45 horas, dando uma média de 6.6 nós, algo muito bom para um veleirinho de 28 pés de cruzeiro, tendo chegado logo atrás do primeiro da classe acima da dele e oito horas antes do segundo barco de sua classe a cruzar a linha.

Enquanto isso Roberto Ceppas e sua esposa Brita passaram a utilizar o Makai como barco de charter, fazendo isso com um padrão de atendimento tão alto, que os clientes, brasileiros ou gringos, consideraram inesquecíveis essas experiências.

Mas um dia os ventos que estavam soprando tão favoravelmente para os barcos gêmeos mudaram de direção. Roberto Ceppas recebeu um convite para gerenciar uma companhia de charter estabelecida na região de Angra dos Reis, e por falta absoluta de tempo para usar seu barco, resolveu vendê-lo, enquanto que a empresa Roberto Barros Yacht Design se mudava para Perth, Austrália, onde iria receber um novo nome, B & G Yacht Design.

Roberto Barros e sua esposa Eileen decidiram se juntar ao novo escritório fazendo uma viagem com o veleiro Fiu via Canal de Panamá. Essa seria uma viagem de reminiscências do cruzeiro que empreenderam na juventude até a Polinésia Francesa (historia narrada num bestseller da literatura náutica brasileira “Do Rio à Polinésia), mas, quando tudo estava absolutamente preparado para a partida, por recomendação de sua dermatologista, Eileen foi aconselhada a abandonar o esporte da vela, pois depois de tantos anos de vida a bordo, a tolerância de sua pele aos raios ultra-violeta atingira o nível zero. Não podendo contar com sua companheira de tantas aventuras, Roberto Barros desistiu da sonhada viagem e também decidiu vender o Fiu.

Quem adquiriu o Fiu foi o engenheiro brasileiro/canadense radicado na cidade de Calgary, Canadá, Roberto Roque, que desejava ter um barco nos trópicos, para que pudesse em suas férias de inverno curtir as belezas do litoral brasileiro a bordo de um verdadeiro veleiro  de cruzeiro oceânico. Apesar de ser um novato no esporte da vela, pouco depois de adquirir o barco, agora chamado Stella Del Fioravanti, empreendeu uma viagem de quinhentas milhas sem incidentes, desde o Rio de Janeiro até Florianópolis, onde o barco deverá ficar estacionado sempre que Roberto Roque estiver no Canadá.

Makai foi vendido para o engenheiro mineiro Renato Araujo, também um novato na vela, que decidiu como primeira grande realização em sua incipiente carreira de cruzeirista, participar do Cruzeiro da Costa Leste, um rally bianual que culmina com a regata Recife Fernando de Noronha. Em companhia de sua esposa Luciana e mais uns amigos, Renato se inscreveu em uma regata quando da passagem do rally pela cidade de Vitória, a regata Soamar. De baixo de uma pauleira, Makai foi o vencedor em sua classe, sendo um dos dois barcos que não tiveram avaria ou desistiram do percurso.

No entanto o acontecimento realmente importante seria sua participação na Regata Recife - Fernando de Noronha. De novo Makai venceu em sua classe, a RGS E. Na cerimônia de premiação, além de receber o prêmio de vencedor em sua categoria, Renato também recebeu o Troféu Newson Campos, em homenagem ao idealizador do Cruzeiro da Costa Leste, como o barco que mais se destacou durante todo esse percurso.

Nessa ocasião, para espanto da tripulação de iniciantes que levou o Makai à vitória, os outros participantes da regata apelidaram o Makai de Multichine Voador.

Mas não ficou só por aí a fama conquistada pelo Makai. Na regata de retorno ao continente, a Fernando de Noronha – Natal, novamente o Multichine Voador foi o campeão em sua classe. Aí então o barco já estava consagrado e não foi mais uma grande surpresa sua vitória. De Natal a Cabedelo na Paraíba, Makai enfrentou um vento de 40 nós na cara, sem tomar conhecimento, para coroar de vez seu desempenho.

Nós da B & G Yacht Design nos sentimos felizes e orgulhosos por tão boas performances de nosso mais popular barco de cruzeiro. Para a numerosa galera dos construtores de MC28, nada melhor do que saber que além de robusto e confortável, ele também é veloz.

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Para saber mais sobre a classe Multichine 28, clique aqui


Samoa 28 Sirius. Nasce uma nova estrela.

Samoa 28 Sirius

No dia 5 de outubro de 2008, às dezenove horas foi inaugurado o Sirius, o primeiro Samoa 28 a ser concluído. Seu dono, Daniel D’Angelo, o mais feliz de todos os construtores amadores, recebeu seus amigos e outras pessoas que acompanharam sua saga de três anos de trabalho para participar da comemoração pelo lançamento à água de sua recém-nascida criação.

Daniel convidara a mim e a meu sócio e genro Luis Gouveia para passar o fim de semana em sua casa e participar da festa, e teríamos gostado muito poder estar lá, pois esse seria um dia muito importante para a classe Samoa 28, o dia da inauguração do primeiro barco desse modelo a ir para a água. Todavia as 1200 milhas náuticas que me separavam, e as mais significativas ainda 5500 milhas que separavam Perth, na Austrália, onde Luis está residindo, de Buenos Aires, inviabilizaram nossa presença.

Mas pelo menos na hora marcada para o evento passei um e-mail para o Daniel dando-lhe parabéns e desejando-lhe muita sorte com o novo barco.

Claro que não esperava resposta alguma naquela noite, pois Daniel deveria estar no mínimo meio tonto com o vinho e o champagne que deve ter rolado na festa. Qual não foi minha surpresa, no entanto, ao descobrir naquela mesma noite em minha caixa postal um e-mail contando o acontecimento e um anexo com lindas fotos e um vídeo mostrando o momento do batizado. Nosso amigo e representante na Argentina, Adrián Callejón, não se esquecera de nós, mandando-nos essa mensagem:

Le cuento que ayer fue la botadura del Sirius de Daniel.
El barco quedó espectaculaaaarrrr !!!!!! Una obra de arte, magnifico.
Acá le dejo el link de algunas fotos del evento y un video de la rotura de la botella.
La verdad que muy lindo momento.
FELICITACIONESSS, tienen un barco más en el agua.

Na segunda-feira Daniel, como esperado, passou um e-mail dizendo que logo estaria enviando fotos do lançamento. Para seu espanto lhe respondi que também tinha belas fotos para lhe enviar, pois nosso serviço de inteligência já as tinha providenciado.
Bem, esse é só o começo da história. Os outros capítulos logo se sucederão e não deverá faltar emoção.

Roberto Barros

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Southern Voyager 28, um trawler para se viver a bordo

As pessoas estão começando a descobrir esse trawler diferente que desenhamos de acordo apenas com nossas próprias idéias, sem ligar à mínima para como os outros acham que devem ser os trawlers desse tamanho. Nosso conceito de barco a motor sempre foi o de desenhar um naviozinho em miniatura, ultra-robusto e marinheiro, capaz de navegar longas distâncias sem precisar reabastecer. Quando optamos por projetar um barco a motor não planante de 28 pés, desejávamos que ele fosse tão confortável que desse para um casal morar a bordo com bastante conforto e ainda proporcionasse suficiente espaço para que pudesse abrigar para pernoite até mais quatro convidados. Esse barco deveria servir para uma pequena operadora de mergulho, ou para fazer charter free-lance, ou também para trabalhar a bordo ligado à web, ou simplesmente para quem quisesse apenas morar a bordo.
Fizemos esse projeto, e agora, em outubro de 2008, já existe pelo menos um barco navegando, além de uma porção de outros sendo construídos em vários lugares do Brasil e alguns no exterior. Esse barco é a surpreendente Southern Voyager 28, e a planta baixa do arranjo interno que mostramos abaixo mostra bem como ele é aconchegante e confortável para seu tamanho.

Planta baixa do interior da Southern Voyager 28

O SV28 é um barco do tipo sala, quarto, banheiro e cozinha compacta, sem esquecer que tem uma varanda na popa de dar água na boca a qualquer um depois de uma semana estressante passada num escritório iluminado com luzes artificiais. Além disso, a SV28 tem uma autonomia de dar inveja a qualquer lancheiro, embora sua velocidade seja mais compatível com a de um veleiro de seu porte. Mas para aqueles que preferirem velocidade, definitivamente a SV28 não é uma boa opção. Preferimos dotá-la com uma autonomia capaz de levá-la de Santos a Abrolhos, ida e volta, sem precisar  reabastecer.

Nosso primeiro cliente a completar a construção de um SV28 foi Aristeu Cruz, um construtor amador curitibano que tem como hobby a atividade de luttier, (imagina como ele conseguiu construir bem feito), que conseguiu fazer seu barco, o Vida Dura, praticamente sozinho no jardim de sua residência. Quando levou o barco para Paranaguá para ser lançado ao mar, após a inauguração nos enviou o seguinte e-mail:

Olá pessoal
É com grande satisfação que comunico a inauguração da SV28 Vida Nova. É indescritível a emoção de colocá-la na água e vê-la flutuar com seu casco imponente, sem falar da estabilidade e velocidade superior à que eu esperava. Tudo isso posso assegurar que não tem preço.
Agradeço à toda a equipe de B & G Yacht Design que nos proporcionou e nos presenteou  com esse projeto maravilhoso que é a Southern Voyager 28. Parabéns e muito sucesso é o que eu e toda a minha família desejamos a vocês
Grande abraço
Aristeu Cruz

Além de Aristeu temos uma porção de gente dos mais variados lugares e profissões que escolheu a SV28 como seu barco. Temos um cliente biólogo, Heitor Frossard, que está construindo seu barco no interior de São Paulo para viajar pelo litoral brasileiro fazendo pesquisas em sua atividade. Outro cliente, o oficial de marinha mercante aposentado, morador de Brasília, Joaquim Vasconcelos Ferreira, que está construindo seu barco no Estaleiro Flab, de Campinas, S.P., pretende usar o barco como apartamento quando vier de visita ao Rio de Janeiro, sua cidade natal, e com ele espera matar um pouquinho a saudade dos tempos em que comandava navios de duzentas e cinqüenta mil toneladas. As histórias de nossos clientes são muitas. Algumas poderão ser bem exóticas, como a que provavelmente terá para contar nosso mais recente cliente, um iatista da Turquia.

Joaquim com os filhos iniciando o momento da virada do casco de sua SV28

Para maiores informações sobre a SV28 clique aqui.


Green Nomad em Kiribati

Green Nomad ancorado nas Ilhas Torres, Norte de Vanuatu.

Em Novembro de 2003 estávamos em Vanuatu, nas ilhas Banks, que têm esse nome por causa do botânico Joseph Banks, que acompanhava o capitão Cook no Endeavour.
Já era chegada a hora de procurar um abrigo para a temporada de furacões do Pacìfico Sul, que lá se chamam de ciclones. As opções seriam subir para o Norte ficando na altura do equador ou passando para o hemisfério Norte, Ir para o Sul, fora dos trópicos, o que significaria Austrália ou Nova Zelândia ou voltar a passar a temporada num local sujeito a ciclones mas com bons abrigos.
Como já havíamos feito as duas útlimas escolhas em anos anteriores, tendo inclusive passado pela experiência de um ciclone de categoria 5 bem sobre nossas cabeças ( fica para um próximo post sobre as viagens do Green Nomad ), decidimos pela alternativa que àquela altura seria mais relaxada e próxima, que seria ir rumo Norte Nordeste pelas 1000 milhas que nos separavam de Kiribati.
Antes de sair da Austrália em 2002, eu havia lido sobre o arquipélago de Kiribati num livro chamado Landfalls of Paradise.  Aqueles atóis com águas azul turquesa e a cultura da micronésia pareciam bons demais para deixar de conhecer, ainda mais estando tão próximos.

Tomada a decisão, da qual nunca nos arrependemos, fizemos uma travessia entre a Ilha de Sola, nas Ilhas Banks, e Tarawa, a capital de Kiribati, que fica no Grupo Gilbert. Kiribati se estende por uma vasta área, e mais a Leste estão o Grupo Phoenix e o Grupo Line.

A travessia foi com ventos bem fortes de Sudeste a início, com os Trade Winds do hemisfério Sul dando suas últimas sopradas para aquele ano. Tivemos que prosseguir com grande com dois rizos e staysail, com vento aparente de 50 a 60 graus. Apòs três dias o vento amainou, e como seria de se esperar, começamos a entrar na zona de ventos inconstantes, calmarias e trovoadas que marcam a passagem entre os dois hemisférios.  Depois veio a calmaria, que durou uns quatro dias. Como já tínhamos nos aproximado do equador, não havia mais riscos de ciclones, e decidimos esperar o pouco vento que viesse . Andávamos um pouco a motor, mas numa situação como essa normalmente elegemos poupar combustível e diminuir o desgaste do motor e ficar boiando.
Perfeito para fazer pizza e jantar com todas as velas arriadas sob o céu mais estrelado que se possa imaginar.
Como nosso rumo era 20 graus verdadeiros e os ventos iniciais de SE, que depois poderiam rondar para ENE e a correnteza era para W, tínhamos ganho o máximo de caminho na direção Leste que pudemos enquanto durou o vento. Agora, após a calmaria, entrava um WNW de uns 20 nós, que agora ameaçava nos empurrar para o outro lado, mas que se manteve favorável o suficiente para que alcançássemos Tarawa em mais quatro dias com excelente média de singradura.

Aproveitanto  calmaria no meio do Pacífico para um bom banho com balde e spray de jardim.

Chegamos a Tarawa com um pequeno problema de aquecimento de causa não localizada no motor, de modo que velejamos pêlo passe do atol, dando bordos, o que não é fácil e muito menos desejado após 11 dias de mar, mas quando chegamos dentro do Lagoon ligamos o motor para as últimas 3 milhas.
Tarawa é uma atol com uma população de mais ou menos vinte mil habitantes, o que para um atol é uma densidade demográfica equivalente a Copacabana. Existe uma única rua, e o trânsito de carros velhos trazidos do Japão e mini vans supersônicas é incessante. Nunca se pode esquecer a ida de Betio, onde se ancora, até Bairiki, onde se fazem os papéis da entrada, numa mini-van lotada de pessoas descalças, com o som a mil  por hora e voando sobre uma ponte construída em cima do lagoon de águas cristalinas..
O chefe da imigração da época adorava fazer a vida das pessoas difícil, mas acabamos conseguindo todos os papéis e a permissão para parar nos atóis de Abaiang e Butaritari na nossa viagem rumo às Marshall Islands.
Após muitas festas seguimos para o Atol de Abaiang, apenas 25 milhas ao Norte. Nas águas entre Tarawa  Abaiang tivemos uma manhã de águas tão calmas e límpidas que pudemos fotografar golfinhos como se estivesses voando!

 

Golfinhos voando no bordo do Green Nomad Green Nomad no Atol de Butaritari, em Kiribati

Fizemos essa travessia inúmeras vezes, pois ficamos em Abaiang por mais de dois meses, e tivemos que voltar a Tarawa para pedir mais tempo de visto de permanência.
As 25 milhas, no entanto, separavam dois mundos. Longe de Tarawa se pode ver o povo da micronésia vivendo como viviam seus antepassados.
Seria o início de uma grande amizade com aquêle povo sincero e acolhedor. Muito mais que uma quantidade infindável de ancoragens com água de cores que nem dá para acreditar, Kiribati é o lugar onde vive um povo que tudo oferece e nada pede, onde a vida é simples e alegre. Sempre um sorriso, um “Mauri”, a saudação local, e uma caminhada pelo meio dos vilarejos rendia vários convites para sentar na casa de alguém e tomar uma água de coco que o anfitrião ia pegar em cima da árvore na hora, sem nenhuma dificuldade.
Para sentar na casa era só dar um passo para o lado e sentar, pois as casas não tem paredes.

Postal dos mares do Sul! Visita aos amigos em Abaiang

Ficamos em Kiribati por cinco meses,  quatro meses da primeira vez com uma estada intermediária de cinco meses nas Ilhas Marshall e volta para rever os amigos por mais um mês, no caminho de volta para o hemisfério Sul após a temporada de ciclones.

Vivemos em contato com os habitantes locais, que nos chamavam de “Imatang”, que na língua deles quer dizer habitantes do paraíso. De novo a história de uma mitologia que diz que os deuses são branquinhos, e nós nos enquadrávamos no perfil.
Em Abaiang Chegamos a ter nossos nomes combinados e dados a um rapaz de um ano de idade, que passou a se chamar Luimar. Os pais nos pediram se poderiam fazer a mudança de nome, através da irmã mais velha do rapaz, que falava mais inglês. Como não podíamos pensar em algo contra, dissemos que ficávamos honrados e aceitamos. Só quando já tínhamos partido do atol nos demos conta, ao ler um livro sobre as ilhas escrito por um agente colonial britânico dos anos 20, chamado “A pattern of Islands”, que filha do mesmo havia sido distinguida com a mesma honra, e que isso significava que a criança renomeada passaria a servir seu homônimo sempre que este precisasse. Aí sim nos demos conta da extensão do gesto.

Outra coisa impressionante era o uso ainda corriqueiro das canoas polinésias com balancim e movidas à vela.  Não faziam feio perto de nenhum catamaran moderno, e eu sempre corria para a proa para fotografar a passagem de algum velejador que se aproximava. Logo percebi que eles gostavam disso, e começaram a passar sempre perto.

Marli com o pequeno Luimar, junto com a mãe e uma irmã. Os habitantes de Kiribati têm a mesma fisionomia dos polinésios.
Velejada de través perfeita As mesmas canoas também são usadas com motor de popa, só que instalado no meio, onde o balancim se une ao casco. Grande eficiência e pouco arrasto garantem a economia de combustível. Nesta foto recebemos a visita de vários amigos.

Também memorável foi a vez em que, fui convidado a pescar com nosso amigo Teinabo.  Fui numa dessas canoas com uns quatro metros de comprimento, saímos do atol e logo estávamos com as linhas dentro da água. Eu sò me perguntava porque eles tinham parado a contrabordo de outra canoa e pego um atum de 40cm inteiro com um amigo, e porque este agora estava pendurado na ponta de um anzol do tamanho de um bandolim, com uma corrente de 4mm unindo-o a uma linha de polipropileno de 5 mm. Eu já sabia a resposta, mas preferia não admitir. Obviamente em menos de 2 minutos tínhamos um tubarão Mako de dois metros na ponta daquela “linhazinha”, e começou o jogo nada seguro de trazê-lo para perto da canoa e ir golpeá-lo na cabeça, mas somente quando este se orientava com a cabeça em rumo divergente da canoa, senão os pescados iriam ser outros...

Lancha de pesca oceânica – Indústria de Kiribati Pescaria do dia Marli teve o aprendizado da culinária local .

Para a Marli havia o aprendizado da culinária local. Sempre o coco era a base para variar a alimentação à base de peixe e arroz, com algumas raizes para complementar.

Saímos de Abaiang com o coração pesado, mas logo iríamos voltar a estar entre amigos em Butaritari, o atol mais ao Norte de Kiribati.
O chefe da imigração, o tal que tinha como passatempo atrapalhar os turistas, tinha nos dado apenas uma semana de prazo pra ficar em Butaritari. Tinhamos que entregar uma carta selada ao chefe da polícia local, onde constava nosso tempo de permanência.
Chegamos pela vila principal, próxima ao passe no Sudeste do atol, e entregamos a tal carta. Após mais de um mês, ainda estávamos em Butaritari, e coitado do chefe de polícia que pensasse em nos expulsar. Nossos amigos da vila de Kuma, no extremo Leste do atol iriam criar um problema para ele na certa.

Em Kuma havia um grupo de famílias que compunham algo como um clube social. Tinham um “maneaba” próprio (maneaba é a casa comunitária de Kiribati, com um grande telhado em v, onde acontecem todos os eventos sociais), e quando fomos visitá-los para perguntar se poderíamos ficar e pescar em frente ao vilage deles, logo nos convidaram para jantar.
O resultado foram quase duas semanas de intensa vida social. Todas as noites íamos para terra comer com eles, acompanhados de Bill, nosso amigo do veleiro Piet Heyn, que nos havia acompanhado desde Vanuatu.
Haviam verdadeiros banquetes nos esperando cada noite, introduzidos com discursos de cada chefe de família e cada um de nós, com tradução da professora local. Como cada noite uma das famílias era encarregada de cozinhar, começou uma certa competição para ver qual comida nós apreciávamos mais. E foi melhorando a cada noite, com lagostas, coconut crab, aperitivos de fruta pão frita etc.
Era tanto que ao final de duas semanas movemos o barco para uma ilha algumas milhas distante, pois era visível que o esforço estava começando a ser demasiado para algumas famílias, e não queríamos abusar. E também já estávamos ficando cansados de tanta vida noturna.
Claro que vinham nos visitar, e dias antes de irmos embora para as Ilhas Marshall, o grupo veio e pescou lagostas para nos dar como presente de despedida. Não só pescou, durante a noite, como veio ao barco às seis da manhã com quatro lagostas cozidas, pronta para comer.

Banquete no Maneaba A vida em total plenitude. Amizade, natureza bela e paz!

Estar ancorado num destes atois sempre rendia imagens que desafiavam os olhos.  No atol de Abemama, onde viveu Robert Louis Stevenson, o azul perdurava até com mau tempo.

Azul com sol... Azul com chuva!

Kiribati foi tão especial para nós que ficou a vontade de voltar um dia.  Além de estar num paraíso oceânico, ficava evidente como um estilo de vida sustentável é viável. As pessoas parecem viver mais felizes que as que conhecemos na sociedade de consumo moderna, e sabem usar o meio ambiente de forma sustentável e com respeito para sobreviver.

Mas isso não impede que venham a ser as primeiras entre as populações de refugiados ambientais, pois o aumento do nível dos Oceanos os atingirá primeiro do que a maioria dos outros povos. Lições de engenharia em Kiribati Lições de engenharia em Kiribati

Como as memórias que este povo e lugar deixaram em nós estão sempre nos chamando para voltar lá, nós já estamos construindo um novo barco, depois de termos vendido o Green Nomad na Austrália em 2005.
Até nomeamos o desenho que fizemos em colaboração com o escritório B&G Yacht Design de Kiribati 36. Permaneceu o tamanho e a construção sólida em metal do primeiro barco, mas agora o material é alumínio, e o barco terá um melhor desempenho em ventos fracos, devido às linhas de casco mais modernas e ao menor deslocamento, e o baixo calado permitido pela quilha pivotante nos dará condições de entrar em passes que antes nos eram proibidos.
Também mudou o conceito de “viagem de submarino”, que é como os veleiros tradicionais sem visão periférica nos fazem sentir. Com as gaiutas de abrir em torno de todo o pilot house, o barco terá uma ótima vista para o mar e ventilação de sobra.

O novo Green Nomad, na Metallic Boats, em Triunfo, RS

Devemos voltar à água até o fim deste ano, e mal podemos esperar. Muito trabalho ainda restará no barco, mas o faremos já a bordo, vivendo num canto do barco e trabalhando no outro, sonhando com Kiribati e os mares do Pacífico.


Green Flash ORC 33 lançado com sucesso!

Já está na água nosso mais recente projeto de veleiro de competição, o Green Flash ORC 33. A nova regra ORC 33 foi idealizada com o conceito de caixa de sapato (box rule) onde são especificadas algumas medidas máximas e mínimas, deixando o projetista com total liberdade para desenhar o melhor barco possível dentro destes limites, sem ter que se preocupar com ratings e medições complicadas que acabam limitando a performance. O resultado final são barcos velozes e excitantes de velejar, que irão agradar mesmo os velejadores mais exigentes.
O Bicho Grilo foi projetado pelo nosso escritório e construído pelo próprio proprietário, João de Deus Assis, e vem despertando grande interesse internacional, como podemos ver nos dois artigos publicados recentemente no site da ORC (http://www.orc.org), que reproduzimos a seguir.

New ORC GP 33 boat launched (20/08/2008)

New ORC GP 33 class boat has been launched in Brazil. Joao de Deus Assis Filho bulit her itself together with his son and workers JS Fiber Boat Yard. It is Roberto Barros project with his office now in Perth, Australia. The boat is located in Joinville - Santa Catarina State in south Brazil.

Interview with Joao de Deus Assis, GP 33 owner and builder


Interest in the GP 33’s is rapidly expanding across the globe, with the completion of a Nelson/Marek design for Japan and the latest launch announced by Joao de Deus Assis in Brazil. Joao has shared some thoughts with us on his new boat:

What are the specifications of your boat (length, draft, beam, upwind sail area, downwind sail area, displacement, ballast)?
My boat has the same specifications of the ORC GP 33 Class, but as the construction began in 2006, it has both a spinnaker pole and also a bowsprit. My upwind sail area is 63 m2 and the asymmetric spinnaker has only 104 m2. I don’t have a scale to know the total weight of the boat, but the construction was with Divinicell and Epoxy resin from Barracuda. The ballast and the keel weighs 1050 kg and the max draft is 1.90 m.

What materials were used to build the boat and the spar?
Divinicell, Epoxy and biaxial cloth were used in the hull and aluminum in the mast and boom. The rudder axle is of hard aluminum with self aligning roller bearings made by Nautos.

Why did you choose to build a GP 33? What did you like about the box rule?
My son and I like racing, but instead of buying an old used boat, putting some good sails on it and going racing, that boat would always be an used boat with all the problems of old boats. My son said to me: Why don't you, with all the knowledge with Fiberglass that you have, built your own boat? That was the beginning… I started looking for a project at the end of 2005. First, I contacted Alan Andrews several times but had no answer. Mark Mills was kind but the price was too expensive for me. Volker has an IMS 29 that I like, but the project was not complete. Then I knew from a friend in my town that he had a project in this new class (the ORC GP 33) from Roberto Barros. I went to his house to learn about and see this project. It was exactly what I was looking for!

So in January 2006 I bought the design and in May I started to built the boat. Exactly 2 years later the boat was launched to go to my club to complete the installation of the fin bulb, mast and all the fittings. The Box Rule is very simple: all the boats are similar and racing is boat-on-boat. I also race IOM-International One Metre radio-controlled yachts and it is also very competitive.

What kind of sailing are you planning to do, and where?
I intend to measure in ORCi and compete in Florianopolis - Santa Catarina and in the next Rolex Ilhabela Race Week.

Have you found the boat to perform to your expectations?
Before the first trials I was very nervous about the boat’s reactions, but I was impressed after the first mile of sailing with 10 kts of wind where we were making 6 kts of speed upwind and with only 3 persons onboard. The reations of the boat are great. The rudder is neutral and the response is immediate.

Any other comments?
I advise every one who wants to built a sailboat to think about seriously about the ORC GP 33.
 

Se você quiser saber mais sobre o Green Flash ORC33, clique aqui


Multichine 28 Access faz sucesso no Caribe.

Flavio Bezerra, nosso sofrido campeão de proezas na classe Multichine 28, acaba de nos enviar um pungente e-mail que nos fez ficar morrendo de pena dele. Afinal que vida dura essa de um brasileiro perdido numa ilha do Caribe, tendo que ir a festas toda noite com uma porção de mulher bonita dando sopa, tendo que mergulhar em águas cristalinas, podendo ir velejando para surfar nos melhores “sueis” das Antilhas, além de ter que agüentar o papo de tantos cruzeiristas mentirosos. Não consigo entender como pode ter tanta gente querendo ler as notícias sobre o Access e uma porção deles desejando acabar logo a construção de seus barcos para poderem ir para lá também.

***

Espero que esse e-mail ajude vocês da RBYD a fazerem bons negócios, pelo menos para compensar os no mínimo dez clientes que expulsei ao chegarem embaixo do meu barco dizendo que podiam fazer o mesmo mais rápido e mais barato.

A vida aqui está como antes, agora trabalhando como engenheiro de planejamento da construtora Andrade Gutierrez, que está restaurando o aeroporto de Antigua. Eu dei muita sorte de ter um mestrado e não ter ninguém na ilha especializado em gerenciamento de projetos. Só assim liberaram minha permissão de trabalho, o que é proibido por aqui, onde um tomate custa três dólares.

Aos fins de semana eu sempre saio para velejar ou surfar com amigos. É impressionante como tem picos de surf escondidos aonde somente se chega de barco. Um australiano ficou babando quando soube que fomos surfar em Sand Island, em um dos 'suéis' mais clássicos que já houve por aqui.

A ancoragem é sempre aquela; venho na empopada mesmo, escolhendo o fundo, corro para a proa e ao passar pelo mastro, abro os stoppers das velas, que caem. Solto a âncora e deixo o barco arrastá-la até que escolha por si um bordo e cambe. Mergulho então e amarro a segunda âncora com mais vinte metros de corrente e as enterro. Ao todo uso sempre 35 metros e duas âncoras de 10kg, uma CQR que o Ricardo do Pirata me emprestou, e uma Bruce, na mesma corrente, espaçadas de 15 metros uma da outra. Nunca garrou e espero que assim sempre seja. Ancoro sempre a menos de 5 metros de profundidade. Estudo bem o vento e as pedras, arrecifes, e se não der, não arrisco. Peguei uma chuva forte ancorado a 8m, ventos de 50 nós e um barco ao lado do meu recebeu um raio. Que prejuízo! Dia desses faço um cabo terra no meu barco, mas a grana ainda não deu.
Motor; ainda não tenho. Daí não ter bateria para piloto automático, mas o sistema de cabos para amarrar a cana que instalei desde o Brasil funciona muito bem, mesmo na empopada. Esse barco é tão bom que veleja até sem leme, como foi por cinco dias depois que o quebrei numa baleia na perna Fortaleza - St. Maarten!!! Estou muito satisfeito e todos elogiam muito. É claro que falta aquele toque feminino nos detalhes...mas nesse caso talvez eu precise de um barco maior..ou quiçá uma namorada pequena, própria para um Multichine 28, e com muito, muito bom humor!
Meu dingue sofreu uma reforma. Refiz todo ele, fibra e madeira, mas preciso colocar uma armação e me preparar para a competição clássica de dingues...que barato! Tem todo ano e acompanha a regata clássica de Antigua. Neste ano trabalhei no veleiro vencedor da Clássica, o Aschanti, de 120 pés. Que tripulação!!! Aqui as mulheres além de bonitas adoram velejar, mas você tem que estar em forma para poder acompanhar.
É claro que dá muita saudade do Rio de Janeiro. Lugar melhor não há. Quantos amigos que fiz durante a construção do Access naqueles papos longos pelos galpões do São Cristovão. Não saberia que eram tão bons amigos não fossem as enormes dificuldades que passa um construtor amador morando num galpão, construindo seu sonho dia a dia. Da praia de Ipanema, do sol do Rio, das remadas com a galera da canoa havaiana e das velejadas com a galera. Do surf na Prainha e na praia da Macumba!!! É claro que eu já volto. Volto já, só não sei por onde, nem quando, e adoraria conhecer alguns outros lugares mais distantes que o Caribe. Aí tem que segurar a saudade, igual a penalty em final de copa do mundo, com o Brasil para marcar, e velejar muito, surfar e conhecer todos os lugares e fazer muitos, mas muitos amigos mesmo, que de tudo é o que fica.
É isso aí cara, um abração para você e toda a família que me deu tanta força, para Manolo e Ricardinho também.
Flávio.
Antiga - West Indies
msn: flavioab@hotmail.com

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Para saber mais sobre a classe Multichine 28, clique aqui


Falando sobre o Multichine 31

O Multichine 31 é um desenho que já deveria ter alcançado um papel de destaque em nossa galeria de projetos de estoque. Destinado principalmente à construção amadora, esse incrivelmente volumoso veleiro de cruzeiro, dono de uma elegância única e um conforto interno sem concorrentes para um barco de seu porte, esse barco é um marco em nossa galeria de projetos de prateleira.

Este reconhecimento está demorando um pouco mais do que esperávamos a ser alcançado, em parte porque nos primeiros barcos da classe a serem concluídos, seus construtores não estavam lá com muita pressa para acabar o serviço, fosse por razões de fluxo de caixa, ou para poderem caprichar ao máximo nas suas re